OS IMPACTOS AMBIENTAIS DO MODELO FAST FASHION: PRÁTICAS COMERCIAIS E POLUIÇÃO INVISÍVEL

Autores

  • Natália Almeida Colégio Marista Santo Ângelo/Estudante
  • Mateus Kuhn Monticielo Colégio Marista Santo Ângelo/Estudante
  • Amanda Baccarin Hepp Colégio Marista Santo Ângelo/Estudante
  • Jonas Both de Melo Colégio Marista Santo Ângelo/Professor https://orcid.org/0009-0005-2668-1144

Palavras-chave:

comércio varejista; moda rápida; cadeia produtiva; resíduos têxteis; consumo consciente.

Resumo

O modelo fast fashion tem sido amplamente debatido no campo das ciências ambientais e sociais em razão dos impactos negativos associados à produção em larga escala, ao consumo acelerado e ao descarte prematuro de vestuário. Esse sistema, caracterizado pela rápida renovação de coleções e pela oferta de produtos a baixo custo, estimula padrões de consumo pouco sustentáveis, contribuindo significativamente para o aumento da geração de resíduos têxteis. Ademais, a curta vida útil das peças e a obsolescência programada intensificam a pressão sobre os recursos naturais e ampliam os impactos ambientais ao longo de toda a cadeia produtiva da moda. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar os impactos ambientais decorrentes do descarte inadequado de resíduos têxteis, com ênfase na emissão de poluentes atmosféricos. Para tanto, adotou-se como metodologia a revisão bibliográfica aliada à aplicação de um questionário estruturado a gerentes de sete estabelecimentos do comércio varejista no município de Santo Ângelo (RS), dos quais quatro concordaram em participar. As questões contemplaram a compreensão do conceito de fast fashion, o destino de peças com defeito, a frequência de reposição de mercadorias, o tempo médio de permanência dos produtos em estoque, as práticas sustentáveis adotadas e o perfil dos consumidores. Os resultados evidenciaram uma compreensão limitada do conceito por parte dos respondentes, geralmente restrita à agilidade na produção e à acessibilidade das peças. Três lojas relataram a adoção de ações sustentáveis voltadas à reciclagem de papel e plástico, porém desvinculadas da gestão de resíduos têxteis. Apenas uma empresa apresentou um programa específico para o descarte de roupas, com a participação dos consumidores, configurando uma iniciativa ainda pontual no setor. De modo geral, observaram-se altas taxas de reposição de mercadorias e curta permanência dos itens em estoque, características que refletem o padrão produtivo acelerado do fast fashion. No que se refere ao destino das peças, aquelas com baixa demanda são frequentemente remarcadas ou devolvidas, enquanto itens com defeito são encaminhados ao depósito central, sem informações claras acerca de sua destinação final. Logo, os dados evidenciam a predominância de um modelo orientado à rotatividade e à maximização do lucro, em detrimento de uma gestão ambientalmente adequada dos resíduos gerados. Diante desse panorama, destaca-se a necessidade de fortalecimento das políticas públicas, de ampliação da conscientização socioambiental e de incentivo à adoção de práticas alinhadas ao slow fashion, que valoriza a durabilidade, a ética e a responsabilidade na cadeia produtiva da moda.

Downloads

Publicado

01-07-2026