EXPLORANDO A GRANDEZA ÁREA POR MEIO DE DOBRADURAS: UMA EXPERIÊNCIA NO ENSINO DE MATEMÁTICA
Palavras-chave:
Geometria, Investigações matemáticas, Resolução de Problemas, Formação docenteResumo
Este trabalho apresenta um relato de experiência desenvolvido com uma turma do 6º ano do Ensino Fundamental, no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), com o objetivo de explorar a grandeza área de figuras planas por meio de dobraduras e modelos simples de origami. A proposta foi elaborada a partir da observação do contexto escolar, buscando articular conceitos matemáticos a situações concretas, por meio de uma abordagem investigativa e colaborativa que promovesse a participação ativa dos estudantes na construção do conhecimento. Além disso, a atividade integrou diferentes formas de representação e estimulou a exploração de ideias matemáticas em um ambiente de interação e diálogo.
A metodologia fundamentou-se na Resolução de Problemas e nas Investigações Matemáticas. A turma, composta por 17 alunos, foi organizada em grupos, e a atividade estruturou-se em dois momentos principais. No primeiro, os estudantes construíram figuras por meio de dobraduras e foram desafiados a investigar a área das formas obtidas sem recorrer diretamente a fórmulas. Para isso, utilizaram estratégias baseadas na manipulação das próprias figuras, como decomposição em partes menores, sobreposição para comparação de tamanhos e reorganização das partes para formar figuras equivalentes. Essas ações favoreceram a compreensão da área como medida da superfície ocupada, construída a partir da experimentação e da comparação entre as formas produzidas. No segundo momento, ocorreu a socialização das produções por meio de um mural coletivo, no qual os grupos apresentaram suas soluções e discutiram diferentes estratégias, favorecendo a comunicação matemática. Os dados foram coletados por meio de observações, registros escritos e registros fotográficos, possibilitando a análise das interações e das estratégias desenvolvidas.
Os resultados evidenciaram maior engajamento dos estudantes em comparação a aulas tradicionais, com participação, colaboração entre os grupos e diversidade de estratégias utilizadas. Observou-se o desenvolvimento do raciocínio geométrico, da argumentação e da comunicação, além da compreensão de que um mesmo problema pode admitir diferentes caminhos de resolução. Destaca-se também a ampliação da capacidade de justificar procedimentos e interpretar resultados, aspectos relevantes no processo de construção do conhecimento matemático. A atividade possibilitou ainda reflexões sobre precisão e variações nos resultados, decorrentes do processo manual de construção das figuras. Nesse contexto, identificaram-se dificuldades na compreensão da área como medida de superfície, especialmente na comparação entre figuras de formatos distintos e na análise de partes incompletas após as dobraduras. Essas situações evidenciaram a necessidade de discutir critérios de equivalência de áreas, contribuindo para o aprofundamento do conceito.
Conclui-se que a utilização de materiais concretos associada a propostas investigativas pode contribuir para o ensino da grandeza área, ao favorecer a participação dos alunos e a construção de significados. Durante o desenvolvimento da atividade, as pibidianas atuaram por meio de intervenções, realizando questionamentos que incentivavam a reflexão, mediando discussões e solicitando que os estudantes explicassem suas estratégias. Também promoveram momentos de validação coletiva das soluções, valorizando diferentes caminhos de resolução. A experiência mostrou-se relevante para a formação inicial docente, ao articular teoria e prática e favorecer o desenvolvimento de uma postura reflexiva frente ao ensino de Matemática.
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