VIVÊNCIAS DE IDOSOS HOSPITALIZADOS QUE SOFRERAM FRATURAS POR QUEDAS

Autores

  • Indianara Korb Rosa UNOESC
  • Raquel Taís Lintener
  • Tainara Jiulkovski
  • Camila Amthauer

Resumo

Introdução: no Brasil é considerado idoso a pessoa que possui 60 anos ou mais, independentemente de sua condição física, psicológica ou social.¹ Em decorrência da transição demográfica, atualmente a expectativa de vida média do brasileiro é de 76 anos.² Diante desse envelhecimento populacional, evidencia-se a necessidade de mudança na assistência ofertada, afim de atender as novas demandas, dentre elas as fraturas por quedas. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a queda é caracterizada como um evento involuntário, no qual o corpo da pessoa vai ao chão ou sobre outra superfície.³ Nesse contexto, as quedas representam um dos principais problemas clínicos e de Saúde Pública devido à sua alta incidência e alto índice de mortalidade, bem como pelas complicações para a saúde da pessoa idosa, e também como sendo uma das principais causas de hospitalização, acarretando altos custos assistenciais.4 Objetivo: identificar o perfil dos pacientes idosos hospitalizados devido a fraturas por quedas em um hospital de referência. Metodologia: trata-se de uma pesquisa de delineamento qualitativo, do tipo exploratória e descritiva, recorte de um Trabalho de Conclusão de Curso de Enfermagem. O estudo foi desenvolvido com idosos que sofreram fraturas devido a quedas e que se encontravam internados em um hospital de média complexidade da região do extremo oeste de Santa Catarina. A coleta de dados transcorreu entre os meses de julho e agosto de 2018, com o emprego de uma entrevista semiestruturada, de caráter individual. As entrevistas foram gravadas em aparelho digital com o consentimento do paciente, registrando integralmente a fala, a fim de assegurar material autêntico para a análise. Para a análise dos dados, foi utilizada a análise de conteúdo do tipo temática, proposta por Minayo. O estudo respeitou os preceitos éticos de pesquisa com seres humanos, em conformidade com a Resolução nº 466/2012, do Conselho Nacional de Saúde. O projeto de pesquisa foi aprovado por meio do Parecer Consubstanciado emitido pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Oeste de Santa Catarina, sob o Parecer número 2.739.419 e CAAE número 91169218.6.0000.5367. Resultados e Discussão: Participaram da pesquisa dezessete idosos, nove do sexo masculino e oito do sexo feminino. Em relação a faixa etária, oito participantes têm idade entre 60 e 69 anos, seis entre 70 e 79 anos e três com idade superior a 80 anos. De acordo com suas vivências, identificou-se que a maioria das fraturas ocorreu em decorrência de queda da própria altura e em ambiente domiciliar, sendo a principal localização da fratura no colo de fêmur. Todas as fraturas necessitaram de intervenções cirúrgicas e longos períodos de internação, resultando em alterações negativas na vida do idoso. Outro fato importante são as complicações psicológicas, geradas pela própria fratura e também pela internação e intervenção cirúrgica, deixando-os fragilizados, acarretando na diminuição da autoconfiança do idoso, insegurança e medo. A maioria dos idosos referem tristeza e desânimo a uma possível readaptação ao seu estilo de vida, tratando este momento como sendo de grande dificuldade. Além dos sentimentos vivenciados, as quedas afetam diretamente as atividades de vida diárias dos idosos, interferindo em sua qualidade de vida e na sua autonomia, tornando-os dependente da ajuda de outras pessoas para realizar atividades que antes desenvolviam sozinhos. É comum, estes pacientes, sentirem-se mais tristes e inseguros com sua nova condição, expostos a fragilidades. A maioria dos idosos, no momento da queda estavam acompanhados por seus familiares, sendo que o principal motivo da queda foi por falta de estrutura adequada e demais cuidados preventivos, além das limitações físicas dos idosos. Ainda, a maioria dos idosos relataram já ter sofrido outras quedas anteriormente, algumas acompanhadas de fraturas e outras não. Apesar da queda ser um evento grave, trazendo inúmeras consequências para a vida do idoso, a maioria delas poderia ser evitadas por simples ações preventivas, como: criar um ambiente seguro com solo antiderrapante, iluminação e mobília adequadas para as necessidades do idoso, calçados apropriados, degraus com barra de apoio para auxilio da locomoção, além de outras medidas como rever a medicação do idoso e também por ações de  promoção da saúde que deve ser realizada pelos profissionais da saúde, promovendo segurança dentro e fora do domicilio.5 Após a queda, o idoso acaba passando por inúmeras readaptações, seja por limitações físicas como por fatores emocionais. Ele deixa de ter autonomia para fazer as coisas que fazia, tem receio de certas atividades e vive com me medo de cair novamente. Ao considerar o atual contexto do envelhecimento, nota-se que os cuidados de enfermagem são de extrema importância na promoção da saúde e qualidade de vida dos idosos. Considerações finais: através dos dados obtidos com a pesquisa, percebe-se que a queda em idosos é um evento bastante significativo na vida do idoso, representando um efeito negativo e que gera grandes complicações, dentre elas as de aspectos físicos e psicológicos. Esses achados são de grande contribuição para profissionais de saúde, em especial da Enfermagem, possibilitando-os revisar suas práticas de cuidado à pessoa idosa e contribuindo para o desenvolvimento de ações de promoção da saúde e prevenção de agravos que envolvam os cuidados e orientação sobre as quedas direcionadas aos idosos e seus cuidadores, utilizando-se de ferramentas como a visita domiciliária, que pode dar apoio ao profissional e o envolvimento de uma equipe multiprofissional, a fim de evitar possíveis fraturas e restrições na vida do idoso.

Publicado

23-04-2024