A IMPORTÂNCIA DA HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS DOS PROFISSIONAIS DA ÁREA DE SAÚDE COMO FORMA DE PREVENÇÃO DE INFECÇÕES HOSPITALARES

Autores

  • Gabriel dos Santos Pereira Neto Universidade Federal do Pará - UFPA
  • Emily K. Aleixo da Silva Universidade Federal do Pará - UFPA
  • Mayara Carvalho Larrat Cristino Universidade Federal do Pará - UFPA
  • Nathália Oliveira de Souza Universidade Federal do Pará - UFPA
  • Sheyla Mara de A. Ribeiro Universidade Federal do Pará - UFPA

Palavras-chave:

Microbiologia, MIcrobiota, Desinfecção das Mãos, Educação, Enfermagem

Resumo

Introdução: A higienização das mãos é reconhecida mundialmente como um dos mais importantes e eficazes métodos de prevenção e controle de infecções em serviços de saúde1. As mãos de profissionais dessa área abrigam uma microbiota bastante diversificada que consiste em grupos de microrganismos que coabitam a pele em periodicidades variadas, podendo ser divididos em dois grupos: a microbiota residente, que está aderida às camadas mais profundas da pele, geralmente constituídas por bactérias de baixa patogenicidade, como Staphylococcus coagulase negativos e bacilos difteróides, e a microbiota transitória, que está presente nas camadas mais superficiais da pele e mucosa dos seres humanos, geralmente constituída por grupos de microrganismos que podem ser potencialmente patogênicos1,2. As espécies bacterianas mais comumente encontradas na microbiota da pele de profissionais de saúde são Staphylococcus aureus, Bacillus spp., K. pneumoniae e Enterococcus sp. que detêm um importante papel na cadeia de transmissão de infecções relacionadas à assistência à saúde de pacientes imunocomprometidos e em áreas críticas, como as Unidades de Terapia Intensiva (UTI)2,3. Pesquisas ratificam a importância da higienização das mãos dos profissionais de saúde, por serem utilizadas no contato direto com o paciente, podendo atuar como fonte de propagação dessas bactérias4. A higienização das mãos tem grande impacto no momento atual em decorrência da Pandemia da COVID-19, sendo considerada uma das principais medidas de prevenção dessas infecções4. Desta forma, é extremamente importante que os profissionais da saúde sejam constantemente alertados sobre a necessidade e importância dessa prática, no controle de infecções. Objetivo: Relatar a experiência vivenciada por acadêmicos do Curso de Enfermagem da Universidade Federal do Pará (UFPA), durante uma aula prática/experimental sobre higienização das mãos, na disciplina de Bacteriologia. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo do tipo relato de experiência, vivenciada por acadêmicos do curso de Enfermagem, durante aulas da disciplina de Bacteriologia do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA. A metodologia empregada para a execução da atividade proposta consistiu em duas etapas: a primeira etapa compreendeu a explanação prévia dos conteúdos por meio de aula teórica sobre os conceitos básicos de microbiologia, como microbiota residente e transitória, bem como os procedimentos e etapas corretas para a realização da higienização das mãos; a segunda etapa baseou-se em uma atividade prática, onde os alunos receberam orientações sobre o desenvolvimento da atividade proposta e se dividiram em grupos de cinco pessoas. Cada grupo foi encaminhado para a sua bancada que continha os seguintes materiais: bico de Bunsen, placas de Petri contendo meio ágar nutriente, almotolias contendo solução degermante e solução alcoólica à 70%, além de água e gaze esterilizadas. Os integrantes do grupo escolheram um representante para a realização do experimento e, em seguida, dividiram a placa em quatro seções: a primeira foi identificada como seção controle e utilizada como parâmetro de qualidade do experimento. Na segunda seção, o aluno escolhido como representante do grupo colocou o dedo indicador, antes da higienização das mãos, esfregando suavemente a superfície do meio de cultura. Em seguida, lavou as mãos com água esterilizada e solução degermante, secou com gaze esterilizada e esfregou o mesmo dedo na terceira seção. Na quarta seção, após a higienização das mãos com solução degermante e álcool à 70%, o aluno novamente esfregou o dedo indicador suavemente na superfície do meio de cultura. Todo o procedimento foi realizado em volta da chama de um bico de Bunsen. Em seguida, as placas foram identificadas por grupo e incubadas a 36ºC em estufa microbiológica por 24 horas. Após este período, o experimento foi avaliado quanto ao crescimento bacteriano, comparando a quantidade e diversidade microbiana antes e após a higienização correta das mãos. Resultados e Discussão: A análise do experimento revelou uma redução expressiva e progressiva na quantidade e diversidade de colônias bacterianas, tendo a seção dois (sem higienização das mãos) o maior número e diversidade de colônias, seguida da seção três (higienização com solução degermante), que apresentou uma diminuição significativa do número de colônias e a seção quatro (higienização com solução degermante e álcool à 70%) que apresentou um número ínfimo de crescimento microbiano, demonstrando a relevância da higienização correta das mãos e sua contribuição para a diminuição da carga microbiana. Esta atividade contribuiu de forma positiva para a compreensão da importância do procedimento de higienização das mãos para a mitigação e prevenção de infecções relacionadas a serviços de saúde e a sua relevância para a segurança do paciente e do profissional. A realização de atividades práticas, experimentos laboratoriais e outras metodologias ativas nas disciplinas da graduação contribuem para o processo de ensino-aprendizagem, pois possibilita trazer os estudantes para o centro da discussão, tornando-os responsáveis pela construção do seu conhecimento. A realização das práticas laboratoriais durante as aulas de bacteriologia proporcionaram uma experiência diferenciada para os acadêmicos, pois permitiu que associassem os conteúdos teóricos e práticos da disciplina com a sua vivência profissional, favorecendo a construção do conhecimento dos discentes em formação, permitindo uma melhor assimilação dos conteúdos e contribuindo de forma significativa para a formação de profissionais mais qualificados e competentes. Vale ressaltar que as colônias bacterianas obtidas na atividade prática de higienização das mãos foram isoladas e utilizadas nas aulas seguintes de identificação bacteriana e avaliação da sensibilidade a antibióticos, favorecendo a construção do conhecimento ao longo da disciplina e a aproximação dos conteúdos com a vivência prática dos alunos de enfermagem. Considerações finais: O presente relato expõe a aplicabilidade e a relevância da utilização de experimentos laboratoriais no processo de ensino-aprendizagem dos estudantes de enfermagem, conduzindo-os a uma posição de destaque e ação nas atividades e expondo um olhar mais laboratorial a profissão, aprimorando as questões práticas e científicas sobre higienização das mãos, formando um alicerce crítico por meio das experiências obtidas no laboratório, corroborando assim em sua formação profissional e educativa.

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Publicado

27-04-2024