DO ESPECTADOR AO PERITO: A EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA COMO PONTE ENTRE UNIVERSIDADE E COMUNIDADE
Palavras-chave:
Química; ENEM; experimentação; investigação científica.Resumo
Resumo: Este relato reflete sobre a oficina “Desvendando um crime” realizada
através do projeto de extensão LabENEM da Universidade Federal da Fronteira Sul
(UFFS), Campus Cerro Largo, com alunos da Escola Estadual Professor Pedro José
Scher do município de São Pedro do Butiá, em setembro de 2025. A oficina teve o
propósito de democratizar o acesso ao conhecimento científico, motivar os
estudantes a ter “outro olhar” pela química e revisar conteúdos para a prova do
ENEM. A oficina foi estruturada a partir de um roteiro com 4 estações que
envolviam uma cena de crime. Para o desenvolvimento desta, os alunos
inicialmente foram separados em grupos e cada grupo visitava uma estação. As
práticas experimentais escolhidas para cada estação foram: Primeira) Análise de
vestígios com luz ultravioleta (fluorescência). Esta prática foi feita para encontrar
manchas do crime em um banheiro e visou abordar conteúdos de química analítica,
físico-química e demonstrar a absorção de luz (geralmente UV) por elétrons de uma
molécula, que passam para um estado excitado, seguida pela emissão de luz visível
(fluorescência) ao retornar ao estado fundamental. Segunda) Revelação e
comparação de impressões digitais por meio do processo de sublimação com iodo.
Nesta Prática, o vapor de iodo ajudou a revelar as digitais deixadas em objetos, pois
ele se dissolve na gordura naturalmente existente nas mãos. Terceira)
Determinação de densidade aplicada à análise de objetos metálicos e líquidos
coletados para identificar de que material é feito o objeto metálico ou qual líquido foi
encontrado na cena do crime. Para isto, foi usado o cálculo da densidade,
propriedade que relaciona a massa e o volume de uma substância. Os peritos
pesaram o objeto em uma balança (massa), colocaram água em uma proveta e
mergulharam o objeto para medir quanto o volume aumentou (volume deslocado),
dividiram a massa pelo volume para encontrar a densidade e por fim compararam
3Técnico de Laboratório, Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Cerro Largo-RS, esse valor com uma tabela de densidades conhecidas. Quarta) Cromatografia em
papel: nesta estação utilizou-se a técnica analítica físico-química simples e
eficiente, que permitiu separar os diferentes corantes alimentícios artificiais
(pigmentos) que compõem a cor da cobertura de balas coloridas, presentes na cena
do crime. Esta técnica é amplamente utilizada para separar os componentes de uma
mistura, baseando-se na afinidade diferencial entre uma fase estacionária (papel de
filtro/celulose) e uma fase móvel (solvente/eluente). A oficina “Desvendando um
crime” evidenciou o papel fundamental da extensão universitária como ponte entre a
universidade e a comunidade, democratizou o acesso ao conhecimento científico ao
levar práticas experimentais e metodologias ativas para estudantes do ensino
médio. Ao assumirem o papel de peritos em uma investigação fictícia, os alunos
deixaram de ser meros espectadores e passaram a ser protagonistas do próprio
aprendizado, o que motivou um “outro olhar” pela química, rompendo com a visão
tradicional e conteudista da Química. Por fim, a oficina revisou conteúdos para o
ENEM de maneira contextualizada e prática, como reações químicas e identificação
de substâncias, reforçando a preparação dos alunos para o exame. Essa
experiência, alinhada às diretrizes da extensão universitária, fortalece a autonomia
intelectual e amplia as perspectivas dos estudantes sobre seu futuro acadêmico e
profissional, cumprindo o papel social da universidade pública.
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