HOMENS E PORCOS: A CRIAÇÃO RUDIMENTAR PROSSEGUE
Palavras-chave:
Suinocultura familiar. Modernização agrícola. Agroindústria. Oeste de Santa Catarina.Resumo
A criação artesanal de porcos foi fundamental na organização econômica e sociocultural do Oeste catarinense, especialmente por sua vinculação à agricultura familiar e à construção histórica do território rural. A agricultura familiar não pode ser compreendida como um resíduo de atraso, mas como um segmento dinâmico, capaz de se adaptar às transformações do mercado e de produzir formas próprias de desenvolvimento no meio rural (Abramovay, 1998, p. 73). O avanço da integração agroindustrial, intensificado a partir da década de 1980, impôs mudanças estruturais aos sistemas produtivos, exigindo maior controle sanitário, padronização genética e reorganização das relações de trabalho no campo. Como demonstra Belato (2002, p. 112), a consolidação do sistema agroindustrial da suinocultura em Santa Catarina promoveu ganhos tecnológicos e sanitários significativos, mas também aprofundou a dependência dos pequenos criadores em relação às agroindústrias, ampliando processos de exclusão social. Apesar dessas transformações, práticas tradicionais de criação de suínos permanecem ativas em diferentes localidades do Oeste catarinense, constituindo estratégias de adaptação e resistência frente à lógica de homogeneização produtiva. Essas práticas mantêm saberes transmitidos entre gerações e expressam identidades locais construídas historicamente, funcionando como formas de resistência simbólica e cultural diante das dinâmicas de dominação econômica (Brandão, 1986, p. 41). Ao analisar os municípios de Mondaí, Caibi e Cunha Porã, evidencia-se a coexistência entre modelos industriais e sistemas familiares de produção, o que reforça a importância da diversidade produtiva para a segurança alimentar, a reprodução social das famílias agricultoras e a preservação de identidades culturais no meio rural. A permanência desses sistemas tradicionais constitui elemento central para compreender as dinâmicas socioeconômicas e patrimoniais do campo brasileiro contemporâneo, marcado por tensões entre modernização agroindustrial e resistência camponesa (Abramovay, 1998, p.215; Belato, 2002, p. 189; Brandão, 1986, p. 87).
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