LUDICIDADE E INCLUSÃO: EXPERIÊNCIAS DE APRENDIZAGEM NO COTIDIANO ESCOLAR
Palavras-chave:
Brincar; Mediação pedagógica; Interação social; Educação InfantilResumo
O presente estudo apresenta um relato de pesquisa fundamentado na observação participante, realizada em uma turma de Pré I de uma Escola de Educação Infantil, com uma criança de 4 anos com diagnóstico de Síndrome de Cornélia de Lange (SCDL), caracterizada como uma desordem genética rara associada a múltiplas malformações congênitas e atrasos no desenvolvimento global. A investigação teve como objetivo analisar de que forma os jogos e as brincadeiras podem favorecer a inclusão, a aprendizagem e a participação das crianças no cotidiano escolar, considerando o brincar como eixo estruturante das práticas pedagógicas, no contexto da Educação Infantil inclusiva. A pesquisa caracterizou-se como qualitativa, articulando estudo de caso e pesquisa bibliográfica. Como instrumentos de produção de dados, foram utilizadas a observação participante e a entrevista semiestruturada com a professora da turma. A criança observada apresentava atraso significativo no desenvolvimento motor, não realizava marcha independente, locomovia-se por arraste, utilizava predominantemente a mão esquerda para executar atividades simples e dependia de auxílio para alimentação, higiene e locomoção. No âmbito cognitivo e social, evidenciava atraso global, ausência de comunicação verbal ou alternativa e compreensão limitada, com predominância de imitação de ações simples, o que demandava mediações pedagógicas constantes e intencionais. As práticas pedagógicas desenvolvidas priorizaram a ludicidade como estratégia de acolhimento, criação de vínculos e estímulo ao desenvolvimento. A partir da identificação de um hiperfoco da criança na manipulação de cadeiras, a professora organizou intervenções respeitando esse interesse inicial, ampliando gradativamente as possibilidades de exploração, de forma planejada e progressiva. Foram introduzidos brinquedos variados, jogos de manipulação, atividades sensoriais, brincadeiras corporais adaptadas e propostas de exploração do espaço, favorecendo a participação da criança conforme suas potencialidades, respeitando seu ritmo e suas singularidades. Entre os principais desafios enfrentados, destacaram-se as dificuldades relacionadas à comunicação funcional, a ausência de laudos conclusivos quanto às perdas auditivas e visuais e a instabilidade na assimilação das aprendizagens. Observou-se que, em determinados momentos, a criança respondia positivamente às propostas, mas não mantinha a consolidação do que havia sido trabalhado em dias posteriores, evidenciando um processo de aprendizagem não linear. Tal situação exigiu da professora um olhar atento e sensível, reconhecendo a necessidade constante de replanejamento das práticas pedagógicas, tornando o planejamento flexível e ajustado às necessidades da criança, em consonância com os princípios da educação inclusiva. Os resultados evidenciaram avanços significativos nos aspectos motor, cognitivo, social e afetivo, com ampliação das interações, fortalecimento da autonomia e progressos na deambulação. O brincar mostrou-se um importante mediador no processo de adaptação escolar, favorecendo o vínculo, o acolhimento e a participação ativa, além de potencializar experiências de aprendizagem significativas. Conclui-se que o papel do professor é fundamental no processo de construção de uma educação inclusiva, destacando-se a importância da observação sensível, do respeito às singularidades e da capacidade de replanejar continuamente as práticas. Reafirma-se a ludicidade como direito da criança e como caminho privilegiado para a aprendizagem significativa, promovendo uma educação mais equitativa, humanizada e comprometida com o desenvolvimento de todas as crianças, especialmente aquelas que demandam maior apoio educacional.
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