PENSAMENTO CRÍTICO LATINO-AMERICANO NO CAMPO DO ENSINO: CONSIDERAÇÕES PARA ÁREA DE CIÊNCIAS

Autores

  • Roque Ismael da Costa Güllich Universidade Federal da Fronteira Sul - UFFS
  • Marcelo Rocha Universidade Federal da Integração Latino -Americana (UNILA)

Palavras-chave:

Ensino de Ciências, Teoria Crítica, Pensamento Latino-americano, Formação de Professores

Resumo

A Educação, e em particular o Ensino (de Ciências), vem sendo alvo de inúmeras preocupações nos últimos anos atreladas à disseminação de notícias e fatos falsos sobre temas que envolvem a Ciência e a Tecnologia, pelo que se defende atualmente promover a formação de sujeitos alfabetizados cientificamente. Para isso, acreditamos que se façam necessários estudos e o desenvolvimento de políticas públicas e de práticas pedagógicas que fundamentem os processos de formação de professores e de ensino e de aprendizagem com base na perspectiva do Pensamento Crítico (PC) Este trabalho tem por finalidade apresentar um cenário panorâmico da pesquisa produzida sobre Pensamento Crítico(PC) na América Latina. Para tanto, partimos de uma revisão bibliográfica sistemática com foco na análise de conteúdo de artigos publicados em periódicos por brasileiros e falantes de espanhol disponíveis no portal de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior, no portal da Scientific Electronic Library Online e no Google Acadêmico. Foram analisados 117 artigos, com foco os contextos das publicações, no conceito de PC dos autores; nas áreas e temáticas das investigações e as principais referências de PC utilizadas pelos autores dos artigos analisados. O cenário latino-americano, a partir dos contextos das publicações demonstrou maior produção entre os autores falantes de espanhol (67:117), com predominância da área de Ensino de Ciências (51:117) e a temática da Educação Superior (formação inicial e continuada de professores) como destaque da produção com pouca ligação à Educação Básica. A concentração de estudos identificada no Ensino de Ciências, se articula a duas lacunas que se reforçam mutuamente: a insuficiente ponte entre formação de professores no Ensino Superior e a formação dos estudantes na Educação Básica, e a distância entre produção acadêmica e institucionalização do PC em políticas públicas, currículo, materiais e livros didáticos. A predominância do Ensino de Ciências, como área de maior influência, parece funcionar como um duplo indicador: de um lado, revela uma área que assumiu mais cedo a vigilância epistemológica sobre o tema, de outro, expõe um efeito colateral de encapsulamento, no qual o debate avança com densidade em um campo específico, mas demora a se traduzir em agenda transversal para o Ensino e a Educação em sentido amplo. Acreditamos que a produção deva ser ampliada considerando que especialmente o conceito de PC voltado a emancipação e transformação social necessita ser melhor compreendido desde a produção e como referência para o desenvolvimento da temática em relação ao Ensino, às políticas educacionais curriculares, às práticas pedagógicas e aos processos de formação de professores de Ciências.

Biografia do Autor

  • Roque Ismael da Costa Güllich, Universidade Federal da Fronteira Sul - UFFS

    Doutor em Educação nas Ciências. Professor Adjunto de Prática de Ensino e Estágio Supervisionado em Biologia. Pesquisador Líder do GEPECIEM
    Licenciatura em Ciências Biológicas
    Campus de Cerro Largo - RS
    Universidade Federal da Fronteira Sul - UFFS.

     

     

  • Marcelo Rocha, Universidade Federal da Integração Latino -Americana (UNILA)

    Doutor em Ensino de Ciências e Educação Matemática pela UEL. Supervisor. Prof. do Curso de Geografia da Universidade Federal da Integração Latino -Americana (UNILA).Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos Latino-Americanos (PPGIELA) e Professor e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEDU). 

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Publicado

01-07-2026