ESTIMATIVA DO PODER CALORÍFICO DA TRIDAX PROCUMBENS PARA USO COMO BIOMASSA 

Autores

  • Luiza Guedes UFFS
  • Dr. Marlei Veiga dos Santos UFFS
  • Carla Maria Garlet de Pelegrin UFFS
  • Fabiano Cassol UFFS

Palavras-chave:

Alternativa sustentável; biomassa; potencial energético.

Resumo

O aumento da demanda por fontes de energia renovável tem impulsionado o interesse pelo aproveitamento energético da biomassa vegetal, especialmente em países com ampla disponibilidade de recursos naturais, como o Brasil. Nesse contexto, a biomassa destaca-se como alternativa sustentável aos combustíveis fósseis, contribuindo para a redução de impactos ambientais. Dentre as espécies com potencial ainda pouco explorado, a Tridax procumbens apresenta ampla distribuição e fácil adaptação, porém carece de estudos quanto ao seu aproveitamento energético. A espécie foi selecionada por integrar estudo prévio relacionado à fitorremediação, buscando-se, adicionalmente, uma alternativa sustentável para a destinação final da biomassa vegetal após a conclusão do processo. O presente trabalho teve como objetivo avaliar o potencial energético dessa espécie vegetal por meio da determinação do poder calorífico do caule e folhas, considerando sua viabilidade como biomassa energética. A metodologia consistiu na coleta das amostras em um canteiro experimental, seguida de secagem natural por aproximadamente 30 dias. Posteriormente, as amostras foram separadas em folhas e caule, trituradas e submetidas à análise em calorímetro modelo IKA C200, para determinação do poder calorífico. Os resultados obtidos evidenciaram variações significativas entre as partes da planta. As folhas apresentaram valores médios de aproximadamente 13.101 J/g, enquanto o caule apresentou poder calorífico médio de 14.696 J/g. Para fins comparativos, diferentes espécies vegetais apresentam variações em seus valores de poder calorífico. A espécie Jatropha curcas (pinhão manso) apresenta valor de 28.775,04 J/g, enquanto Bertholletia excelsa (castanha-do-Brasil) atinge 29.675,02 J/g. Já Cocos nucifera (fibra de coco) apresenta 18.239,98 J/g e Araucaria angustifolia (ramos de araucária) 17.308,37 J/g.  Os resultados evidenciam que a Tridax procumbens apresenta potencial para utilização como biomassa energética, embora com desempenho inferior ao observado em outras espécies vegetais. Os valores de poder calorífico obtidos para folhas e caule foram inferiores aos relatados para espécies como Jatropha curcas, Bertholletia excelsa, Cocos nucifera e Araucaria angustifolia, indicando menor capacidade de geração de energia por unidade de massa. Além disso, as diferenças observadas entre folhas e caule demonstra que a estrutura da biomassa influencia diretamente o potencial energético do material. Dessa forma, embora a Tridax procumbens possa ser considerada uma alternativa para aproveitamento energético, especialmente em situações de abundância de biomassa residual, sua utilização tende a ser menos eficiente quando comparada a outras espécies vegetais com maior poder calorífico. Recomenda-se a realização de estudos complementares envolvendo teor de umidade, cinzas, carbono fixo, materiais voláteis e composição lignocelulósica, de modo a aprofundar a compreensão sobre o potencial energético da espécie e suas possíveis aplicações.

Biografia do Autor

  • Dr. Marlei Veiga dos Santos, UFFS

    Graduada em Química Licenciatura Plena (2006) e em Química Industrial (2018) pela Universidade Federal de Santa Maria, mestre em Química, área de concentração em Química Analítica, pela Universidade Federal de Santa Maria (2009), doutora em Ciências, área de concentração em química analítica, pela Universidade Federal de Santa Maria (2013). Tem experiência nos seguintes tópicos: Métodos óticos de análise, Análise de traços e Química ambiental, atuando no desenvolvimento de métodos utilizando técnicas analíticas e na aplicação de métodos analíticos em amostras ambientais, alimentos, bebidas e em amostras para tratamentos médicos. Atualmente é professora adjunta da Universidade Federal da Fronteira Sul- UFFS, campus Cerro Largo. Docente do quadro de colaboradores do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ambiente e Tecnologias Sustentáveis na linha de pesquisa de Desenvolvimento de Processos e Tecnologias.

  • Carla Maria Garlet de Pelegrin, UFFS

    Possui graduação em Ciências Biológicas Licenciatura Plena pela Universidade Federal de Santa Maria (2005). Mestrado (2008) e Doutorado (2012) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.Tem experiência na área de Botânica, com ênfase em morfoanatomia vegetal, atuando principalmente nos seguintes temas: morfoanatomia de estruturas reprodutivas e morfoanatomia de plantas com potencial para Fitorremediação. Ministrou aulas de Botânica para os cursos de Biologia, Farmácia e Tecnologia em Agronegócio na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões. Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal da Fronteira Sul/ campus Cerro Largo ministrando disciplinas de Botânica nos cursos de Ciências Biológicas e Agronomia. Atua também como professor colaborador do PPGATS da UFFS/Cerro Largo.

  • Fabiano Cassol, UFFS

    Possui graduação em Engenharia Mecânica pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ), mestrado e doutorado em Engenharia Mecânica, com ênfase em Fenômenos de Transporte, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e pós-doutorado pelo Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Portugal. Tem experiência nas áreas de análise inversa, radiação térmica em meio participante, qualidade do ar interior e modelagem computacional aplicada a fenômenos de transporte. Atua também com recursos energéticos, energias renováveis, sustentabilidade e aplicação de técnicas de ciência de dados e aprendizado de máquina em problemas de engenharia. Atualmente é professor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Cerro Largo, atuando na graduação e na pós-graduação (PPGATS), com participação em atividades de ensino, pesquisa, extensão e gestão acadêmica. Desenvolve projetos nas áreas de qualidade do ar e bioenergia.

Downloads

Publicado

01-07-2026