UTILIZAÇÃO DO BRINQUEDO TERAPÊUTICO INSTRUCIONAL PELOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM
POTENCIALIDADES E DESAFIOS
Palavras-chave:
Jogos e brinquedos; Saúde da criança; Saúde do adolescente; Hospitalização.Resumo
Introdução: A assistência de enfermagem à criança e ao adolescente hospitalizados perpassa por reconhecer suas particularidades e demandas, as quais ultrapassam as necessidades fisiológicas e exigem um cuidado lúdico e humanizado, visto que a hospitalização torna-se ainda mais difícil à esses pacientes pois sofrem mudanças bruscas em seu cotidiano e vivenciam experiências potencialmente traumáticas.1 Nessa perspectiva, cabe aos profissionais de enfermagem fazer uso de estratégias lúdicas que amenizem medos e ansiedades das crianças e adolescentes, já que são estes profissionais que acompanham o paciente em todo o processo de hospitalização e são capazes de compreender as vivências pelas quais passam.1 Sendo assim, a enfermagem possui como tecnologia de cuidado o Brinquedo Terapêutico (BT), respaldado pela Resolução nº 546 de 2017 do Conselho Federal de Enfermagem2, o qual permite que as crianças e adolescentes expressem seus sentimentos, dúvidas e angústias por meio do brincar e, ainda, compreendam os procedimentos aos quais serão submetidos.3 Nessa perspectiva, o BT apresenta três classificações para a sua aplicação: Brinquedo Terapêutico Dramático que dramatiza experiências novas difíceis de serem expressadas, Brinquedo Terapêutico Instrucional (BTI) ou Preparatório o qual prepara a criança para procedimentos e o Brinquedo Terapêutico Capacitador de Funções Fisiológicas que participa de atividades físicas trabalhando sua auto-estima.3 Dentre os três o enfoque será dado ao BTI devido às demandas impostas pelo cotidiano pediátrico no ambiente hospitalar. Objetivo: Identificar e analisar as evidências científicas, disponíveis, sobre os desafios e potencialidades do uso do BTI pelos enfermeiros. Metodologia: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura que teve como pergunta de pesquisa: quais são as evidências científicas, disponíveis, sobre os desafios e potencialidades do uso do BTI pelos enfermeiros? Possuiu como critérios de inclusão artigos na temática, disponíveis na íntegra, online e gratuito, em idiomas português, inglês ou espanhol. Foram excluídos artigos oriundos de revisões, quaisquer modalidades, manuais ministeriais, estudos de relato de caso, reflexões e teses e dissertações. As busca dos dados ocorreu no mês de agosto de 2020. As bases de dados utilizadas foram Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), SciVerse SCOPUS e Web of Science. Para a busca dos estudos foram utilizadas as palavras-chave, descritores em saúde seus respectivos MeSH Terms: brinquedos, ansiedade, criança hospitalizada, ludoterapia, jogos e brinquedos, brinquedo terapêutico, saúde do adolescente, therapeutic play, hospitalized child, anxiety, play therapy, teenager, adolescent health. Para a seleção dos estudos foi realizada a leitura dos títulos e resumos e, posteriormente, realizada a leitura do artigo na íntegra. As informações foram extraídas mediante a utilização de um formulário construído para esse fim. Os dados foram analisados descritivamente. Em relação aos aspectos éticos foram respeitadas as ideias, os conceitos e as definições dos autores. Resultados e Discussão: Encontrou-se 294 artigos, nos quais aplicou-se os critérios de inclusão e exclusão, permanecendo 10 artigos para leitura na íntegra. Foram evidenciados cinco temas: vínculo criança-família-profissional; compreensão e interpretação do enfermeiro; realização profissional; falta de sensibilização dos órgãos gestores e falta de reconhecimento da importância do BTI pelos profissionais. Dentre as potencialidades, foi unânime dentre os estudos a relevância no fortalecimento de um maior vínculo entre criança-família-profissional, pois o BTI estimula a comunicação e permite que o enfermeiro esclareça dúvidas acerca dos procedimentos, estabelecendo uma relação de confiança com o familiar e com a criança e com o adolescente. Essa relação é possibilitada pois uma vez que os pacientes, ao compreenderem o processo ao qual serão submetidos, desenvolvem autonomia e sentem-se seguros. Quatro estudos destacam que o BTI promove a compreensão e interpretação do enfermeiro, pois permite que o profissional reconheça as necessidades, dúvidas, medos e ansiedades da criança e do adolescente, podendo interpretar suas demandas e realizar um cuidado focado nas particularidades do indivíduo. Dois estudos destacam a realização profissional, uma vez que o enfermeiro sente-se realizado e gratificado após o uso do BTI, podendo participar da minimização dos sofrimentos emocionais e da melhora no tratamento dos pacientes. Ao utilizar o BTI o profissional de enfermagem permite que a criança e o adolescente sejam proativos no seu cuidado e compreendam as situações que irão vivenciar, minimizando sua insegurança tornando-os mais colaborativos com os procedimentos. O que auxilia não somente o paciente, mas também o familiar e o enfermeiro, estabelecendo um ambiente de confiança entre todos os envolvidos e estimulando o profissional a continuar utilizando a técnica do brincar.4 Dentre as dificuldades vivenciadas pelos enfermeiros na aplicação do BTI, encontrou-se dois artigos que destacaram a falta de sensibilização dos órgãos gestores para desenvolver ações estratégicas no âmbito financeiro, profissional e organizacional, dificultando a implantação sistemática do BTI pelos profissionais de enfermagem. E, por fim, oito estudos relataram lacuna quanto ao reconhecimento da importância do BTI pelos profissionais, dificultando sua utilização no cotidiano. Os estudos trouxeram, ainda, que os profissionais relatam já terem presenciado outros enfermeiros fazendo uso do brinquedo, mas nunca o aplicaram por não conhecerem a técnica e se sentirem inseguros. É essencial ao gestor hospitalar conhecer e desenvolver ações de gestão estratégicas que garantam a humanização da atenção à saúde da criança e do adolescente, disponibilizando recursos financeiros e capacitação dos profissionais para que que utilizem o brinquedo em sua assistência.3 Salienta-se, ainda, a necessidade de abordar o BT na graduação, de modo teórico e prático, para proporcionar aos acadêmicos de enfermagem o conhecimento e reconhecimento de sua importância às crianças e adolescentes e fazerem seu uso cotidiano nas sua futuras práticas profissionais.5 Considerações finais: Os estudos evidenciam a eficácia e relevância do uso do BTI pelos profissionais de enfermagem, ao auxiliar na realização de um cuidado mais humanizado e voltado ao paciente e seu familiar. Além disso, ressaltam-se as dificuldades apresentadas para que sua aplicação cotidiana torne-se uma realidade nos hospitais, que constam a sobrecarga profissional, falta de conhecimento da técnica e de recursos materiais. Torna-se evidente a importância de um trabalho conjunto entre as universidades, os gestores hospitalares e a equipe de enfermagem para que o BT seja utilizado como uma estratégia de cuidado holístico às crianças e aos adolescentes que vivenciam o processo de hospitalização.
