Construindo parcerias para a participação de profissionais, pacientes, familiares e acompanhantes na medicação segura

Autores

  • Luiz Eduardo Weimer Universidade Federal de Santa Catarina
  • Diovane Ghignatti da Costa

Resumo

Introdução: O processo de medicação é considerado um dos mais críticos relacionados à assistência ao paciente e consiste no principal recurso utilizado no tratamento de doenças(1). A administração de medicamentos é uma atividade executada principalmente pela equipe de enfermagem, no entanto, destaca-se a vinculação dessa atividade a outras áreas, considerando todo o processo de medicação(2). A segurança no processo de medicação é uma das metas internacionais de segurança descrita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e, no ano de 2017, recebeu destaque ainda maior, mediante o lançamento do terceiro desafio global da OMS - Medicação sem dano(3). Em nível nacional, o processo de medicação compõe um dos protocolos de segurança propostos pelo Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP)(4), cuja finalidade é promover práticas seguras no uso de medicamentos em estabelecimentos de saúde(2), cujas ações são necessárias para reduzir a ocorrência de eventos adversos relacionados ao processo de medicação(3). Nessa perspectiva-se, destacam-se as estratégias direcionadas ao envolvimento do cidadão na sua segurança, as quais compõem um dos eixos centrais do PNSP(4) e são detalhadas em documento direcionado a pacientes, familiares e acompanhantes, produzido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), com o objetivo de orientar uma mudança na cultura dos serviços de saúde no que se refere à participação do cidadão nos processos de segurança assistencial(5). Objetivo: Desenvolver material informativo sobre medicação segura direcionado a profissionais de saúde, pacientes, familiares e acompanhantes. Metodologia: Trata-se de um recorte de um projeto de extensão, desenvolvido em Instituição de Ensino Superior do Sul do país, com início em 2020, cujo percurso metodológico prevê a elaboração de materiais visuais acerca do objeto em estudo, a fim de promover a educação permanente de profissionais e a educação em saúde de pacientes, familiares e acompanhantes, tanto nos ambientes de prestação de serviços, como nas redes sociais. Para tanto, buscaram-se documentos, que abordam a medicação segura e o envolvimento do paciente e da família na sua segurança, publicados pelo Ministério da Saúde (MS) e OMS. Foram selecionados entre os seguintes documentos nacionais: O protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos  do Ministério da Saúde (2013), o documento de referência do PNSP (2014) e o  guia “Pacientes pela segurança do paciente em serviços de saúde: Como posso contribuir para aumentar a segurança do paciente? publicado pela ANVISA (2017). Em relação aos documentos de orientação da OMS, selecionaram-se os seguintes: A ação “Pacientes pela Segurança do Paciente” da Aliança Mundial pela Segurança do Paciente da OMS (2008) e o terceiro desafio global da Organização Mundial da Saúde, “Medicação sem Dano” (2017). Procedeu-se à análise de conteúdo de Bardin para compor a síntese das informações, cujas categorias centraram-se em orientações destinadas a profissionais e a pacientes, familiares e acompanhantes. Resultados e Discussão: A análise dos documentos subsidiou a produção de informativos, organizados em sete páginas, de modo que permitisse apelo visual e fácil entendimento do público-alvo. Na busca de engajar o leitor, utilizou-se a assimilação entre texto e imagem para que trouxesse a medicação segura e o engajamento de pacientes, famílias e acompanhantes como ponto chave do material informativo. Desse modo, destacou-se veemente a importância da intervenção e da participação ativa do paciente, ou a quem por ele responda, para que se minimize a probabilidade da ocorrência de incidentes e, consequentemente, danos que possam lesar o paciente(5). Ainda, foram apontadas maneiras de promover o empoderamento desses indivíduos no âmbito da medicação, para que tenham autonomia de questionar e compreender o cuidado ofertado. Com isso, citou-se a importância do conhecimento dos medicamentos que irá receber, sabendo identificar suas formas e aspectos, bem como, ter ciência dos horários padronizados de administração. Ademais, ressaltou-se que o paciente, familiar ou acompanhante entendam os efeitos esperados e possíveis efeitos indesejados que possam vir a ocorrer e, ainda, informar e reiterar ao profissional da saúde quaisquer alergia decorrente de fármacos. A identificação do paciente, também, destaca-se como uma potencial aliada para evitar equívocos. Nessa, é imprescindível que a conferência da pulseira de identificação, ou outro dispositivo de identificação utilizado pela instituição, seja feita de forma minuciosa, a fim de que o profissional possa realizar a conferência dos rótulos de medicamentos e demais procedimentos envolvidos previamente à administração. Além disso, é discorrido sobre os nove certos da medicação abordados no protocolo do Ministério da Saúde, no qual é incluso que o profissional faça a realização dos passos corretos da medicação, visando reduzir erros que possam prejudicar o usuário(2). Destacou-se que é necessária a completa atenção do profissional responsável do cuidado para que seja realizado o procedimento no paciente certo, utilizando o medicamento certo, na forma e dose certas, pela via e hora corretas, promova a orientação certa e o registro em prontuário de forma exata, bem como, acompanhe e observe, quando possível, a resposta esperada do medicamento conforme sua finalidade. Outrossim, no contexto do envolvimento dos pacientes, famílias e acompanhantes, é abordado o Terceiro Desafio Global de Segurança do Paciente traçado pela OMS, o qual traz como objetivo reduzir pela metade os danos graves e evitáveis relacionados aos medicamentos, nos próximos cinco anos, a contar de seu lançamento, em 2017(3). Para alcançar êxito do desafio, a OMS e o PNSP citam o empoderamento de pacientes, famílias e cuidadores como objetivo para envolver ativamente essas pessoas nas decisões do tratamento e do cuidado, de forma que promovam questionamentos, identifiquem erros e realizem a gestão de seus medicamentos(3-5). Em suma, ao desenvolver o material informativo, com estratégias descritas para promover cooperações entre a equipe profissional, pacientes, familiares e acompanhantes, enfatizou-se ofertar meios para que a participação ativa desses permita com que a promoção da medicação segura seja eficaz, tenha impacto positivo na perpetuação da cultura da segurança do paciente e traga melhoria ao processo assistencial das instituições. Considerações finais: O desenvolvimento do material informativo sobre medicação segura, bem como seu uso na educação em saúde com diferentes recursos de disseminação do conhecimento, possibilitou uma carga expressiva de informações de maneira atrativa e criativa. O alvo das informações foi alcançar pacientes, familiares e acompanhantes, mas também os profissionais, pois estes têm o importante papel de transformar a cultura relativa a participação dos usuários nos seus cuidados. A dinâmica das informações coloca os atores principais na segurança do processo de medicação no mesmo espaço de produção dos serviços assistenciais, incitando o fortalecimento da cultura de participação ativa de todos. Há que se destacar, que a medicação segura é um tema de íntima relação com diversos processos assistenciais, visto que grande parte do tratamento é derivado de terapia medicamentosa. Essa estratégia de compartilhamento de informação para a educação em saúde viabiliza ao cidadão ter ciência do seu valor no processo de cuidado, desvelando o quão importante é sua participação e voz ativa como formas de garantir sua segurança no ambiente hospitalar. Logo, firmar parcerias entre a equipe profissional, pacientes, familiares e acompanhantes, no contexto da medicação segura, é de extrema importância para lograr melhorias assistenciais.

Publicado

19-04-2024