ENGAJAMENTO ESTUDANTIL POR MEIO DE EXPERIMENTAÇÃO E CONEXÕES COM A REALIDADE: A IMPLEMENTAÇÃO DE UMA SEQUÊNCIA DIDÁTICA DE CIÊNCIAS
Palavras-chave:
Ensino investigativo, Biomas brasileiros, Saúde coletiva, Composição atmosférica, Alfabetização científico-tecnológicaResumo
No estágio supervisionado em Ciências do Ensino Fundamental planejamos e desenvolvemos uma sequência didática de 18 aulas, seguindo a Base Nacional Comum Curricular, abrangendo as unidades temáticas Vida e Evolução e Terra e Universo, com ênfase na promoção de uma alfabetização científico-tecnológica crítica e no engajamento dos estudantes. Partindo da problematização do engajamento variável observado em aulas expositivas ditas tradicionais de ciências, da desconexão entre os conteúdos e a realidade local e da necessidade de combater a desinformação sobre vacinação e mudanças climáticas, buscamos valorizar os interesses prévios deles, como com jogos digitais, no intento de significar o aprendizado e promover a construção coletiva do conhecimentos. Com metodologia de perspectiva dialógica, inspirada em Paulo Freire, combinada ao ensino investigativo, com estímulo à curiosidade e à observação crítico-reflexiva; as aulas foram organizadas em três blocos temáticos executados de forma sequencial e articulada: o primeiro bloco (nove aulas) explorou biomas brasileiros e ecossistemas por meio de problematização inicial com imagens de satélite comparativas, construção coletiva de resumos no quadro, divisão em seis grupos para confecção de mapas mentais com pesquisa no livro didático, apresentações orais e debate sobre preservação ambiental com análise de imagens regionais; o segundo bloco (quatro aulas) abordou vacinas e saúde coletiva utilizando plataformas oficiais (Fiocruz, Ministério da Saúde e Instituto Butantan) para leitura coletiva, quadro-resumo de doenças, análise de indicadores de saúde e pesquisa em grupos sobre linha do tempo da vacinação; o terceiro bloco (cinco aulas) focou na composição atmosférica e fenômenos naturais, destacando experimentos práticos como a compressão de ar em seringas para demonstrar que o ar ocupa espaço e possui massa, seguido de discussão sobre efeitos estufa natural e antrópico. Os instrumentos incluíram livro didático, slides projetados, sites de monitoramento (INMET e CPTEC), atividades em duplas e grupos, palavras cruzadas e anexos de boas práticas. Essa sequência foi desenvolvida com duas turmas de sétimo ano do ensino fundamental, em uma escola da rede pública, no noroeste gaúcho, com total de 40 estudantes, avaliados continuamente por observação participativa e análise de produções escritas e orais. Notamos um aumento expressivo de atenção e participação, especialmente durante a realização de experimentos, momento em que eles aumentavam o grau de atenção e buscavam fazer mais perguntas a fim de melhor compreender, destacando-se o experimento com a vela e o copo, gerando curiosidade e diálogos problematizadores, outro destaque ocorreu no bloco de biomas, quando relacionaram espontaneamente os ecossistemas ao jogo Minecraft: “Professor, isso parece o bioma do Minecraft!”, facilitando a visualização de adaptações flora-fauna e ampliando o debate sobre preservação. Concluimos que a integração de prática educativa experimental, debates dialógico-problematizadores e conexões com a realidade e interesses culturais dos estudantes potencializa o engajamento, transforma limitações de infraestrutura escolar em oportunidades investigativas e contribui para a formação de cidadãos críticos, reflexivos e com preparo para atuar na preservação socioambiental.
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