O IMPACTO DA SUBNOTIFICAÇÃO DO COVID-19

Autores

Palavras-chave:

Infecções por coronavírus, Notificação de doenças, Sistemas de informação em saúde

Resumo

Introdução: desde o início do ano de 2020 os casos de Coronavírus (COVID-19) dispararam no mundo todo ocasionando às diversas instituições de pesquisa e governos a criarem ferramentas para o monitoramento da pandemia.3 No final de fevereiro e em meados de março, quando a pandemia chegou ao Brasil, já ficou evidente a incapacidade do governo federal de gerir as informações epidemiológicas, contribuindo para o que se tem chamado de subnotificação.2 Para acompanhar a evolução dessa doença, o número de casos confirmados pelo COVID-19 é o dado mais importante para esta compreensão. Entretanto, o pequeno número de testes realizados bem como a rápida disseminação da pandemia tornam difícil estimar o número real de casos e provocam subnotificação em diferentes países.4 Conforme protocolo do Ministério da Saúde (MS) a notificação deve ser realizada no e-SUS Vigilância Epidemiológica (e-SUS-VE), sendo esta uma ferramenta de registro de notificação em todo o território nacional de casos suspeitos e confirmados do novo coronavírus. Caso seja realizado teste laboratorial diagnóstico da COVID-19, RT-qPCR ou sorológico, o resultado também deve ser registrado no sistema. O processamento da base de dados garante a identificação única do paciente.1 Além disto, o registro no e-SUS-VE permite que as equipes de saúde da Atenção Primária à Saúde (APS) informem sobre as ocorrências de maneira ágil, auxiliando a gestão no monitoramento e na análise da situação epidemiológica da transmissão da COVID-19.1 contextualizar com os elementos centrais que introduzem o objeto de estudo a partir da literatura nacional e/ou internacional.1 Objetivo: identificar os impactos gerados pela subnotificação de coronavírus (COVID-19) à saúde. Metodologia: estudo do tipo revisão da literatura realizado a partir de referenciais teóricos sobre as temáticas: coronavírus, COVID-19 e subnotificação. Buscou-se artigos científicos entre os meses de junho e julho de 2020, em diferentes bases de dados nos idiomas inglês, português e espanhol. Incluiu-se artigos científicos publicados entre 2019 e julho de 2020. Excluiu-se literatura cinzenta, como cartilhas e vídeos. A análise deu-se pela leitura aprofundada de evidências científicas sobre a temática. A análise dos dados deu-se por análise de Bardin, emergindo duas categorias. Resultados e Discussão: após leitura aprofundada das evidências científicas, identificou-se duas categorias: impacto da subnotificação da COVID-19 nas políticas públicas de saúde e impacto da subnotificação da COVID-19 à sociedade. Os impactos gerados pela subnotificação da COVID-19 nas políticas públicas estão atreladas ao monitoramento, avaliação e implementação de medidas preventivas municipais e estaduais. Um estudo prévio estimou que apenas 7,8% dos casos no Brasil são notificados, fato este, que conduz a falsas conclusões de que a doença está sob controle 4, pois o número de testagens na população é reduzido. Diante disto, o monitoramento da progressão da pandemia no Brasil, compromete-se pela restrição aos testes de COVID-19, afetando deste modo o planejamento de recursos e a avaliação da eficácia das medidas de controle, assim como a comparação com outras regiões e países.4 Alguns fatores podem estar relacionados a subnotificação no Brasil pelo COVID-19, como a dificuldade operacional na testagem da população, tendo como consequência o aumento na demora na realização e consequentemente aos resultados dos exames; às orientações de realizar testes somente em casos mais graves bem como a falta de novos exames; a capacidade de obter os resultados dos exames, no qual variam entre os hospitais e instituições. Portanto à medida que aumenta o número de exames à espera de confirmação, retarda-se também o número de óbitos notificados.4 A taxa de mortalidade provocada pela COVID-19 também pode estar equivocada, visto a incerteza de pessoas infectadas, o que conduz a discrepâncias estaduais e municipais. Tais discrepâncias prejudicam o monitoramento e manejo dos pacientes. Conforme o Protocolo de manejo ao coronavírus publicado pelo MS, as pessoas com sinais e sintomas devem ser testadas, e caso apresentem resultado positivo, ficariam isoladas e demais familiares monitorados. Para tal, a APS não tem respaldo dos números de afetados em sua região e principalmente das possíveis intervenções a serem desempenhadas em sua área de cobertura. Visto que os dados vão auxiliar na tomada de decisão acerca das medidas locais de isolamento social e nas ações de suporte da capacidade hospitalar instalada no município e nos serviços de referência da rede. Além disso, os órgãos de controle utilizarão as notificações do e-SUS-VE para verificar o uso correto dos testes sorológicos distribuídos pelo governo federal aos municípios.1 Os impactos identificados na sociedade originados pela subnotificação dos casos de COVID-19 são remetidos à aspectos de adesão ou internalização das medidas preventivas à infecção.  O impacto da subnotificação para a COVID-19 à sociedade pode estar associado com a falta de adesão da comunidade, pois não demonstra de forma fiel a disseminação da doença. Para tal, a comunidade não internaliza medidas preventivas como o uso de máscaras, isolamento social e boas práticas de higiene. Mais precisamente, pode-se afirmar que a ausência de clareza sobre a COVID-19 acarreta em uma maior disseminação da doença e consequentemente levando a insustentabilidade do sistema de saúde. Visto que ao adotar as medidas preventivas corroboram para que o risco de transmissão do vírus na rua e nos ambientes fechados diminua. A subnotificação da mortalidade provocada pela COVID-19 também não identificará o perfil dos acometidos pela doença e assim, comprometerá a identificação de grupos de risco. As projeções sobre o comportamento da pandemia e o futuro da epidemia são essenciais para dar o suporte técnico-científico na definição de cenários atuais e futuros, propiciando meios para a tomada de decisão. Essas projeções servem também para que se avalie o impacto das medidas implementadas e se estabeleça um planejamento para a suspensão ou ajustes nas medidas evitando que o vírus infecte a totalidade da população. Considerações finais: a ausência de clareza sobre a COVID-19 inibe na formulação de estratégias para o direcionamento de recursos da saúde e financeiros, bem como a formulação da testagem localizada. Deste modo não havendo um direcionamento às três instâncias da federação ao caminho correto para o retorno gradual das atividades econômicas, profissionais e culturais. Além disto, a ampliação na capacidade na realização de testes diagnósticos e da notificação adequada da população sintomáticos e seus contatos, permitirá uma variedade de cenários de nossa sociedade, refletindo deste modo a sua heterogeneidade social e demográfica. Diante disto, torna-se essencial e emergente a identificação dos casos de COVID-19, permitindo estimar o número de infectados/infectantes na população e a demanda necessária ao paciente com COVID-19 nos diferentes níveis de atenção à saúde.

Biografia do Autor

  • Eduardo Lopes Pereira, Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA

    Estudante de Enfermagem, Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA

  • Letice Dalla Lana, Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA

    Enfermeira, Drª, Professora, Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA.

  • Paulo Emilio Botura Ferreira, Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA

    Biólogo, Dr, Professor, Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA

Publicado

27-04-2024