(DES)CONTINUIDADE DAS ATIVIDADES DE ENSINO DURANTE A PANDEMIA DE 2020
Palavras-chave:
Pandemias, Enfermagem, Educação em Enfermagem, Estudantes de EnfermagemResumo
Introdução: Durante o último ano do Curso de Graduação em Enfermagem são diversas as expectativas, os anseios e os planejamentos referentes à atuação dos acadêmicos nos serviços de saúde, da escrita dos trabalhos de conclusão de curso e ainda, da visualização do pós formatura, com trabalho, residências uni ou multidisciplinar, mestrados e outros. O ano de 2020 começou atipicamente com o surgimento e declaração do novo coronavírus na China, desencadeando no agravamento de síndromes respiratórias agudas, tendo como consequência o desenvolvimento da doença Covid-19, decretada a partir do mês de março pela Organização Mundial da Saúde como uma situação pandêmica. Após essa declaração, muitas foram as ações e estratégias apontadas pelos governos dos países, como também no Brasil, destacando-se posicionamentos de estados e municípios para combater a disseminação do vírus e promover os cuidados necessários para a prevenção. Deste modo, o estado de Santa Catarina no mês de março publicou o decreto nº 509 de 17 de março de 2020¹ que descreve como medida de combate e prevenção à Covid-19, a paralisação das aulas do ensino infantil ao ensino superior. Sendo assim, de imediato a Universidade Federal da Fronteira Sul suspendeu todas as atividades presenciais na instituição. Concomitante a isso, a Secretaria Estadual de Saúde orientou a retirada dos acadêmicos que realizavam Estágio Curricular Supervisionado nos serviços de saúde. Passados quatro meses da suspensão das atividades, encontram-se instáveis as condições para retorná-las, mesmo depois da publicação da Portaria SES Nº 353 DE 25/05/20202 que autoriza as unidades hospitalares à retomada das atividades dos estágios curriculares obrigatórios. Por conta destes aspectos de interrupção dos estágios, tanto docentes como discentes precisaram adaptar-se à nova realidade e encarar algumas dificuldades que antes não passavam pela imaginação. Objetivo: Refletir sobre os impactos da interrupção do Estágio Curricular Supervisionado e as perspectivas de retorno das atividades para os estudantes formandos de um Curso de Graduação em Enfermagem durante a pandemia da COVID-19. Metodologia: Trata-se de um relato de experiência sobre o processo de ensino, o qual foi paralisado em março de 2020 devido a pandemia da Covid-19 e que influenciou na interrupção das atividades do Curso de Graduação em Enfermagem. Os acadêmicos do último ano desenvolvem as práticas nos diversos serviços de saúde da cidade, sendo eles de atenção primária, secundária e terciária, através do Componente Curricular “Estágio Curricular Supervisionado I”, que engloba um total de 450 horas. O componente tem como finalidade apresentar ao acadêmico o cotidiano do serviço em saúde, agregando os saberes teóricos e práticos vistos nos semestres anteriores do curso e oportunizando o desenvolvimento do olhar científico, crítico, criativo e reflexivo através de vivências nas dimensões do cuidar em enfermagem. Teve seu início em março de 2020, sendo interrompido no mesmo mês pela pandemia. Resultados e Discussão: Diante desse contexto, surgiram inúmeros desafios, os quais tornaram-se impeditivos para o retorno das atividades. O alto índice de contágio e o aumento da média de casos novos confirmados por dia, trazem um risco constante e o receio de se contaminar e/ou contaminar algum familiar; a interrupção do transporte público traz dificuldades de deslocamento para os locais de estágio; e a falta de equipamentos de proteção individual e seguro de vida com cobertura para pandemia; determinam a posição frente ao não retorno das atividades presenciais do Curso de Graduação em Enfermagem. Em contrapartida, a interrupção provoca um cenário de dúvidas e incertezas em relação ao futuro, tanto da formatura quanto a busca por especializações e trabalhos posteriores a formação, pois são fatos que serão postergados. Outro fator a ser exposto é a saúde mental dos acadêmicos, pois além dos fatores supracitados, alguns pensamentos e situações podem acarretar em desligamento do curso mesmo estando em fases finais, sendo por questões financeiras - como a de ter tido a necessidade de arrumar trabalho tanto para auxiliar em casa ou para conseguir se manter na cidade onde estuda, visto que vários acadêmicos são de fora da cidade lócus da universidade - ou por apresentar dificuldades frente a um possível retorno das atividades à distância. Nesse cenário de incertezas e de muitas dúvidas, os estudantes analisam a possibilidade de retornar aos serviços de saúde para a continuação do Estágio Curricular Supervisionado, porém, deve-se levar em consideração que se o retorno acontecer, o mesmo deve englobar as normas de segurança, bem como ter assegurado a oferta de equipamentos de proteção individual necessários para a atuação profissional frente a situação em que se vive. Além disso, os acadêmicos almejam conseguir a retomada das atividades buscando a conclusão do curso, para que posteriormente seja possível dar andamento nos planejamentos para após a formatura, que foram interrompidos devido a presença da COVID-19. Considerações finais: Este estudo aponta que os impactos devido a paralisação das atividades práticas de acadêmicos do Curso de Graduação em Enfermagem, podem englobar desde fatores econômicos até fatores emocionais/psicológicos, podendo interferir no retorno às atividades. Além disso, pode-se considerar que a universidade em questão aderiu ao desenvolvimento das ações decretadas pela Organização Mundial da Saúde em combate à pandemia da COVID-19 e estuda uma futura implementação do ensino à distância. Percebe-se que a presença de uma pandemia muda o cotidiano e os planejamentos de todas as pessoas, nos fazendo refletir sobre como serão as atividades de agora em diante e também sobre quais são as nossas prioridades e necessidades.
