JARDINS URBANOS COMO ESTRATÉGIA PARA A CONSERVAÇÃO DE ABELHAS EM SANTO ÂNGELO (RS)
Palavras-chave:
plantas melíferas; recursos florais; paisagismo urbano; biodiversidade; sustentabilidade ambiental.Resumo
Os jardins urbanos têm sido reconhecidos como estratégias relevantes para a conservação das abelhas e para a manutenção do equilíbrio ambiental em áreas urbanizadas, uma vez que podem oferecer alimento, abrigo e locais de reprodução para essas polinizadoras. As abelhas desempenham papel fundamental na polinização, processo essencial para a reprodução de grande parte das plantas e para a conservação da biodiversidade. Contudo, nas últimas décadas, observa-se uma redução significativa de suas populações, associada à degradação dos habitats naturais, ao uso intensivo de agrotóxicos e às mudanças climáticas, fatores que comprometem a eficiência da polinização e ameaçam a estabilidade dos ecossistemas. Diante desse cenário, torna-se necessário o desenvolvimento de estratégias que favoreçam a conservação dessas espécies, destacando-se a implantação de jardins urbanos com oferta contínua de néctar e pólen ao longo do ano. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar a importância dos jardins urbanos na preservação das abelhas, bem como propor ações que contribuam para o fortalecimento dessa prática em espaços urbanos. Para alcançar tal objetivo, adotou-se uma abordagem qualitativa, inicialmente fundamentada em revisão de literatura sobre o tema. Posteriormente, realizou-se um estudo de campo nas praças centrais do município de Santo Ângelo (RS), por meio de observações diretas do comportamento das abelhas e de sua busca por recursos alimentares. Complementarmente, foi conduzido um levantamento fotográfico das áreas investigadas, acompanhado da identificação das espécies vegetais presentes nas praças e nas principais vias urbanas, com base em referências especializadas. Os resultados evidenciaram que, nas áreas centrais do município, há predominância de plantas herbáceas e arbustivas, de caráter ornamental e, em sua maioria, exóticas, com baixa presença de plantas melíferas, o que limita a disponibilidade de recursos alimentares para as abelhas. Além disso, verificou-se que os poucos recursos florais disponíveis concentram-se, majoritariamente, nas copas das árvores, dificultando a visualização e o acompanhamento das polinizadoras no ambiente urbano. Durante os períodos de outono e inverno, quando a oferta de néctar e pólen é ainda mais reduzida, observou-se a presença frequente de abelhas em lixeiras de praças e vias públicas, indicando a busca por fontes alternativas de alimento. Esse comportamento evidencia não apenas a escassez de recursos florais ao longo das estações, mas também possíveis implicações para a qualidade do mel produzido. Dessa forma, os resultados obtidos reforçam a necessidade de intervenções no planejamento urbano, especialmente no que se refere à diversificação da vegetação com espécies melíferas que garantam oferta contínua de recursos alimentares. Recomenda-se, nesse sentido, a utilização de plantas nativas em canteiros destinados a espécies herbáceas e arbustivas, priorizando aquelas que ofereçam néctar e pólen ao longo de todo o ano. Assim, a implantação de pequenos jardins urbanos, associada ao desenvolvimento de campanhas voltadas à conscientização e à participação da população santo-angelense quanto à preservação desses espaços, configura-se como uma estratégia viável e necessária para a conservação das abelhas no contexto urbano. Tais ações, ao responderem diretamente às limitações identificadas no estudo, contribuem não apenas para a preservação dessas polinizadoras, mas também para a melhoria da qualidade ambiental no município.
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