ESTIMATIVA DO PODER CALORÍFICO DA TRIDAX PROCUMBENS PARA USO COMO BIOMASSA
Palavras-chave:
Alternativa sustentável; biomassa; potencial energético.Resumo
O aumento da demanda por fontes de energia renovável tem impulsionado o interesse pelo aproveitamento energético da biomassa vegetal, especialmente em países com ampla disponibilidade de recursos naturais, como o Brasil. Nesse contexto, a biomassa destaca-se como alternativa sustentável aos combustíveis fósseis, contribuindo para a redução de impactos ambientais. Dentre as espécies com potencial ainda pouco explorado, a Tridax procumbens apresenta ampla distribuição e fácil adaptação, porém carece de estudos quanto ao seu aproveitamento energético. A espécie foi selecionada por integrar estudo prévio relacionado à fitorremediação, buscando-se, adicionalmente, uma alternativa sustentável para a destinação final da biomassa vegetal após a conclusão do processo. O presente trabalho teve como objetivo avaliar o potencial energético dessa espécie vegetal por meio da determinação do poder calorífico do caule e folhas, considerando sua viabilidade como biomassa energética. A metodologia consistiu na coleta das amostras em um canteiro experimental, seguida de secagem natural por aproximadamente 30 dias. Posteriormente, as amostras foram separadas em folhas e caule, trituradas e submetidas à análise em calorímetro modelo IKA C200, para determinação do poder calorífico. Os resultados obtidos evidenciaram variações significativas entre as partes da planta. As folhas apresentaram valores médios de aproximadamente 13.101 J/g, enquanto o caule apresentou poder calorífico médio de 14.696 J/g. Para fins comparativos, diferentes espécies vegetais apresentam variações em seus valores de poder calorífico. A espécie Jatropha curcas (pinhão manso) apresenta valor de 28.775,04 J/g, enquanto Bertholletia excelsa (castanha-do-Brasil) atinge 29.675,02 J/g. Já Cocos nucifera (fibra de coco) apresenta 18.239,98 J/g e Araucaria angustifolia (ramos de araucária) 17.308,37 J/g. Os resultados evidenciam que a Tridax procumbens apresenta potencial para utilização como biomassa energética, embora com desempenho inferior ao observado em outras espécies vegetais. Os valores de poder calorífico obtidos para folhas e caule foram inferiores aos relatados para espécies como Jatropha curcas, Bertholletia excelsa, Cocos nucifera e Araucaria angustifolia, indicando menor capacidade de geração de energia por unidade de massa. Além disso, as diferenças observadas entre folhas e caule demonstra que a estrutura da biomassa influencia diretamente o potencial energético do material. Dessa forma, embora a Tridax procumbens possa ser considerada uma alternativa para aproveitamento energético, especialmente em situações de abundância de biomassa residual, sua utilização tende a ser menos eficiente quando comparada a outras espécies vegetais com maior poder calorífico. Recomenda-se a realização de estudos complementares envolvendo teor de umidade, cinzas, carbono fixo, materiais voláteis e composição lignocelulósica, de modo a aprofundar a compreensão sobre o potencial energético da espécie e suas possíveis aplicações.
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