REPERCUSSÕES DO RETORNO DAS ATIVIDADES PRÁTICAS DOS ACADÊMICOS DE ENFERMAGEM DURANTE A PANDEMIA POR COVID-19
Palavras-chave:
Educação em Enfermagem, Estudantes de Enfermagem, Infecções por CoronavírusResumo
Introdução: O ano de 2020 está sendo marcado pela ocorrência de uma pandemia que teve origem em dezembro de 2019 na cidade de Wuhan na China e é conhecida cientificamente como SARS-CoV-2, sendo a doença nomeada de Coronavírus (COVID-19)¹-⁴-⁵. Dentre as repercussões negativas nos cenários de saúde, econômico, social e cultural, a pandemia teve impacto direto na educação, interferindo no calendário acadêmico de diversos cursos de graduação, ocorrendo a suspensão de todas as aulas presenciais teóricas e práticas. O retorno às atividades práticas ocorreu após portaria do Ministério da Educação (MEC), havendo autorização para retomada, inicialmente, dos estágios curriculares obrigatórios, em junho de 2020, e após, de todas as disciplinas práticas². Com o retorno de acadêmicos aos campos práticos, houve muitos questionamentos sobre questões relacionadas a saúde e a segurança dos mesmos, o que em alguns momentos ocasionou divergência de opiniões entre autoridades²-³. Diante desta realidade, torna-se imprescindível, reconhecer os fatores que preocupam, dificultam e favorecem os discentes de enfermagem que realizam atividades práticas neste contexto pandêmico.
Objetivo: Identificar os fatores envolvidos no retorno das atividades práticas de acadêmicos de enfermagem durante a pandemia por COVID-19.
Metodologia: O estudo foi realizado através de uma revisão de literatura do tipo narrativa, onde foram utilizadas como bases de dados a Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), a Scientific Electronic Library Online (SciELO) e o Google Acadêmico, buscando artigos científicos publicados com recorte temporal do ano vigente (2020) e que contemplassem artigos completos, disponíveis na íntegra. Foram utilizados como descritores, os termos Educação em Enfermagem; Estudantes de Enfermagem e Infecções por Coronavírus, sendo eles indexados nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS).
Resultados e Discussão: Durante a revisão, surgiram cinco categorias principais relacionados ao retorno às práticas de acadêmicos de enfermagem, sendo eles: 1. Ambientes práticos passando por adequações e mudanças; 2. Enfermeiros em adaptação ao novo cenário; 3. Pouca capacitação e treinamento aos acadêmicos; 4. Escassez de EPI’s e 5. Integridade psicoemocional dos acadêmicos. Na graduação de enfermagem se observa a necessidade da introdução de mais atividades práticas, onde é possível preparar o acadêmico para a tomada de decisões mais seguras e assertivas, além de manejo e conhecimento durante a aplicação de cuidados voltados ao indivíduo e também comunidade². Com o atual cenário de pandemia, o retorno as atividades práticas foi muito questionado, pois os ambientes práticos estão sofrendo adequações e reajustes em suas instalações, como por exemplo, ambientes destinados somente para pacientes em isolamento além da aquisição de novos aparelhos destinados a assistência dos mesmos⁵. Os enfermeiros também estavam passando por período de adequação e conhecimento sobre o vírus e um dos questionamentos apresentados na revisão foi sobre o tempo que o enfermeiro precisaria para prestar auxílio aos acadêmicos inseridos nos ambientes práticos, justificando que esse tempo dedicado aos mesmos poderia, de alguma forma, estar prejudicando a execução de suas atividades, sendo elas, assistências, administrativas e educativas frente a pandemia²-⁵. É visto também como um fator negativo a falta de capacitação e preparação dos acadêmicos inseridos em campos de atenção primária, secundária e terciaria. Outra preocupação é a escassez de recursos como EPI’s, sendo eles, máscaras, proteção ocular, avental e luvas, podendo variar de acordo com o local que o aluno está inserido e indispensáveis na segurança dos mesmos e demais profissionais, visto que ocorre um elevado número de infecções por COVID-19 entre profissionais da saúde². Com todas esses mudanças que o graduando está se deparando durante sua formação, questiona-se sua integridade psicoemocional, pois está sendo inserido juntamente na linha de frente do enfrentamento contra o Coronavírus e durante essa vivência irá se deparar com muitos fatores como riscos, perdas, preocupações, escassez de materiais, estresse, medo, entre outros fatores¹-³-⁴. Os estudos sobre a influência psicoemocional ainda são a curto prazo, mas alguns deles abordam comparações com outras epidemias, onde a longo prazo relataram o desenvolvimento do medo de morrer, a preocupação de estar fazendo mal a outras pessoas através da contaminação, além do medo e sensação de abandono e afastamento de familiares e amigos¹-⁴. Devido alguns discentes se enquadrarem em grupos de risco e não poderem participar presencialmente de atividades práticas, alguns estão desenvolvendo grupos de educação em saúde para áreas de atenção primária, onde o mesmo controla sua qualidade de vida, favorece a diminuição de sobrecarga e diminui a possibilidade de desenvolver outros distúrbios²-³. Contudo, é um momento único na vida acadêmica, onde está sendo possível aprender e contribuir com a saúde dos usuários, e além disso, esse momento proporciona sentimento de gratificação e reconhecimento².
Considerações finais: Através dos resultados encontrados foi possível identificar os fatores mais relevantes associados aos acadêmicos de enfermagem diante do COVID-19, sendo eles, mudanças e adequações nos ambientes práticos, aceitação dos acadêmicos nos locais em que estavam inseridos, falta de capacitações, escassez de EPI’s e integridade psicoemocional. Como forma de amenização de alguns fatores, a elaboração de materiais educativos disponibilizados em ambientes virtuais oportunizou o compartilhamento de conhecimento, onde os acadêmicos puderam estar em contato com a comunidade proporcionando a educação em saúde e com isso contribuindo na diminuição de exposição ao COVID-19 e o desenvolvimento de capacitações à distância para acadêmicos e enfermeiros, demonstrando a importância da presença que ambos têm no cenário a saúde. Conclui-se que a pandemia trouxe diversas inseguranças aos acadêmicos, mas está proporcionando uma vivência única composta de novos desafios, novos planejamentos e ações, onde percebe-se também a importância do cuidado ao próximo e valorização da profissão.
