DO ESPECTADOR AO PERITO: A EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA COMO PONTE ENTRE UNIVERSIDADE E COMUNIDADE

Autores

  • RAIANE JARDIM UFFS
  • Patrícia Foletto UNIVERSIDADE FEDERAL DA FRONTEIRA SUL
  • Lucas Schnorrenberger de Oliveira UNIVERSIDADE FEDERAL DA FRONTEIRA SUL

Palavras-chave:

Química; ENEM; experimentação; investigação científica.

Resumo

Resumo: Este relato reflete sobre a oficina “Desvendando um crime” realizada

através do projeto de extensão LabENEM da Universidade Federal da Fronteira Sul

(UFFS), Campus Cerro Largo, com alunos da Escola Estadual Professor Pedro José

Scher do município de São Pedro do Butiá, em setembro de 2025. A oficina teve o

propósito de democratizar o acesso ao conhecimento científico, motivar os

estudantes a ter “outro olhar” pela química e revisar conteúdos para a prova do

ENEM. A oficina foi estruturada a partir de um roteiro com 4 estações que

envolviam uma cena de crime. Para o desenvolvimento desta, os alunos

inicialmente foram separados em grupos e cada grupo visitava uma estação. As

práticas experimentais escolhidas para cada estação foram: Primeira) Análise de

vestígios com luz ultravioleta (fluorescência). Esta prática foi feita para encontrar

manchas do crime em um banheiro e visou abordar conteúdos de química analítica,

físico-química e demonstrar a absorção de luz (geralmente UV) por elétrons de uma

molécula, que passam para um estado excitado, seguida pela emissão de luz visível

(fluorescência) ao retornar ao estado fundamental. Segunda) Revelação e

comparação de impressões digitais por meio do processo de sublimação com iodo.

Nesta Prática, o vapor de iodo ajudou a revelar as digitais deixadas em objetos, pois

ele se dissolve na gordura naturalmente existente nas mãos. Terceira)

Determinação de densidade aplicada à análise de objetos metálicos e líquidos

coletados para identificar de que material é feito o objeto metálico ou qual líquido foi

encontrado na cena do crime. Para isto, foi usado o cálculo da densidade,

propriedade que relaciona a massa e o volume de uma substância. Os peritos

pesaram o objeto em uma balança (massa), colocaram água em uma proveta e

mergulharam o objeto para medir quanto o volume aumentou (volume deslocado),

dividiram a massa pelo volume para encontrar a densidade e por fim compararam

3Técnico de Laboratório, Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Cerro Largo-RS, esse valor com uma tabela de densidades conhecidas. Quarta) Cromatografia em

papel: nesta estação utilizou-se a técnica analítica físico-química simples e

eficiente, que permitiu separar os diferentes corantes alimentícios artificiais

(pigmentos) que compõem a cor da cobertura de balas coloridas, presentes na cena

do crime. Esta técnica é amplamente utilizada para separar os componentes de uma

mistura, baseando-se na afinidade diferencial entre uma fase estacionária (papel de

filtro/celulose) e uma fase móvel (solvente/eluente). A oficina “Desvendando um

crime” evidenciou o papel fundamental da extensão universitária como ponte entre a

universidade e a comunidade, democratizou o acesso ao conhecimento científico ao

levar práticas experimentais e metodologias ativas para estudantes do ensino

médio. Ao assumirem o papel de peritos em uma investigação fictícia, os alunos

deixaram de ser meros espectadores e passaram a ser protagonistas do próprio

aprendizado, o que motivou um “outro olhar” pela química, rompendo com a visão

tradicional e conteudista da Química. Por fim, a oficina revisou conteúdos para o

ENEM de maneira contextualizada e prática, como reações químicas e identificação

de substâncias, reforçando a preparação dos alunos para o exame. Essa

experiência, alinhada às diretrizes da extensão universitária, fortalece a autonomia

intelectual e amplia as perspectivas dos estudantes sobre seu futuro acadêmico e

profissional, cumprindo o papel social da universidade pública.

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Publicado

01-07-2026