PRÁTICAS INCLUSIVAS NO ENSINO DE CIÊNCIAS: ADAPTAÇÃO DE PLANEJAMENTOS PARA ESTUDANTE COM TEA
Palavras-chave:
ensino inclusivo; atividades adaptadas; inclusão escolar.Resumo
A promoção da aprendizagem em Ciências para estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) requer a organização de práticas pedagógicas que considerem suas especificidades, de modo a garantir não apenas o acesso, mas também a participação efetiva no processo educativo. Nesse contexto, o planejamento docente assume papel central na elaboração de estratégias que favoreçam a inclusão escolar. Assim, o presente estudo tem como objetivo analisar de que maneira a adaptação de planejamentos pedagógicos na disciplina de Ciências contribui para a inclusão e a aprendizagem de um estudante com TEA, matriculado no 7º Ano do Ensino Fundamental, em uma escola privada do município de Santo Ângelo (RS). Para atender a esse objetivo, desenvolveu-se uma pesquisa de abordagem qualitativa, de caráter descritivo, fundamentada na análise de planejamentos pedagógicos adaptados ao longo do período letivo. Esses planejamentos foram elaborados a partir de um modelo institucional estruturado, que contempla a identificação do estudante, o período de execução, a área do conhecimento, os objetivos de aprendizagem, os materiais de apoio, as atividades do livro didático e as atividades adaptadas. A construção desses planejamentos ocorreu de forma colaborativa entre o professor de Ciências, o profissional do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e a equipe pedagógica, considerando as necessidades, potencialidades e interesses do estudante. No desenvolvimento das aulas, o professor adotou uma abordagem expositivo-dialogada, buscando apresentar os conteúdos de maneira acessível e promover a participação ativa dos estudantes. Nesse processo, a inclusão do estudante com TEA foi favorecida pela valorização de seus conhecimentos prévios e pelo incentivo à expressão de suas experiências. A análise das atividades adaptadas evidenciou a organização de propostas com linguagem clara e objetiva, instruções diretas e ênfase nos aspectos essenciais dos conteúdos, o que contribuiu para a facilitação da compreensão. Além disso, verificou-se o uso recorrente de recursos visuais, como imagens e esquemas com função pedagógica, que auxiliaram na compreensão de conceitos mais abstratos. As atividades propostas incluíram questões objetivas com número reduzido de alternativas, bem como questões discursivas formuladas de forma direta, frequentemente associadas a pequenas investigações orientadas. Ademais, foram desenvolvidas atividades que demandam menor esforço de escrita, considerando dificuldades relacionadas à motricidade fina, como marcar, destacar, circular, relacionar, numerar, classificar e completar informações. Os resultados indicam que as adaptações realizadas contribuíram significativamente para o engajamento do estudante, ampliando sua compreensão dos conteúdos e favorecendo sua participação nas atividades propostas. Nesse sentido, o planejamento adaptado configura-se como uma estratégia fundamental para a efetivação da inclusão escolar. Assim, evidencia-se a relevância do trabalho colaborativo entre o professor da disciplina e o profissional do AEE, uma vez que a construção conjunta de práticas pedagógicas potencializa o processo de ensino e aprendizagem de estudantes com TEA.
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