PENSAMENTO CRÍTICO: ANÁLISE DAS ESTRATÉGIAS DE ENSINO EM LIVROS DIDÁTICOS DE CIÊNCIAS BRASILEIROS

Autores

Palavras-chave:

Reflexão Crítica, Metodologias de Ensino, Estratégias Didáticas, Ensino Crítico

Resumo

O Pensamento Crítico (PC) é uma forma de pensamento reflexivo, por meio do qual desenvolvem-se capacidades de argumentação, elaboração de hipóteses, tomada de decisões para promoção da autonomia e emancipação social do sujeito. No Ensino de Ciências (EC), o PC é indispensável, pois, através dessa capacidade, os alunos se tornam cidadãos críticos e participativos na realidade em que estão inseridos. A presente pesquisa buscou analisar e comparar as Estratégias de Ensino[1] presentes em Livros Didáticos de Ciências do Ensino Fundamental (LDCEF) do 6º ano sobre seu potencial pedagógico na promoção do PC. A pesquisa teve abordagem qualitativa, do tipo documental, subdividida em três etapas. Na primeira etapa, realizamos a coleta dos 12 LDCEF e, também, realizamos uma pré-análise nas estratégias de ensino presentes em cada LD. Na segunda etapa, realizamos a coleta das estratégias de ensino, selecionando-as em três categorias: Informativa, com estratégias que traziam apenas uma informação, sem promover o PC dos alunos; Exploratória, com estratégias que, sem a devida mediação do professor, não são capazes de promover o PC dos alunos; e Reflexiva/Crítica, com estratégias capazes de promover o PC dos alunos. Por fim, na última etapa, realizamos a análise e interpretação dos resultados obtidos. Ao todo, foram coletadas 2551 estratégias, sendo 1043:2551 na categoria Informativa, 1206:2551 na categoria Exploratória e 302 na categoria Reflexiva/Crítica. Na categoria Informativa, destacamos o LDCEF5, com 158:1043 estratégias, sendo elas Glossário (43:158), Texto complementar ao conteúdo (24:158), Mapa Mental/Conceitual (10:158) e Sugestão de Conteúdo Complementar (81:158). Na categoria Exploratória, o LDCEF2 assumiu a liderança, com 148:1206 estratégias, divididas em Questões (100:148), Atividade Prática (16:148), Atividades Diversas (10:148) e Questões Iniciais (22:148). Por fim, na categoria Reflexiva/Crítica, destacamos o LDCEF4, com 39:302 estratégias, sendo elas Reflexão (6:39), Texto com Reflexão (16:39) e Debate (17:39). Dentre os LDCEF, percebemos semelhanças entre as estratégias de cada categoria. Na categoria Informativa, a estratégia Sugestão de Conteúdo Complementar foi a mais frequente, estando presente em todos os LDCEF, seguida por Glossário, que esteve presente em 11:12 LD. Na categoria Exploratória, Questões esteve presente em todos os LD, enquanto Atividade Prática esteve presente em 10:12 LD. Já na categoria Reflexiva/Crítica, a estratégia com maior frequência foi Discussão em Grupo, presente em 6:12 LD, seguida por Reflexão, presente em 5:12 LDCEF. A partir dos dados analisados, percebemos que a categoria Reflexiva/Crítica encontra-se em número consideravelmente mais baixo que as demais categorias, embora sejam estas as estratégias promotoras do PC sem necessitar da mediação do professor. Portanto, podemos perceber que os LDCEF ainda possuem potencial de melhora de suas estratégias, buscando, cada vez mais, promover o PC no EC, capacitando seus alunos à um pensamento reflexivo e crítico, favorecendo a resolução de problemas e a tomada de decisões, bem como a participar ativamente das questões sociais às quais são expostos.

 

[1] Nesta pesquisa utilizamos estratégias, atividades e metodologias como sinônimos.

Biografia do Autor

  • Daiane Kelly Müller, Universidade Federal da Fronteira Sul

    Graduada em Ciências Biológicas Licenciatura pela Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Cerro Largo (RS). Atuou como bolsista de Iniciação Científica no período de 2022 a 2025, desenvolvendo pesquisas relacionadas ao Pensamento Crítico no Ensino de Ciências e à análise de livros didáticos. Integra o Grupo de Estudos e Pesquisa em Ensino de Ciências e Matemática (GEPECIEM) da Universidade Federal da Fronteira Sul. Atualmente é mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências (PPGEC) da Universidade Federal da Fronteira Sul, na linha de pesquisa Formação de Professores e Práticas Pedagógicas, bolsista CAPES.

  • Roque Ismael da Costa Güllich, Universidade Federal da Fronteira Sul

    Possui Graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões - URI, Aperfeiçoamento em Biologia Geral: CAPES -UNIJUÍ, Especialização em Educação e Interpretação Ambiental UFLA, Mestrado e Doutorado em Educação nas Ciências pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul - UNIJUÍ. Pós-Doutorando do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos Latino-Americanos (PPGIELA) da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) com estudo sobre Pensamento Crítico Latino-Americano: Concepções, Possibilidades e Desafios no Campo do Ensino. Atualmente é professor da Universidade Federal da Fronteira Sul - UFFS, Campus de Cerro Largo-RS, na área de Prática de Ensino e Estágio Supervisionado de Ciências Biológicas. Tem experiência na área de Educação, com ênfase na Formação de Professores de Ciências e Biologia, atuando na pesquisa, na extensão e na docência, principalmente nos seguintes temas: Ensino de Ciências e Biologia, Livro Didático, Formação de Professores, Investigação-Formação-Ação em Ciências, Narrativas e Pensamento Crítico. Coordenou o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência - PIBID/CAPES, Subprojeto Ciências até 2014 e o Subprojeto Ciências Biológicas até 2016. Atualmente é tutor do PETCiências- Programa de Educação Tutorial sendo bolsista SESu-MEC/FNDE, Pesquisador líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Ensino de Ciências e Matemática - GEPECIEM e Editor Sênior da Revista Insignare Scientia - RIS. Professor e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências - PPGEC - UFFS.

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Publicado

01-07-2026