A FORMAÇÃO INICIAL DOCENTE EM CURSOS NA MODALIDADE EAD
Palavras-chave:
Precarização docente, curso de pedagogia, diretrizes nacionais para EADResumo
A enorme expansão da educação a distância no Brasil (EAD) ao longo das últimas décadas tem impactado na formação de professores, especialmente nos cursos de pedagogia. Apesar desta modalidade ter como objetivo ampliar o acesso ao ensino superior para pessoas que moram em regiões afastadas dos grandes centros, esse contexto trouxe muitos debates a respeito da qualidade da formação docente. Um deles se refere à redução das cargas horárias para das atividades práticas; e outro, a falta de interação entre as pessoas, o que pode enfraquecer a formação docente e as discussões teóricas coletivas e a formação crítica. Nesse contexto, este trabalho tem como objetivo refletir sobre os impactos da precarização do EAD na formação de professores, destacando a importância da integração entre teoria e prática na formação. A docência pede um domínio de conteúdos e desenvolvimento de habilidades de interação, comunicação e a capacidade de lidar com a realidade escolar, e a redução ou a ausência destes traz dificuldades no desenvolvimento para a formação inicial, dificultando a construção de identidade profissional docente. A interação entre alunos e professores e com o ambiente escolar é de grande importância para a construção do docente, algo difícil de desenvolver com ambiente virtual. A metodologia usada para este estudo possui abordagem quanti-qualitativa, buscando dados, especialmente do Censo do Ensino Superior, que demonstram a realidade da oferta do curso de pedagogia na modalidade EAD, no país, e análise de documentos normativos para a EAD. Os resultados obtidos indicam o curso de pedagogia como o mais procurado entre as licenciaturas e, por isso, possui maior número de matrículas, no entanto, é ofertado prioritariamente pela rede privada de ensino e a distância. As diretrizes para a EAD, recentemente estabelecidas pelo MEC, por meio do Decreto Nº 12.456/2025, estabelecem que é vedada a oferta de cursos de licenciatura a distância, podendo ser ofertados em formato presencial e semipresencial, exigindo para esta última, carga horária presencial obrigatória nos cursos de pedagogia nos polos EAD, além de reforçar a realização de estágios em escolas. Essas medidas buscam garantir que os futuros docentes sejam preparados para obterem formação mais sólida, ou seja, preparada para atender às demandas da educação básica. Conclui-se que, embora os polos de cursos EAD desempenham importante exigência às licenciaturas, a execução da formação de docentes requer equilíbrio entre a acessibilidade e qualidade. A docência exige a prática na vivência e interação direta com o ambiente escolar. Portanto, garantir uma formação digna para exercer a docência requer a valorização das atividades presenciais e das práticas pedagógicas. Assim, as recentes diretrizes do MEC buscam conter a precarização e representam um avanço, reconhecendo que a formação do docente não deve aprofundar o EAD, sendo fundamental o reconhecimento teórico e as experiências práticas para a construção de profissionais críticos e preparados para a realidade educacional. Com isso, espera-se que o curso de pedagogia amplie a sua oferta presencial, ou semipresencial, qualificando os docentes que atuam na educação infantil e nos anos iniciais.
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