DETERMINAÇÃO DE METAIS EM PLANTAS MEDICINAIS NATIVAS NO RIO GRANDE DO SUL
Palavras-chave:
Espectrometria de Absorção Atômica, Segurança Química, Micronutrientes, Espécies VegetaisResumo
A fitoterapia apresenta-se como uma alternativa terapêutica fundamentada na utilização de plantas com propriedades medicinais para o tratamento e prevenção de enfermidades. No contexto brasileiro, estima-se que entre 65% e 80% da população faz uso regular de plantas medicinais para cuidados básicos de saúde, e que a maioria dessa população encontra-se nas áreas rurais. Entretanto, o uso de plantas medicinais necessita de pesquisas científicas, principalmente no contexto de segurança química de contaminantes inorgânicos. O uso intensivo de fertilizantes agrícolas e de adubos à base de dejetos suínos, associado aos elevados teores naturais de ferro em solos basálticos da região, pode favorecer a translocação desses metais para os tecidos vegetais, representando risco à saúde dos consumidores. O presente estudo objetivou quantificar os teores dos metais: ferro, zinco e cobre em dez espécies de plantas medicinais amplamente utilizadas na região noroeste do Rio Grande do Sul. As espécies selecionadas foram: marcela (Achyrocline satureoides), espinheira-santa (Maytenus ilicifolia), carqueja (Baccharis trimera), pata-de-vaca (Bauhinia forficata), pitanga (Eugenia uniflora), açoita-cavalo (Luehea divaricata), quebra-pedra (Phyllanthus niruri), poejo (Cunila microcephala), tansagem (Plantago australis) e guanxuma (Sida rhombifolia). A metodologia consistiu na coleta das plantas de ocorrência natural, em dois pontos diferentes para cada espécie. Após, foi realizada a triagem retirando partes danificadas e higienizando-as, para que fossem submetidas a secagem em estufa por 72 horas a 65°C. Após as espécies foram moídas em moinho analítico e pesadas em balança analítica em torno de 0,5g de cada planta em tubos digestores, para ser realizada a digestão ácida em bloco digestor utilizando ácido nítrico e perclórico, com rampa de aquecimento gradual até 160°C. Para a quantificação dos metais utilizou-se a técnica de Espectrometria de Absorção Atômica em Chama (F-AAS). A confiabilidade analítica foi assegurada pela validação do método, incluindo o cálculo dos limites de detecção (LD) e de quantificação (LQ), além de testes de recuperação, para os quais foram selecionados açoita-cavalo e marcela. Os resultados laboratoriais mostraram a eficácia do método, com curvas de calibração apresentando excelente linearidade (R² > 0,998). O LD (mg/L) calculado foi de 0,0422 para o Ferro, 0,0202 para o Cobre e 0,0113 para o Zinco, enquanto os limites de quantificação LQ (mg/L) alcançados foram de 0,1407 (Fe), 0,0674 (Cu) e 0,0932 (Zn). Durante as leituras, observou-se que o ferro se destacou pelas concentrações elevadas em quase todas as espécies, o que exigiu a aplicação de diluições para que as amostras se ajustassem à faixa de trabalho da curva. Embora o zinco e o cobre tenham apresentado teores mais baixos, a variação entre os pontos de coleta sugere que a composição do solo influencia a absorção mineral pelas plantas. Ao cruzar esses dados com a Resolução RDC nº 269/2005 da ANVISA, percebe-se que o uso indiscriminado pode aproximar o usuário de limites máximos de ingestão diária. Conclui-se que o monitoramento por F-AAS é ferramenta essencial para a quantificação desses metais. O estudo reforça que a fitoterapia, embora natural, exige controle de qualidade para evitar que contaminantes inorgânicos transformem um recurso terapêutico em risco à saúde pública.
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