Risco de Hipotermia perioperatória e intervenções de enfermagem: (re) visitando a literatura

Autores

  • Tiffani Matos de Oliveira
  • Bruno Henrique Fiorin UFES

Palavras-chave:

Centro Cirúrgico; Sala de Recuperação; Hipotermia; Complicações Pós-operatórias; Enfermagem Perioperatória.

Resumo

Introdução: durante o período perioperatório ocorrem alterações que podem levar a hipotermia, um evento adverso de grande relevância para a prática de enfermagem. A hipotermia pode gerar desde um desconforto até alterações hemodinâmicas graves. Para evitá-la são necessárias intervenções baseadas nas melhores evidências garantindo qualidade na assistência. Objetivo: elencar evidências relacionados a eficácia dos sistemas de aquecimento no perioperatório, as intervenções de enfermagem utilizadas para a prevenção da hipotermia. Metodologia: trata-se de uma revisão sistemática da literatura, baseada na seguinte pergunta: Quais são as ações de enfermagem na identificação e tratamento da hipotermia no paciente cirúrgico? Na busca, foram utilizados os descritores de assunto em ciências da saúde (DECs): centro cirúrgico, hipotermia, procedimento cirúrgico, complicações pós-operatórias e enfermagem perioperatória; agrupados em quatro mecanismos de busca.  Sendo utilizadas as seguintes bases de dados LILACS, PUBMED e SCIELO. Considerou-se os estudos que contemplassem a temática; nos idiomas inglês, espanhol e português; publicados entre 2010 a 2020. Para seleção foi realizado primeiramente a leitura do título, seguido do resumo e em seguida do texto completo. Resultados e Discussão: a revisão foi composta por 17 estudos. A hipotermia é um evento comum durante o período perioperatório, o que está diretamente ligado a forma como os profissionais de saúde, sobretudo a equipe de enfermagem tem se posicionado em relação às medidas de prevenção. Risco de Hipotermia perioperatório é um diagnóstico de enfermagem contido na Taxonomia NANDA (2018-20). Foi constatada como principal forma de prevenção a hipotermia o monitoramento sistemático de temperatura, no entanto essa prática precisa ser mais observada nos ambientes que lidam com pacientes cirúrgicos; sendo a temperatura um dos sinais vitais a sua verificação precisa ser realizada de forma sistemática. Os fatores de risco listados foram pacientes do sexo feminino, que em sua composição possuem maior superfície corporal e menor massa muscular, o que contribui para perda calor; pacientes idosos, pois são mais sujeitos à diminuição do processo de retenção de calor; a técnica de indução anestésica, pois durante este processo ocorre uma redução linear de temperatura; o tipo de abordagem, cirurgias abdominais que possuem muitas etapas de irrigação de cavidade; e o tempo do tempo transoperatório, quanto maior o tempo maior o risco de redução de temperatura. Para o aquecimento há métodos o passivo e ativo. Nos estudos evidencia-se que todos eles previnem a perda de calor. O aquecimento passivo obteve menor taxa de eficiência. Dentre os métodos ativos há modelos menos eficientes, mas que podem ser usados como coadjuvantes, como é o caso da infusão de líquidos aquecidos, que quando associado ao pré aquecimento obtém os melhores resultados, contribuindo para diminuição de desconforto, e mal estar dos pacientes. Para atenuar consideravelmente os casos de hipotermia são necessários conhecimento dos profissionais de enfermagem, uma vez que eles devem atuar garantindo conforto térmico, avaliando temperatura e implementando e avaliando os planos de cuidado. Considerações finais: apesar da relevância da hipotermia, ainda se faz necessário estudos sobre a temática, principalmente sobre os variados tipos de métodos de aquecimento ativo.

Publicado

19-04-2024