Saúde e Reabilitação dos Laringectomizados

Autores

  • Keroli Eloiza Tessaro da Silva Universidade Federal da Fronteira Sul - campus Chapecó/SC
  • Julia Milena Grando Carniel Universidade Federal da Fronteira Sul - campus Chapecó/SC
  • Emanuely Scramim Universidade Federal da Fronteira Sul - campus Chapecó/SC
  • Eduarda Antonia Sartoretto Universidade Federal da Fronteira Sul - campus Chapecó/SC
  • Luana Paula Schio Universidade Federal da Fronteira Sul - campus Chapecó/SC
  • Odila Migliorini Rosa Universidade Federal da Fronteira Sul - campus Chapecó/SC

Palavras-chave:

Laringectomia; Reabilitação; Neoplasias de Cabeça e Pescoço; Conforto do paciente, Assistência Integral à Saúde.

Resumo

RESUMO EXPANDIDO   

Introdução: Este resumo, refere-se a um pré-projeto realizado no componente curricular de Iniciação à Prática Científica, do curso de graduação em Enfermagem na Universidade Federal da Fronteira Sul, Campus Chapecó, no período de 2019.1, cujo o tema era Saúde e Reabilitação dos Laringectomizados. O interesse pelo assunto surgiu devido ao aumento do número de casos de câncer de cabeça e pescoço que, na maioria das vezes, resulta na laringectomia, sendo este o procedimento cirúrgico de remoção da laringe, a qual pode ser removida totalmente ou parcialmente, ocasionando inúmeras limitações na rotina do paciente. Objetivos: Refletir os principais desafios que o laringectomizado enfrenta no período pré e pós cirúrgico, além de analisar seu processo de reabilitação. Ademais, relatar a importância dos profissionais da saúde, da família e do círculo social como agentes facilitadores do processo de reinserção. Metodologia:  Para realizar o referencial teórico e embasar o estudo foram utilizados artigos de revistas, dissertações, cadernos de saúde pública, em anais como o Instituto Nacional de Câncer (INCA), Scientific Electronic Library Online (SCIELO) e entre outros. Ademais, como objeto de estudo utilizamos o grupo de pacientes com laringectomia total, participantes do coral “Grande Guerreiros do Oeste” que ocorre no município de Chapecó-SC, acompanhando os encontros quinzenalmente, durante o período de março a maio de 2019 e tendo como população alvo os familiares desses pacientes e os profissionais da saúde. Além de acompanharmos os ensaios do coral, também participamos de uma palestra explicativa, na qual realizamos o módulo básico teórico-prático de conhecimento sobre laringectomia, observando os procedimentos e realizando simulações da aplicação e retirada de adesivos e filtros. Resultados e discussão: Ao observar o contexto em que os pacientes laringectomizados se encontram no período pós-cirúrgico identificam-se inúmeros fatores que afetam a qualidade de vida desses indivíduos, sendo assim é de grande importância olhar para a dimensão total do sujeito, garantindo um cuidado integral e eficaz. Do mesmo modo, sabe-se que o paciente que retira a laringe perde a capacidade de transmitir sons, ou seja, a comunicação que antes ocorria através da voz laríngea emitida pelas cordas vocais agora não é mais possível, acarretando em diversos impactos aos quais o paciente e sua família precisam se adaptar. Diante disso, percebe-se que a voz tem funções extremamente importantes que vão além da comunicação oral propriamente dita, visto que a perda dessa, impacta o ambiente de trabalho do paciente, sua família, o círculo social do mesmo e além disso, a laringectomia afeta inúmeros aspectos fisiológicos, sendo um deles a perda do sentido olfativo, que prejudicará totalmente a qualidade de vida, tendo em vista que o olfato é um sentido importante para a percepção de riscos. Dentre as possibilidades encontradas para minimizar tais efeitos colaterais, a reabilitação vocal é significativamente importante e tem sido essencial para a reinserção do paciente na sociedade, atualmente isso torna-se possível por meio da voz esofágica ou das próteses fonatórias pelas quais o paciente pode voltar a se comunicar. Outro fato que convém lembrar, é que para manter a percepção olfatória ativa, os pacientes trabalham com memorização de cheiros através de essências aromatizadas, com o intuito de estimular esse sentido e facilitar o processo de adaptação à sua nova condição de saúde. Durante o desenvolvimento do pré-projeto tivemos contato com um grupo de pacientes com laringectomia total participantes do coral “Grandes Guerreiros do Oeste”, no qual tivemos a possibilidade de ter contato direto com essas técnicas de reabilitação e conhecer sua utilização na realidade do paciente. Entretanto, esses métodos de reabilitação geram estranhamento social, fazendo com que o paciente se sinta excluído e sem suporte para se adaptar à nova rotina. Diante desses métodos de reabilitação supracitados, percebe-se que a laringe eletrônica e a voz esofágica auxiliam o laringectomizado no processo de retorno à comunicação de forma oral, porém, ambas as ferramentas emitem sons incomuns, gerando constrangimento do usuário perante a sociedade que não está habituada à isso. Outrossim, a imagem corporal do paciente também é afetada, pois após o procedimento cirúrgico o indivíduo fica com um estoma permanente, gerando um difícil fator de enfrentamento. Nesse âmbito, a família também sente dificuldades para prestar um auxílio eficaz, visto que igualmente precisa se adaptar a esta nova realidade. Ademais, para uma boa reinserção na sociedade, o paciente e sua família necessitam do suporte de uma equipe multiprofissional contando com apoio psicológico e fonoaudiológico para que os mesmos sejam orientados corretamente através de intervenções educativas e aconselhamentos, garantindo que esses indivíduos se habituem às novas formas de comunicação de uma maneira mais facilitada. Nesse sentido, os familiares atuam como agentes facilitadores no que diz respeito à recuperação, tendo em vista que a continuidade do tratamento ocorre no ambiente domiciliar. Por fim, salienta-se a importância da equipe de saúde da família que está em contato direto com esses pacientes, visto que a mesma exerce um papel orientador no que diz respeito ao processo de reinserção e adaptação do laringectomizado e de seus familiares, desse modo é extremamente importante o conhecimento dos profissionais no que se refere às legislações vigentes, pois através disso os pacientes podem vir a conseguir as próteses fonatórias através do Sistema Único de Saúde. Iniciativas como a do coral auxiliam não só na recuperação vocal, mas também na aceitação do paciente, pois ali eles encontram histórias de vida semelhantes que servem como incentivo e apoio, ressignificando o processo de reabilitação como uma oportunidade de construir sua vida mesmo com certas limitações. Considerações finais: Conclui-se que a reabilitação e reinserção são aspectos fundamentais para a plena recuperação do laringectomizado e que esse processo abrange não somente os profissionais da saúde, como também a família desses indivíduos e a sociedade em que está inserido, que podem atuar como agentes facilitadores para uma melhor qualidade de vida. Nesse sentido, iniciativas como a do coral são significativamente importantes para a reintegração na sociedade e para que o laringectomizado tenha amparo diante desta condição física e emocional que está submetido.

Publicado

23-04-2024