VARIAÇÕES SAZONAIS DE HOSPITALIZAÇÕES POR DOENÇA DIARREICA AGUDA NA REGIÃO OESTE DE SANTA CATARINA
Palavras-chave:
Diarreia; Hospitalização; Estações do Ano; Enfermagem.Resumo
Introdução: A Doença Diarreica Aguda (DDA) ainda se constitui em um problema de saúde pública, principalmente de países em desenvolvimento.¹ A doença possui etiologia multifatorial, e entre seus condicionantes estão elementos ambientais, sociais, culturais, econômicos. Algumas singularidades dos indivíduo, como faixa etária, e presença de doença crônica podem determinar maior suscetibilidade à infecção por determinados patógenos. Apesar de se caracterizar em doença com fácil diagnóstico e tratamento economicamente acessível, a DDA ainda apresenta altos indicadores de morbidade hospitalar, e ainda se constitui em causa de mortalidade no país. Frente a esse contexto, a DDA é uma das doenças mais negligenciadas pelos órgãos públicos e pela população na atualidade.² A região de saúde Oeste de Santa Catarina é formada por 25 municípios, que em sua maioria são municípios de pequeno porte populacional. A referida região, apresentou a maior frequência relativa de hospitalização por DDA entre os anos de 2014 e 2018, em comparação com as demais regiões de saúde do Estado.³ A identificação do fatores condicionantes da diarreia em cada local, e os padrões temporais de maior frequência de morbidade são importantes para planejamento e implementação de ações de promoção da saúde e prevenção da doença.⁴ Frente ao exposto, o presente estudo objetiva identificar as variações sazonais na morbidade hospitalar por DDA na região Oeste, e dessa forma, identificar à luz de literatura atual, possíveis fatores que condicionam o demérito panorama no local. Objetivo: Identificar por série temporal de cinco anos, os meses de ano com maior prevalência de hospitalização por doença diarreica aguda nos municípios da região de saúde do Oeste de Santa Catarina. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal de abordagem quantitativa com coleta de dados na base de dados sobre hospitalizações por DDA do Estado de Santa Catarina, no sistema de informação DATASUS, entre os anos de 2014 e 2018. Os dados foram coletados por local de residência, com inclusão na seleção dos municípios pertencentes à região de saúde Oeste. Foram selecionados os registros cuja causa atribuída pelo médico responsável foi “Diarreia e gastroenterite de origem infecciosa presumível”, com dados mensais de um período de cinco anos. Os dados referentes ao mês de ocorrência da hospitalização foram processados com a utilização da ferramenta Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 20.0. Para a descrição, análise e representação dos dados, foi utilizada a estatística descritiva, com a apresentação da frequência relativa de ocorrência por mês, média de ocorrência e desvio padrão populacional da comparação entre os indicadores de hospitalizações pela doença nos diferentes meses do ano. O valor do desvio padrão expressa o grau de dispersão do grupo de dados da média. Ou seja, no presente estudo, o dado irá mensurar e retratar a diferença entre as frequências relativas de hospitalização nos diferentes meses do ano. Resultados e Discussão: Em análise de dados sobre a prevalência da hospitalização pela doença na região, no ano de 2014 houve um total de 366 hospitalizações por DDA em população residente nos municípios da referida região, em 2015, 410 registros, em 2016, 529, no ano de 2017, 423 e em 2018, 560 hospitalizações pela doença. Frente aos dados expostos, observa-se na análise temporal, aumento progressivo na morbidade hospitalar por DDA na região, exceto no ano de 2017, quando houve diminuição do indicador em comparação ao ano anterior. Todavia, no ano de 2017, o número de hospitalizações foi superior em comparação aos dados dos primeiros dois anos incluídos no estudo (2014 e 2015). Com o intuito de identificar os meses com maior morbidade hospitalar pela doença no período, foi realizado o cálculo da frequência relativa, e verificou-se média de 8,73% das hospitalizações por mês. No período analisado, identificou-se morbidade hospitalar acima da média do período nos meses de novembro (10,47%), dezembro (9,62%), Janeiro (10,16%), fevereiro (9,04%), Março (9,94%) e abril (10,38%). Foram identificadas menores proporções de hospitalizações nos meses de maio (8,41%), junho (5,86%), julho (6%), agosto (6,31%), setembro (6,71%) e outubro (7,03%). O desvio padrão populacional identificado foi de 1,75. Após a introdução da vacina contra o rotavírus na rede pública de saúde do Brasil no ano de 2006, houve mudança no perfil epidemiológico da DDA no país.⁴ Anteriormente, a maior incidência da doença era registrada em períodos de menor temperatura, e clima predominantemente seco, quando a morbidade pela doença possuía causa viral, hegemonicamente.⁴ Os fatores climáticos são ainda mais relevantes no desfecho de hospitalização pela doença quando associados à locais com menores índices de cobertura dos serviços de saneamento básico, quando apresentam etiologia predominantemente bacteriana.⁴ No presente estudo, identificou-se comportamento sazonal da morbidade hospitalar pela doença, visto que as hospitalizações pela doença predominaram nos mesmos meses, na comparação de escala intranual, nos cinco anos do estudo. A associação positiva entre aumento de incidência de DDA, aumento de temperatura ambiental e precipitação no período foi observada em estudos realizados em diferentes locais.²‾⁴ A Região Sul do país apresenta clima mesotérmico, com verão e inverno bem definidos, e os meses de setembro, outubro, novembro e dezembro são os meses onde ocorre maior precipitação na região Oeste de Santa Catarina.⁴ O mesmo estudo⁴ demonstrou que na região Oeste do Estado, os meses com clima predominantemente seco são junho, julho e agosto, que nesse estudo apresentaram menor hospitalização por DDA. O Oeste e Meio-Oeste do Estado são as regiões que apresentam os maiores índices de insolação de Santa Catarina.⁵ As temperaturas nesses locais podem ser muito elevadas no verão, visto à proximidade da região com a Baixa do Chaco, região de convergência de massa de ar tropical.⁵ O aumento da pluviosidade registrada na região Oeste nos últimos meses dos anos, agregados à elevação da temperatura nos meses que compreendem o verão, podem aclarar o aumento na morbidade hospitalar pela doença nos meses relatados, e corresponder com maior prevalência de DDA de origem bacteriana no local. Considerações finais: A doença ainda apresenta elevada morbidade hospitalar na região Oeste de Santa Catarina, e por consequência, eleva os gastos do sistema público com a doença, diminui a qualidade de vida dos portadores, além de trazer perdas econômicas pela ausência laboral. Na análise dos dados do presente estudo, devido a maior número de hospitalizações em meses de clima mais quente e maior precipitação, presume-se que na região há prevalência de morbidade hospitalar de etiologia bacteriana, porém, pontua-se a necessidade de realização de estudos para identificar agentes etiológicos prevalentes nos meses em que há maior morbidade. A partir desse diagnóstico situacional, podem ser elaboradas estratégias de prevenção ou redução de seus impactos e, prioritariamente, subsidiar a formulação de políticas públicas para diminuir a prevalência da morbidade pelo agravo. Pela multiplicidade de agentes etiológicos causadores da doença, variedade de fatores condicionantes, e suas desfavoráveis consequências relatadas, as ações interssetoriais podem ser mais efetivas que ações pontuais dos serviços de saúde.
