O BRINQUEDO TERAPÊUTICO COMO UMA PRÁTICA AVANÇADA DE CUIDADO DE ENFERMAGEM:UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores

  • Francieli Cecconello Universidade do Estado de Santa Catarina
  • Denise Antunes da Azambuja Zocche
  • Carla Argenta
  • Lucimare Ferraz

Palavras-chave:

Criança, brinquedo; hospital;

Resumo

Introdução: Brincar é uma atividade essencial para criança, com fundamental importância para o desenvolvimento e crescimento saudável.1 Durante a hospitalização, as crianças são impactadas por um cenário e pessoas desconhecidas, repleto de restrições e rotinas, além de serem submetidas a procedimentos geradores de medo e dor.2  Por isso no hospital, o brincar é utilizado como uma ferramenta para auxiliar na realização dos cuidados da assistência de enfermagem, estabelecendo um vínculo de confiança, comunicação tornando o processo hospitalização menos desconfortável para criança e seus familiares.1-3 Neste contexto, o brinquedo terapêutico consiste em um brinquedo estruturado para a criança capaz de amenizar o sofrimento e ajudá-la a perceber o que está acontecendo, expressar o que está sentindo, compreender os procedimentos a serem realizados.3 Assistir a criança hospitalizada exige do profissional de enfermagem não apenas o cuidado físico ou o tratamento clínico, mas também sensibilidade para reconhecer suas peculiaridades, preservar a autonomia da criança, de possibilitar que expresse seus sentimentos, de respeitar seu tempo de maneira flexível e atender seus desejos de acordo com sua condição clínica.2 Nesse sentido, a incorporação do brinquedo terapêutico na assistência de enfermagem se concretiza como uma prática de cuidado pautado em estudos científicos cabendo ao enfermeiro oferecer este recurso e poder contribuir para o enfrentamento e para uma resposta positiva da criança diante de um procedimento doloroso, favorecendo o vínculo enfermeiro- criança.1 No entanto,  a utilização do Brinquedo Terapêutico na assistência  pediátrica é contemporânea, regulamentada  pelo Conselho Federal de Enfermagem,  porém ainda não é implementada efetivamente e pouco descrita de forma sistematizada.1,4 Assim, a prática fundamentada cientificamente se consolida como forma segura e organizada de estabelecer as condutas profissionais, com foco na solução de problemas.5 Diante disso, evidencia-se a relevância da temática como uma prática necessita ser implementada de forma sistematizada efetivamente nos hospitais como uma prática avançada de enfermagem. Objetivo: relatar experiencias da equipe de enfermagem com a utilização do brinquedo terapêutico no cuidado a criança hospitalizada. Método: relato de experiência sobre a utilização do brinquedo terapêutico realizado em um hospital pediátrico público do oeste catarinense desde 2016, direcionada a crianças com câncer. Esta prática consiste no envolvimento das crianças em atividades lúdicas, jogos, realização de desenhos, pinturas de figuras com materiais fornecido pela instituição de forma individualizada no quarto, na brinquedoteca, na presença dos pais ou responsáveis, acompanhados por técnicos de enfermagem, enfermeiros e por vezes, há a colaboração de estudantes universitários da área da saúde Resultados e discussão: Observado que a durante o a utilização do brinquedo terapêutico, mesmo que esporadicamente, foi possível estabelecer um vínculo de confiança, melhor comunicação deixando a criança menos resistente aos procedimentos. Isso é confirmado em estudos que evidenciam que esta prática de enfermagem serve como meio de estabelecer comunicação e relacionamento com a criança, conhecer seus sentimentos, preocupações, ajudar no alívio de sua tensão e ansiedade, além de prepará-la para procedimentos. Da mesma forma, conceitua o brinquedo terapêutico como  dramático, quando propicia à criança dramatizar suas experiências, difíceis de serem verbalizadas fortalecendo-a emocionalmente; o brinquedo capacitador de funções, no qual por mediação de brincadeiras participa do seu próprio cuidado; e o brinquedo instrucional ou preparatório, que prepara para os procedimentos.1 As crianças que estão expostas ao brinquedo terapêutico demonstram menos resistência aos procedimentos, mais interatividade e colaboração com a equipe, são mais alegres durante o período de internação, o brincar desempenha inúmeras funções na assistência à criança hospitalizada, como a recreacional, possibilitando maior segurança quando sob estresse,  proporcionando relaxamento e envolvimento dos familiares na brincadeira5. Ainda, pode ser utilizado qualquer momento desde que seja comprovada a necessidade da criança3. Além de cumprir função recreacional, alivia o estresse, cumpre com exigências da legislação frente aos direitos da criança hospitalizada e regulamentada por meio da Resolução COFEN nº 546/2017, como competência da equipe de enfermagem que atua na área pediátrica, a utilização desta técnica na assistência à criança e família hospitalizada. Esta temática também é abordada nos cursos de Graduação de Enfermagem.4 Desta forma, o brinquedo terapêutico é uma prática que promove a saúde das crianças, seus efeitos são comprovados cientificamente. Sua implementação pela equipe de enfermagem contribui para melhoria da qualidade do cuidado, por aumentar a confiabilidade das intervenções, agregando resultados para o paciente e a redução de custo para instituição.5 Considerações finais: A implementação do brinquedo terapêutico possibilitou o alívio dos efeitos negativos da internação da criança, amenizando a ansiedade vivenciada pela criança e familiar durante o processo de hospitalização, possibilita que ela exponha seus medos, expresse seus sentimentos. Ainda, foi possível percebê-lo como uma prática avançada de enfermagem inovadora que pode alcançar resultados positivos a fim de melhorar problemas de saúde das crianças e   evidenciou-se que os efeitos do brinquedo terapêutico apresentados pelas crianças são condizentes com os que vêm sendo enfatizados na literatura. Por fim, cabe salientar que apesar dos estudos e pesquisar permear o cotidiano da enfermagem desde sua origem, a implementação de práticas fundamentadas em evidência permanece sendo um desafio complexo à Enfermagem mundial.

Publicado

22-04-2024