EFEITOS DA UTILIZAÇÃO DA PALHAÇOTERAPIA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM AMBIENTE HOSPITALAR:
REVISÃO NARRATIVA
Palavras-chave:
Ludoterapia; Hebiatria; Pediatria.Resumo
Introdução: O processo de hospitalização infantil envolve situações estressantes ocasionadas pela modificação da rotina familiar, que ao adicionar o sofrimento da criança ou do adolescente, transforma a experiência da hospitalização mais traumática.¹ Inúmeras condutas de humanização da assistência hospitalar vêm sendo adotadas em todo o mundo. Essas, objetivam amenizar tensões consequentes do referido ambiente entre pacientes e profissionais da saúde.² Nessa perspectiva, a inserção de palhaços em hospitais pode ser considerada uma proposta conciliadora entre o cuidado técnico aliado o cuidado humanizado³ Assim a intervenção da palhaçoterapia possui finalidade de promover o bem-estar físico e mental por meio da ludicidade e tem um impacto direto e positivo em crianças e adolescentes hospitalizadas.4 Objetivo: Analisar na literatura científica os efeitos da utilização da palhaçoterapia para crianças e adolescentes em ambiente hospitalar. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa de revisão narrativa de literatura. A presente revisão se amparou a partir de artigos nas seguintes bases de dados: SciVerse SCOPUS; Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e na Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE). Foram aplicados os seguintes descritores de acordo com a bases de dados, no formulário avançado: play and playthings AND clown AND pediatric OR child OR children OR infant OR adolescent AND pediatric nursing OR pediatrics OR children's medicine OR children's hospital para a SCOPUS; Children's hospital AND play and playthings OR clown para a LILACS e children’s hospital and play and playthings or clown therapy para a MEDLINE. As buscas foram conduzidas sem delimitação de tempo e nos idiomas português, inglês ou espanhol. A coleta dos estudos ocorreu em agosto de 2020. Sucedeu-se, considerando os seguintes critérios de inclusão: artigos que possuíssem seus resumos nas bases de dados e acesso na íntegra de forma gratuita. E os critérios de exclusão adotados foram: revisões sistemáticas, narrativas ou integrativas da literatura e dissertações, teses e monografias. Foram encontrados 83 estudos. Destes, 39 da SCOPUS, 37 da LILACS e 7 da MEDLINE. Inicialmente, houve remoção de títulos por duplicidade. Em seguida, a seleção dos estudos deu-se pela leitura dos resumos dos artigos suprimindo os estudos que apresentaram fuga de tema. Ao final, após a leitura na íntegra, permaneceram 24 artigos no total. A análise dos estudos ocorreram de maneira descritiva e a partir da aproximação de temas sendo denominados de eixos temáticos. Resultados e Discussão: Dos 24 estudos, percebeu o Brasil como principal produtor de pesquisa (54,0%), seguido do Reino Unido (25,0%), Estados Unidos da América e Itália com 8,3% cada um e Colômbia (4,1%). No que concerne ao ano de publicação, salienta-se 1989-1998, 8,3%; 2004-2009, 33,0%; 2010-2015, 29,0% e 2016-2020, 29,0%. Quanto às áreas de conhecimento destaca-se Enfermagem (75,0%), Medicina e Psicologia, ambos com 12% das produções cada. Os trabalhos foram separados por seis eixos temáticos: o brincar e a redução de dor (20,0%); a palhaçaria e o decréscimo dos níveis de cortisol (4,1%); o lúdico na aceitação e adesão ao tratamento (29,0%); palhaços e o brincar como estratégias distrativas (20,0%); a palhaçaria na diminuição do estresse e ansiedade (16,0%) e o clown como recurso terapêutico (8,3%). O primeiro eixo, o brincar e a redução da dor: o processo de hospitalização pode ser compreendido pelo paciente pediátrico como limitador da realização de brincadeiras ativas. Nessa perspectiva o incentivo de atividades adaptadas ao quadro clínico da criança ou adolescente é relevante, visto que o ato de brincar expressa-se como aliada ao cuidado e a brincadeira como potencial minimizadora da dor. Quanto ao segundo eixo, a palhaçaria e o decréscimo dos níveis de cortisol os estudos apontaram que o cortisol é um biomarcador fisiológico significativo do fator de estresse, a intervenção com os palhaços mostraram-se eficazes na diminuição desse hormônio; Já no terceiro eixo, o lúdico na aceitação e adesão do tratamento destacou-se que as ações lúdicas associadas aos cuidados técnicos hospitalares tendem a apresentar constituição natural de vínculo entre equipe multiprofissional, pacientes pediátricos ou hebiátricos e seus respectivos cuidadores familiares. A ludicidade possibilita uma descontração do sujeito que vivencia a hospitalização, incentivando a confiança nos profissionais e posterior melhora na aceitação dos procedimentos de cuidado, adesão ao tratamento e colaboração nos estágios do cuidar. O quarto eixo, palhaços e o Brincar como estratégias distrativas foi apontado pelos estudos que a figura do palhaço em ambiente hospitalar viabiliza uma interação dinâmica com as crianças e adolescentes, o que leva a distração das experiências, por vezes dolorosas, que a vivência do processo de hospitalização ocasiona. As intervenções propostas permitem os indivíduos exercerem autonomia seja no ato de aceitar ou negar a proposição. O brincar estimula o desenvolvimento em circunstâncias antagônicas, auxiliando no entretenimento do indivíduo e atuando também como facilitador da comunicação entre paciente e profissional do cuidado. O uso da palhaçaria e do brincar demonstraram-se eficientes enquanto estratégias de intervenção da enfermagem pediátrica, contribuindo na melhora da prestação de cuidado. O quinto eixo apresenta a palhaçaria na diminuição do estresse e da ansiedade no qual os estudos indicam que as crianças e adolescentes em contexto hospitalar expostos a intervenções de palhaçaria apresentam redução do estresse e da ansiedade evidenciados a partir da exteriorização de anseios, angústias e expressões do riso e da alegria. No sexto eixo destinado ao clown como recurso terapêutico os estudos o identificam que considerado enquanto recurso terapêutico, a palhaçaria estabelece meios diversificados de comunicação. Por meio das intervenções de dramatização, brincadeiras, jogos e atividades lúdicas, o clown pode ressignificar a rotina de hospitalização infantil. Ao incluir a palhaçaria como estratégia recreacionista durante a internação hospitalar pediátrica e hebiátrica, a ludicidade age como facilitadora na criação de vínculo entre paciente-profissional do cuidado-família, amenizando o nervosismo sentido por todos os envolvidos e contribuindo na aderência do tratamento, além da intervenção melhorar o humor e a atitude, é facilitadora da comunicação verbal e não verbal.¹,4 O palhaço associado ao cuidado de crianças e adolescentes vivenciando o processo de hospitalização têm potencial influência nos aspectos comportamentais, emocionais e fisiológicos dos pacientes assistidos e da equipe multiprofissional envolvida. A palhaçoterapia vêm sendo percebida pelos pacientes, acompanhantes familiares e equipe multiprofissional como uma terapia complementar à saúde.4 Considerações finais: Os efeitos da utilização da palhaçoterapia entre crianças e adolescentes em ambiente hospitalar apontados nos estudos evidenciaram-se como benéficos nesse contexto. A palhaçaria associada ao brincar em suas diversas aplicações, apresenta melhora na comunicação, redução de estresse, dor e ansiedade. É considerada facilitadora na aceitação de procedimentos técnicos, adesão ao tratamento e é uma ferramenta distrativa, recreacionista de entretenimento e promotora da saúde. Observou-se a lacuna de estudos que analisem padrões fisiológicos, comportamentais e emocionais com marcadores bioquímicos ou parâmetros de sinais vitais. Assim, evidencia-se que a inserção de palhaços em ambientes hospitalares promove uma assistência humanizada para crianças e adolescentes reduzindo os impactos da hospitalização, ressignificando o cuidar.
