SOBRECARGA DO CUIDADOR FAMILIAR DE IDOSO LONGEVO DEPENDENTE NO CONTEXTO AMAZÔNICO

Autores

  • Ana Maria Souza da Costa Instituto de saude e Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas
  • Deyvylan Araujo Reis Universidade Federal do Amazonas - Instituto de Saúde e Biotecnologia https://orcid.org/0000-0001-9314-3745

Palavras-chave:

Cuidador familiar, Idoso frágil, Sobrecarga.

Resumo

 

RESUMO EXPANDIDO 


Introdução: o envelhecimento é um fenômeno que faz parte do cenário mundial, resultado das alterações ocorridas ao longo do tempo, tais como a diminuição das taxas de natalidade e declínio das taxas de mortalidade. Neste sentido a população idosa na faixa etária dos 60 anos ou mais cresceu significativamente, sendo previsto que até o ano de 2050 o número de idosos seja equivalente a 2,1 bilhões de pessoas em todo o mundo.1 A nível de Brasil o número de idosos também cresceu de forma bastante acelerada nos últimos anos, levando ao aumento expressivo da população idosa no nosso país. Desse modo, em virtude do acelerado processo de envelhecimento com associação ao surgimento de doenças crônicas não transmissíveis a pessoa idosa se torna mais suscetível a desencadear algum tipo de incapacidade, o que torna o idoso dependente de cuidados para a realização de suas atividades cotidianas. Neste contexto, a família é a primeira instituição a assumir a responsabilidade do cuidar, assim surge a figura do cuidador familiar, na maioria das vezes um único individuo é designado para desempenhar tal função, sem qualquer preparo ou ajuda por parte de outros membros da família.2 Em virtude disto, à medida que o estado de dependência do idoso progride, os cuidados se tornam mais intensos e contínuos, fato este que pode levar ao surgimento de sobrecarga no cuidador, seja ela física ou emocional.  Objetivo: evidenciar a sobrecarga do cuidador familiar de idoso longevo cadastrado em uma Unidade Básica de Saúde do município de Coari, Amazonas. Metodologia: trata-se de um estudo descritivo, exploratório, transversal com abordagem qualitativa, realizado com 14 cuidadores familiares de idosos longevos cadastrados em Unidade Básica de Saúde da área periférica do município de Coari do Estado do Amazonas. A pesquisa teve início no período de agosto de 2019 e término em julho de 2020. A coleta de dados ocorreu através de um roteiro de entrevista semiestruturado com perguntas abertas e fechadas, no qual houve a utilização de um gravador de voz para registrar os depoimentos dos entrevistados. Após a fase de coletas houve a etapa de transcrições de dados, que posteriormente foram analisados seguindo a técnica de análise de dados de Minayo dividida em três etapas: pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados e interpretação.3 No que concerne aos aspectos éticos o estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), obtendo o CAAE nº 20031019.1.0000.5020 e o parecer nº 3.666.537. É importante mencionar que o estudo atendeu rigorosamente às Resoluções 466/2012 e 510/2016, ambas do Conselho Nacional de Saúde. Resultados e Discussão: as entrevistas foram realizadas com 14 cuidadores familiares de idosos, com idade mínima de 20 e máxima de 84 anos. Com relação ao sexo, oito dos familiares cuidadores são do sexo feminino e seis do sexo masculino. No que refere ao grau de escolaridade cinco possuíam o ensino fundamental incompleto, quatro concluíram o ensino médio, três não possuíam escolaridade e apenas um apresentou o ensino superior incompleto.  Dos 14 cuidadores, 11 possuem casa própria, dois moravam alugado e um morava em uma residência cedida. Em relação ao estado civil seis eram solteiros, seis eram casados e somente dois divorciados. A maioria dos cuidadores eram desempregados, com renda familiar de um salário mínimo. Quanto ao grau de parentesco com o idoso seis eram netos, cinco eram filhos, e três eram conjugues. No que se refere, a composição familiar a maioria dos cuidadores residiam no domicílio com o idoso, com os seus filhos, irmãos e conjugues. Em relação ao idoso dependente sob cuidados pelos cuidadores, 11 eram do sexo feminino e cinco do sexo masculino. A idade era de 80 a 101 anos. Quanto ao grau de escolaridade 11 eram analfabetos, quatro possuíam ensino fundamental incompleto e um o ensino médio completo. No que diz respeito ao estado civil sete eram casados, sete viúvos, um divorciado e um solteiro. No que se refere as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) 15 eram acometidos por Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), entre estes 15, três eram diabéticos, três acometidos por artrite reumatismo, três faziam uso de marca-passo, um é portador de osteoporose e um da doença de Parkinson. A maioria eram dependentes parciais de cuidados, somente dois indivíduos eram dependentes totais de cuidados. A grande parte dos idosos apresentaram um tempo de dependência entre oito a 26 anos, desde o surgimento da doença, até o período no qual passaram a necessitar de cuidados mais intensos por parte da figura do cuidador familiar. A partir da análise dos depoimentos emergiu a categoria sobrecarga do cuidador familiar: emocional e físico, foi possível identificar nesta categoria que os cuidadores são afetados de maneira intensa devido as atividades que precisam realizar em prol da manutenção das necessidades do idoso, sendo assim o cuidar pode se tornar uma tarefa extremamente desgastante e cansativa para os indivíduos que cuidam. Durante a análise do discurso dos cuidadores, tornou-se evidente que estes se sentem sobrecarregados e estressados devido a rotina de cuidados. Os cuidadores relataram cansaço de cunho físico e emocional, expuseram sentimentos de angústia, medo e preocupação em virtude da situação de dependência do seu ente familiar idoso. Além disso, a sobrecarga está relacionada ao fato de desempenharem diversas funções no domicílio e por assumirem o papel de cuidar sozinhos. O estudo4 corrobora com os resultados da pesquisa em questão, evidenciando que a dedicação contínua e diária de cuidados pode acarretar em uma série de estressores para o cuidador. Outro estudo aborda que quanto mais incapacitado o idoso se torna para realizar o seu autocuidado, maior é o nível de sobrecarga do cuidador familiar, uma vez que as atividades se tornam repetitivas, causando ao cuidador desgastante físico e emocional.  Considerações Finais: os resultados da pesquisa elucidam a sobrecarga do cuidador familiar de idoso dependente no domicílio, sobrecarga esta que é multifatorial e pode desencadear no cuidador uma situação de adoecimento. Face ao exposto é necessário que haja a implementação de políticas de saúde voltadas para atender e amenizar as dificuldades experiências por estes cuidadores, com a finalidade melhorar as condições de prestação de cuidados destes indivíduos, com a diminuição dos impactos negativos advindos do cuidar. Além dos mais é fundamental que os profissionais de enfermagem atuem de maneira assídua na elaboração de medidas que minimizem a sobrecarga dos cuidadores

Biografia do Autor

  • Ana Maria Souza da Costa, Instituto de saude e Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas

    Acadêmica em enfermagem pelo Instituto de Saúde e Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas.

  • Deyvylan Araujo Reis, Universidade Federal do Amazonas - Instituto de Saúde e Biotecnologia

    Doutor em enfermagem na saúde do adulto pela USP, docente do Instituto de Saúde e Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas.

Publicado

19-04-2024