ATENÇÃO DOMICILIAR NO ENFRENTAMENTO DA PANDEMIA COVID-19:
RELATO DE EXPERIÊNCIA
Palavras-chave:
Assistência Domiciliar; Infecção por coronavírus; Equipamentos de Proteção Individual; Cuidado Paliativo; Residência Hospitalar.Resumo
Introdução: A Atenção Domiciliar (AD) é uma modalidade de atenção à saúde, que envolve ações de prevenção e tratamento de doenças, reabilitação, paliação e promoção à saúde, integrada à Rede de Atenção à Saúde (RAS), prestadas em domicílio, garantindo continuidade do cuidado. É organizada em três modalidades: AD1, AD2 e AD3. Usuários que pertencem AD2 e AD3 são elegíveis para o Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) e se caracterizam por apresentarem afecções crônico-degenerativas, necessidade de cuidados paliativos semanais, afecções agudas ou crônicas agudizadas, em cuidados intensificados e sequenciais e que também necessitem de uso de equipamento de maior complexidade. A modalidade AD1 é o usuário que requer cuidados de menor frequência, sendo que a assistência pode ser realizada pelas equipes da Atenção Básica (AB). Realizado pelas Equipes Multiprofissionais de Atenção Domiciliar (EMAD) e Equipes Multiprofissionais de Apoio (EMAP), o SAD é considerado um serviço complementar aos cuidados realizados na AB e em serviços de urgência, substitutivo ou complementar à internação hospitalar. Para a admissão de um usuário no SAD, o mesmo deve apresentar situação de restrição ao leito ou ao lar de maneira temporária com incapacidade física de locomoção até um serviço de saúde, contudo, devem estar estáveis clinicamente. Nesses casos, a AD é considerada a opção mais indicada para tratamento, reabilitação e prevenção dos agravos com vistas à maior autonomia do usuário, família e cuidador1. No ano de 2020, devido a Pandemia da COVID - 19, o SAD precisou se reorganizar e adotar novas medidas de cuidados nas visitas domiciliares para a segurança dos profissionais, dos pacientes e para que as equipes não sejam veículos de transmissão da doença, considerando que boa parte dos infectados são assintomáticos e os pacientes visitados pelas equipes, na maioria são do grupo de risco. A COVID-19 é a doença infecciosa causada pelo novo coronavírus, identificado pela primeira vez em dezembro de 2019 na China, no Brasil o primeiro caso ocorreu em fevereiro de 2020. Os sintomas mais comuns da infecção são febre, cansaço e tosse seca. A maioria das pessoas (cerca de 80%) se recupera da doença sem precisar de tratamento hospitalar. Uma em cada seis pessoas infectadas por COVID-19 fica gravemente doente e desenvolve dificuldade de respirar. As pessoas idosas e as que têm outras condições de saúde como hipertensão, problemas cardíacos e pulmonares, diabetes ou câncer, têm maior risco de ficarem gravemente doentes. Dessa forma, pensando na proteção das equipes de AD e dos usuários em atendimento, o Ministério da Saúde (MS), em 23 de março de 2020, emitiu uma nota técnica para recomendações em relação à atuação dos SAD´s durante a pandemia da COVID-19, declarando que é fundamental que os profissionais dos SAD estejam aptos a fazer orientação aos usuários durante os atendimentos domiciliares quanto à prevenção de contágio, identificação de casos suspeitos de infecção pelo coronavírus, bem como ofertar cuidado domiciliar ou indicar hospitalização nos casos pertinentes2. Com relação ao uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI´s) pelos profissionais do SAD, a norma recomenda o uso do gorro; óculos de proteção ou proteção facial; máscara cirúrgica; avental e; luvas de procedimento. As máscaras N95, FFP2, ou equivalente devem ser utilizados ao realizarem procedimentos geradores de aerossóis como por exemplo, intubação ou aspiração traqueal, ventilação não invasiva, ressuscitação cardiopulmonar, ventilação manual antes da intubação e coletas de amostras nasotraqueais. A experiência se deu através do programa de residência multiprofissional em oncologia, contemplando as áreas de enfermagem, nutrição, farmácia e psicologia, que possibilita o desenvolvimento de atividades, tendo em vista auxiliar os pacientes oncológicos e seus familiares ao enfrento e tratamentos com o menor prejuízo físico-emocional. Objetivo: Relatar a experiência de residentes em oncologia, das especialidades enfermagem e nutrição, em um serviço de atenção domiciliar, no oeste de Santa Catarina durante a pandemia COVID-19. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo, do tipo de relato de experiência de residentes inseridos no Programa de Residência Multiprofissional em Oncologia de um Hospital catarinense no oeste do estado. O cenário em questão é um programa de Atenção Domiciliar da Secretaria de Saúde. Durante as atividades assistenciais no serviço passou-se a utilizar novas medidas de proteção, com uso de EPIs específicos para evitar a disseminação do novo Coronavírus. Dessa forma, este relato de experiência das residentes é durante o mês de Julho, na assistência ao paciente no serviço de Atenção Domiciliar municipal, evidenciando os principais cuidados inseridos na rotina da equipe de saúde em tempos de Pandemia. Resultados e Discussão: Em meio a Pandemia, as residentes participaram e vivenciaram a situação de saúde, sendo que, os pacientes pertencentes ao programa do SAD conforme critério de inclusão, em sua maioria estão em Cuidados Paliativos (CP). No qual, se concentra na prevenção e alívio de sintomas e sofrimento de pacientes que enfrentam doenças crônico-degenerativas, objetivando melhor qualidade de vida. O CP não se limita apenas ao cuidado de fim vida, podem também ser fornecidos juntamente com tratamentos de sintomas refratários e sob a manutenção da qualidade de vida, se estendendo até o período de luto da família³. Diante a pandemia e a fragilidade dos pacientes em atendimento, nota-se a importância da inserção de novas rotinas nos serviços de saúde. Para realizar as atividades assistenciais, as equipes dispuseram de EPIs como touca descartável, máscara PFF2, máscara cirúrgica, proteção facial (face shield), jaleco, calça de material cirúrgico, calçado profissional específico. Ao chegar na residência, os profissionais utilizaram os seguintes EPIs, além dos citados, avental descartável tipo TNT ou impermeável e luvas de procedimento. Ao final do atendimento o avental e as luvas de procedimento são descartados em saco leitoso, identificado como resíduo infectante, descartado em local adequado. Contudo, as famílias dos usuários também realizaram nas residências, dispondo de panos para limpeza dos calçados na entrada da residência, embebidos em álcool ou água sanitária; uso de máscaras pelos cuidadores e pacientes durante o atendimento; realizar higiene das mãos e dispor de álcool para procedimentos realizados pelos cuidadores e/ou família ao entrar em contato com o paciente; dispor de lixo contaminado para descarte dos materiais utilizados pela equipe do SAD. A experiência só foi possibilitada pelo Programa de Residência Multiprofissional em Saúde, uma modalidade de pós-graduação lato sensu, composta por carga horária prática e teórica e desenvolvida nos serviços de saúde, com respaldo da Lei n° 11.129 de 2005, que delibera os programas de residência no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O programa de Residência Multiprofissional em Oncologia proporciona aos residentes experiências prática, visando qualificar o profissional com ênfase na oncologia, assim como permitir qualificar o serviço, subsidiado pelo embasamento teórico. A residência fornece campo de aprendizado aos profissionais e ganham melhorias com este processo, colaborando para a melhoria do serviço especializado. Considerações finais: Diante a experiência vivenciada pelos profissionais residentes no desenvolvimento da assistência à saúde no SAD, contribuiu para a formação dos residentes, com ênfase no cuidado de usuários oncológicos em CP em tempos de pandemia, o qual trouxe modificações no atendimento do usuário e famílias, em que a equipe precisou de paramentação de isolamento por aerossóis como forma de precaução padrão no serviço, tendo em vista que pacientes e a população em geral possa contrair o vírus e ser assintomáticos. Neste âmbito, a vivência contribuiu significativamente para o amadurecimento profissional, em tempos de crise mundial de saúde.
