DESAFIOS PARA A ATENÇÃO À SAÚDE DO ADOLESCENTE NO ESTADO DA BAHIA, BRASIL

Autores

  • Tamiles Costa Ribeiro Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC
  • Alba Lúcia Santos Pinheiro
  • Dejeane de Oliveira Silva
  • Aretusa de Oliveira Martins Bitencourt
  • Maria Aparecida Santa Fé Borges
  • Kerlly Taynara Santos Andrade

Palavras-chave:

Saúde do Adolescente, Indicadores Básicos de Saúde, Política Pública, Atenção Integral à Saúde, Saúde Pública

Resumo

Introdução: As singularidades intrínsecas à adolescência derivam de diversos e complexos fatores. Em um dos ângulos, o crescimento e o desenvolvimento, que requerem acompanhamento e suporte às questões morfofuncionais. Noutra face, fatores socioculturais do adolescer.1 Não circunscrita à aspectos cronológicos, a adolescência pode ser definida como o período de 10 a 19 anos, pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Já o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), considera o período de 12 a 18 anos.2 Mas, o que se torna consenso é que a atenção à saúde desse segmento necessita de monitoramento e avaliação que fundamentem o planejamento e implementação de políticas públicas e ações adequadas. Objetivo: Descrever os indicadores de saúde utilizados para monitorar e avaliar a saúde dos adolescentes, no Estado da Bahia, no período de 2000 a 2023. Metodologia: Trata-se de uma análise documental, utilizando Planos Estaduais de Saúde (PES, n=6), Programações Anuais de Saúde (PAS, n=7) e Relatórios Anuais de Gestão (RAG, n=15) do Estado da Bahia, totalizando 28 instrumentos oficiais analisados. Foram selecionados documentos físicos e digitais, oriundos da sede da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB), do Sistema de Apoio à Elaboração dos Relatórios de Gestão (SARGSUS) e do sítio eletrônico da SESAB, abrangendo o período de 23 anos. Para tratamento dos dados, utilizou-se a análise de conteúdo, seguindo os pressupostos de Bardin. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), com Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE) de número 60045716.2.0000.5526, aprovado em novembro de 2016, atendendo às Resoluções 466/2012 e 510/2016, ambas do Conselho Nacional de Saúde. Resultados e Discussão: Observou-se que 28,57% (n=8) dos documentos priorizavam os indicadores de doença, em vez dos indicadores de saúde. Apesar disso, pôde-se constatar presença do indicador Proporção de estudantes examinados para o tracoma (n=2, 7,14%), relevante para prevenir a patologia, que é a maior causa de cegueira no mundo e decorre de saneamento básico inadequado.4 Ademais, foram citados: Abrangência do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVANweb) (n=1, 3,57%) e Procedimentos Odontológicos em pessoas de 0 a 14 anos (n=1, 3,57%). Indicadores associados à implantação e implementação de políticas públicas de saúde dos adolescentes foram escassos, abrangendo 7,14% (n=2) dos documentos. Assim, discute-se que fazer uso isolado de indicadores quantitativos pode não demonstrar a complexidade do processo saúde-doença-cuidado.3 Além disso, é necessário ultrapassar os limites dos indicadores epidemiológicos e considerar as diversas faces da saúde2. Importante ressaltar a relevância de selecionar os indicadores de forma adequada, para se ter uma visão fidedigna do público e, desta forma, alcançar um planejamento em saúde eficaz. Considerações finais: Verifica-se, portanto, desafios em abranger a complexidade da saúde, contemplando suas diversas dimensões e as particularidades do período da adolescência. Logo, reflete-se acerca das possíveis repercussões que uma análise de saúde fragmentada pode originar na vida do segmento adolescente brasileiro.

Biografia do Autor

  • Alba Lúcia Santos Pinheiro

    Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP), Professora do Departamento de Ciências da Saúde (DCSAU) da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).

Publicado

24-09-2024