ESPAÇOS NÃO FORMAIS NA FORMAÇÃO DOCENTE EM CIÊNCIAS/QUÍMICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Palavras-chave:
Trilha ecológica, Meio Ambiente, Professores em formação inicial, Conscientização, PráticasResumo
A inserção de metodologias de ensino, articulando teoria e prática, que possibilitam a consolidação dos saberes docentes com uma abordagem mais crítica, reflexiva e contextualizada na formação inicial e continuada de professores de Ciências tem se tornado mais necessária na contemporaneidade. Assim, os espaços de educação não formal, como a natureza urbana e as trilhas ecológicas, estabelecem-se como estratégias de ensino efetivas, possibilitando a vivência de experiências que ampliam a compreensão dos conteúdos científicos para além da sala de aula. Logo, o objetivo deste trabalho é relatar uma experiência formativa desenvolvida com alunos do curso de Licenciatura em Química, por meio da realização de uma trilha ecológica, articulada à disciplina de Prática de Ensino: Educação Ambiental, de uma Universidade pública localizada no interior do Rio Grande do Sul, conduzida por dois licenciados em Ciências Biológicas, mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências do qual fazem parte. A atividade foi desenvolvida no período noturno, sendo idealizada em dois momentos interligados: no primeiro, ocorreu a realização da trilha ecológica nas imediações do campus, na Universidade em questão, na qual os licenciandos passaram por diferentes estações (pontos didáticos para discussões) ao longo do percurso, sendo 10 ao total. Nessas estações, foram abordados conceitos relacionados à ecologia, botânica, zoologia e geologia, por meio de jogos didáticos, observações orientadas pelos pós-graduandos ministrantes e problematizações acerca do que era observado pelos participantes. Além disso, durante o percurso da trilha ecológica, os participantes foram conscientizados sobre as ações antrópicas e a importância do meio ambiente, fauna e flora, assim, sensibilizando os professores em formação inicial sobre a natureza e suas respectivas atitudes visando a interligação dos conteúdos da Química, das Ciências, com o meio ambiente ao longo da docência dos mesmos. A partir desse objetivo de sensibilizar os professores em formação inicial, no segundo momento, ocorreu a Oficina de Pegadas na qual os participantes produziram moldes de “pegadas ou impressões da natureza”, utilizando gesso em pó e água, visando explorar elementos da flora local sem causar impactos ao ambiente, que consistiram na escolha de um elemento natural da trilha para eternizar como lembrança: uma folha, flor ou um fruto. Assim, ao invés de retirar o item escolhido da natureza, eles registraram a “pegada” do item no gesso, possibilitando aos professores em formação inicial a reflexão sobre alternativas metodológicas que valorizem a experiência vivida e a sensibilização ambiental no Ensino de Ciências. Tanto a oficina das Pegadas, quanto o percurso da trilha ecológica foram utilizados como meio de aprendizado pelos participantes que, no decorrer do tempo, dialogaram sobre a experiência de maneira positiva, como, por exemplo, “nunca tinha participado de trilhas anteriormente, gostei!”, ou, então, “com a trilha ficou mais fácil aprender e observar os líquens”, exemplificando um dos conhecimentos científicos tratados ao longo dela. Dessa maneira, compreende-se que esse espaço de ensino não formal possibilita a sensibilização e a consolidação dos conhecimentos teóricos compreendidos em sala de aula por meio da observação e prática realizada em campo.
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