O uso da História Oral como Instrumento de Escuta de Vivências e Resistências LGBTQIAPN+: o caso da Cidade de Quelimane, Província da Zambézia nos períodos 2010 - 2022

Autores

  • João Baptista Francisco UNEB - Campus V Autor

Palavras-chave:

História Oral; LGBTQIAPN+; Resistência; Memória; Quelimane.

Resumo

Este trabalho tem como foco o uso da História Oral como instrumento de escuta das vivências e resistências da comunidade LGBTQIAPN+ na cidade de Quelimane, província da Zambézia, entre 2010 e 2022. O problema central reside na invisibilidade e silenciamento histórico das identidades dissidentes em contextos periféricos e conservadores, onde estruturas religiosas, familiares e culturais reforçam a heteronormatividade e dificultam a afirmação identitária. Apesar da descriminalização da homossexualidade em Moçambique em 2015, a ausência de dispositivos legais específicos mantém lacunas institucionais que perpetuam a exclusão social. O objetivo geral da pesquisa é compreender, por meio da história oral, as experiências de exclusão e resistência enfrentadas pela comunidade LGBTQIAPN+ em Quelimane. Os objetivos específicos incluem: identificar sujeitos pertencentes à comunidade; coletar narrativas de vida que expressem enfrentamentos e afirmações identitárias; analisar a influência das estruturas religiosas, familiares e institucionais; e demonstrar o potencial da história oral como metodologia ética e sensível para a construção de uma memória coletiva plural. A justificativa fundamenta-se na necessidade de dar visibilidade às memórias subterrâneas e traumáticas que não aparecem nos registros oficiais, mas que constituem parte legítima da história social moçambicana. A relevância social está em promover inclusão e reconhecimento; a política, em denunciar lacunas legais; e a acadêmica, em ampliar os estudos sobre diversidade sexual e de gênero em Moçambique, especialmente fora dos grandes centros urbanos. As hipóteses defendem que a história oral permite acessar memórias silenciadas, revelando estratégias de resistência e afetividade, e que as intersecionalidades classe, gênero, religião, território e idade — intensificam a marginalização. Os principais resultados apontam que, mesmo diante de exclusão institucional e social, as pessoas LGBTQIAPN+ em Quelimane constroem formas de resistência cotidiana, reafirmando sua existência e identidade. A escuta ativa revelou narrativas de dor, mas também de coragem e afetividade, confirmando a história oral como ferramenta metodológica insurgente contra epistemologias eurocêntricas. As principais obras consultadas foram: Santos (2007), Gonzalez (1984), Vasconcelos (2022), Monjane (2020), Portelli (1997), Thompson (2000), Butler (1990), Foucault (1976) e Crenshaw (1989), que fundamentam a análise teórica e metodológica.

Publicado

06-06-2026

Edição

Seção

Protagonismos à margem: gênero e relações étnico-raciais na história