A FRONTEIRA E O AMBIENTE COMO DETERMINANTES LOGÍSTICOS NA CAMPANHA FARROUPILHA NA PROVÍNCIA DE SANTA CATARINA (1838-1840)
Palavras-chave:
Guerra Civil Farroupilha. Província de Santa Catarina. Táticas militares. Imperiais.Resumo
A Guerra Civil Farroupilha (1835-1845) iniciada na Província de São Pedro (atual Rio Grande do Sul) ocupou parte do território da Província de Santa Catarina entre os anos de 1838 a 1840. A busca pelo porto de Laguna visava romper o isolamento farroupilha, o qual não possuía saída para o mar, já que os portos da Província de São Pedro foram dominados pelos imperiais. A conquista de portos fluviais se tornou prioridade quando eles foram expulsos de Porto Alegre pelas forças imperiais em 1836. O italiano Giusepe Garibaldi e o irlandês/norte-americano John Griggs deram apoio naval ao empreendimento, transportando dois lanchões (Seival e Farroupilha). O isolamento farroupilha foi dissolvido quando ocorreu a conquista de Lages em março de 1838 e de Laguna em julho de 1839. Após a tomada de Lages e Laguna, os farroupilhas continuaram avançando para o norte com o propósito de conquistar Desterro (capital da província catarinense), enquanto a flotilha de corsários comandada por Garibaldi atuava no mar. Caso a via aquática fosse dominada permitiria o controle de recursos e a expansão do domínio terrestre. A administração de parte da Província catarinense que havia ficado em mãos farroupilhas teve diversos problemas econômicos e políticos, além de militares. O capitão-de-mar-e-guerra Frederico Mariath assumiu o comando das forças navais do Império, distribuindo as embarcações ao longo do litoral, do Desterro para o sul. Em 15 de novembro de 1839, Laguna foi reconquistada pelos legalistas e Lages foi retomada pelas forças imperiais em 12 de janeiro de 1840. Frente a estes acontecimentos, a superioridade imperial no domínio geográfico das águas (mar e rios) aliada às dificuldades econômicas e políticas internas dos farroupilhas levou ao inevitável colapso da ocupação farroupilha em território catarinense. As águas, além de serem fontes de recursos naturais, funcionaram como barreiras importantes que definiram a tática militar nas batalhas que ocorreram no território catarinense entre imperiais e farroupilhas. O lado imperial conseguiu de forma efetiva dominar o meio ambiente, e por isso, derrotou os rebeldes em Santa Catarina, fazendo-os recuar novamente para a Província de São Pedro, onde pode combatê-los até os anos finais da guerra.
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