Imigração Africana em Capinzal-SC: Desafios encontrados.
Palavras-chave:
imigração africana; identidade; barreiras linguísticas; mercado de trabalho.Resumo
Este estudo analisa o fenômeno da imigração africana no município de Capinzal, localizado na Região Meio-Oeste do Estado de Santa Catarina, entre os anos de 2018 e 2022. A partir de uma análise teórica e de dados de imigração por meio do censo do IBGE 2022, busca-se compreender os processos de chegada, adaptação sociocultural, barreiras linguísticas e inserção no mercado de trabalho, elementos que constituem desafios recorrentes na experiência migratória contemporânea. O crescimento populacional do município e a demanda de empresas, especialmente do setor agroindustrial, consolidam Capinzal como território de acolhida e de passagem de imigrantes em busca de melhores condições de vida (G1 SC, 2025; Secretaria de Assistência Social de Capinzal, 2022).Entre os desafios observados, destaca-se a barreira linguística, que não se limita a um obstáculo comunicacional, mas atua como mecanismo de exclusão e condicionamento social. Conforme apontam Pinto e Dias (2023), a linguagem estrutura relações de poder e pode limitar a mobilidade do sujeito no campo econômico. Esse impacto se articula com a análise de Fanon (2008), segundo o qual a língua opera como instrumento de dominação e apagamento identitário, colocando o imigrante negro diante da necessidade de adaptação para aceitação social.Além disso, observa-se que a imigração, quando associada à solidão e à responsabilidade de sustentar familiares a distância, pode desencadear impactos emocionais, como relatado em entrevista. A instabilidade do projeto migratório evidencia a fluidez das relações sociais do mundo globalizado, aspecto que dialoga com o conceito de modernidade líquida de Bauman (2001), em que vínculos e pertencimentos tornam-se frágeis, dinâmicos e constantemente reconfigurados. Assim, compreender as narrativas migratórias permite visibilizar experiências que ultrapassam números e políticas de trabalho, constituindo-se como elementos fundamentais para o debate sobre acolhimento, identidade e direitos sociais.
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