A GESTÃO LINGUÍSTICA DO ALEMÃO EM CERRO LARGO (RS) E A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE LÍNGUAS
Palavras-chave:
Estudos Glotopolíticos, Formação Docente, Instituto GoetheResumo
Para os sociolinguistas franceses Louis Guespin e Jean-Baptiste Marcellesi, autores do artigo-manifesto “Defesa da Glotopolítica” (Pour la Glotopolittique) (2021), toda língua está subordinada a uma gestão, e esta gestão requer meios financeiros e editoriais, que vinculam-se à ordem do campo político. Deste modo, tendo em vista as práticas linguísticas no município de Cerro Largo (RS), esta pesquisa objetivou compreender e levantar hipóteses acerca da gestão da língua alemã no município, especificamente em relação à prática docente no idioma supracitado. Para tanto, nos centramos em passagens retiradas de duas entrevistas semiestruturadas, que integram o projeto “Heranças: as línguas e a construção de identidades culturais nas Missões”, aprovado no comitê de ética da universidade (CAEE: 77589224.2.0000.5564). A entrevista foi realizada com professoras do município. Considerando esse estudo, os preceitos metodológicos que adotamos para este trabalho evidenciam nossa abordagem como qualitativa, de natureza aplicada, vinculada a um procedimento etnometodológico e com objetivos exploratórios. Ademais, pontuamos que tais critérios metodológicos foram definidos a partir das ponderações de Denise Silveira e Fernanda Peixoto Córdova (2009). No que diz respeito às informações coletadas, visualizamos que a capacitação profissional dos docentes de língua alemã, no município de Cerro Largo, se deu através de bolsas ofertadas pelo Instituto Goethe (2026). Observamos que esta capacitação foi direcionada, ainda, tanto para profissionais já graduados, quanto para estudantes de instituições de ensino superior. No mais, também fomos informados de que a agenda de ensino de língua alemã, adotada pelo município de Cerro Largo, está centrada na variante de prestígio da língua, distinguindo-se do dialeto historicamente utilizado na comunidade: o hunsrückisch. Hipotetizamos, por fim, que a parceria entre a prefeitura local e o Instituto Goethe proporciona a formação docente para a língua alemã, e que esta parceria está centrada na provisão de recursos financeiros, destinados através de bolsas de estudo e de materiais didáticos. Observamos que tais provisões configuram-se como essenciais para a perenidade do ensino deste idioma no espaço de estudo. Por outro lado, consideramos que o ensino de alemão na variante de prestígio evoca preceitos ideológicos centralizadores (Chauí, 2004), passíveis de não-identificação por parte da comunidade local.
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