CARACTERIZAÇÃO DE ACADÊMICOS DO PRIMEIRO ANO DE ENFERMAGEM EM RELAÇÃO AOS NÍVEIS DE ANSIEDADE E DEPRESSÃO NO DECORRER DE UM ANO

Autores

  • Carolina Pasinatto Unioeste - Cascavel
  • Ariana Rodrigues da Silva Carvalho Unioeste - Cascavel
  • Emanuele Finkler Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Cascavel
  • Camila Pereira Luiz Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Cascavel
  • Isabela Lopes Carvalho Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Cascavel
  • Tarcísio Vitor Augusto Lordani Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Cascavel

Palavras-chave:

Avaliação em saúde; Diagnóstico da situação de saúde; Transtornos de ansiedade; Transtorno depressivo.

Resumo

Introdução: O ingresso na universidade traz mudanças significativas no que tange o estilo e a qualidade de vida dos indivíduos em questão, associado a fatores como distanciamento geográfico familiar, baixa renda mensal, carga horária de estudos mais elevadas, e a própria cobrança alicerçada sobre o acadêmico. Tais fatores são gatilhos para a sintomatologia de patologias como a ansiedade e depressão, aliando-se ao estresse vivido.¹ A experiência da prática clínica, o relacionamento com o paciente, o sofrimento psíquico e o medo de cometer erros são apontados como principais fatores desencadeadores de ansiedade, acrescidos as situações em que devem lidar com a iminência de morte.² Se faz necessário que profissionais envolvidos no processo de formação dos estudantes, como docentes, administrativos da universidade, entre outros, estejam atentos não só para identificar as expressões clínicas de ansiedade e depressão dos estudantes, mas também desenvolver serviços de apoio adequados para eles.³ Objetivo: Identificar os níveis de ansiedade e depressão entre os estudantes do primeiro ano de enfermagem em uma universidade pública do Paraná, em três momentos diferentes durante um ano. Metodologia: Estudo quantitativo, descritivo, longitudinal. O estudo foi realizado em uma universidade pública no interior do Paraná, com acadêmicos matriculados no primeiro ano do curso de enfermagem. As coletas de dados ocorreram em março, julho e novembro de 2019, por meio de instrumento validado para avaliação da ansiedade e da depressão (Hospitalar Anxiety and Depression Scale – HADS, versão traduzida e validada para o português do Brasil), bem como um instrumento de caracterização sociodemográfica e acadêmica dos sujeitos, construído para este estudo e validado (face, conteúdo e semântica) por especialistas na área da educação e da saúde mental. Os instrumentos são autoaplicáveis e foram respondidos após devida orientação. A primeira coleta foi feita por instrumento físico, de forma presencial e, a partir da segunda coleta, foi utilizada a ferramenta Google Forms, por meio digital. O presente estudo faz parte de um estudo matricial denominado “Qualidade de vida relacionada à saúde e suas vertentes: investigação do impacto positivo e negativo sobre a vida diária do ser humano”, já aprovado pelo Comitê de ética em pesquisa da Unioeste, sob o número CAAE 84505918.6.0000.0107, Parecer nº 2.588.565 de 09 de abril de 2018. O presente estudo foi encaminhado como emenda para apreciação. Os dados coletados foram processados e analisados no programa Statistical Package for the Social Sciencies (SPSS) versão 23.0, por meio de análises descritivas, que responderam aos objetivos do estudo. A confiabilidade da escala HADS foi avaliada pela consistência interna dos seus itens, medida pelo Coeficiente de Alfa de Cronbach, com evidência de confiabilidade, os valores acima de 0,70. Resultados e Discussão: Dentre os 39 alunos matriculados no primeiro ano do curso de enfermagem, 16 (41,02%) participaram das três etapas da pesquisa (começo, meio e fim do ano). Desses 13 (81,3%) são do sexo feminino e 3 (18,8%) masculino; maioria expressiva formada por mulheres, comumente evidenciada pela profissão, segundo o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). No que diz respeito ao principal foco da pesquisa sobre ansiedade e depressão em acadêmicos de enfermagem, os dados foram analisados e classificados em “casos”, “não casos” e “casos duvidosos”; maiores valores para HADS indicam maior presença de sintomas de ansiedade e depressão. Coletados e estudados em três momentos distintos durante um ano; divididos em primeira, segunda e terceira medida. No presente estudo, a avaliação foi realizada pela forma descritiva dos componentes de ansiedade e depressão, em que resultados obtidos em cada subescala, consideram o intervalo possível de 0 a 21, sendo que os maiores valores indicam maior presença de sintomas. No que se refere ao dado “ansiedade”, os valores para “casos”, “não casos” e “casos duvidosos” respectivamente são para a primeira coleta: 9 (56,31%), 6 (37,5%) e 1 (6,3%); com média 9,8 e desvio padrão de ± 3,8; mediana equivalente à 11,0; com valores variando de 2 – 15 e a confiabilidade com Alfa de Cronbach 0,71. Já na segunda coleta: 6 (37,5%), 6 (37,5%) e 4 (25,0%); com média 8,9 e desvio padrão de ± 4,1; mediana equivalente à 8,5; com valores variando de 3 – 16 e a confiabilidade com Alfa de Cronbach 0,82. E por fim na terceira coleta: 6 (37,5%), 5 (31,3%) e 5 (31,3%); com média 9,3 e desvio padrão de ± 4,7; mediana equivalente à 8,5; com valores variando de 2 – 21 e a confiabilidade com Alfa de Cronbach 0,84.Para dado “depressão”, os valores para “casos”, “não casos” e “casos duvidosos” respectivamente são na primeira coleta: 2 (12,5%), 9 (56,3%) e 5 (31,3%); com média 7,2 e desvio padrão de ± 3,7; mediana equivalente à 6,5; com valores variando de 2 – 16e a confiabilidade com Alfa de Cronbach 0,77. Na segunda coleta: 4 (25,0%), 9 (56,3%) e 3 (18,8%); com média 6,9 e desvio padrão de ± 3,7; mediana equivalente à 6,5; com valores variando de 2 – 13 e a confiabilidade com Alfa de Cronbach 0,82. Por fim, na terceira coleta: 4 (25,0%), 8 (50,0%) e 4 (25,0%); com média 7,1 e desvio padrão de ± 4,3; mediana equivalente à 7,5; com valores variando de 0 – 16 e a confiabilidade com Alfa de Cronbach 0,8. Nas três medidas avaliadas pode ser notar valores maiores de ansiedade do que para depressão em todas elas; com ênfase na primeira coleta (cerca de um mês após os início das atividades letivas) onde 9 (56,31%) dos acadêmicos estudados apresentaram, pela HADS, sinais e sintomas de ansiedade, considerando assim caso para ansiedade. Fator evidenciado por ser a fase mais crítica do ano letivo, onde maiores mudanças ocorrem na vida pessoal, distanciamento do grupo de velhos amigos e família, tendo a necessidade e o desafio de criar novos vínculos afetivos; e onde tem-se a surpresa da tamanha carga horária de disciplinas básicas da área da saúde, trazendo consigo um sentimento de incapacidade em cumprir tudo o que é proposto. O pior cenário para depressão foi observado na terceira coleta com mediana em 7,5 e média 7,1 ± 4,3 de desvio padrão; conjuntura que tem relação com decepções acumuladas ao longo do ano, com esgotamento, acúmulo de provas a trabalhos, o findar das disciplinas e exames de recuperação e reprovações. Tudo isso evidencia elevado índice de depressão entre acadêmicos de enfermagem, em comparativo a estudos anteriores, evidenciado principalmente, ambos fatores (ansiedade e depressão) a fatores de sobrecarga da vida acadêmica e pessoal e angústia esclarecido por fatores de sentimento de baixa autoestima e despreparo para a vida profissional.⁴ Considerações finais: Com esse estudo foi possível identificar os níveis de ansiedade e depressão entre estudantes de enfermagem que iniciam a graduação durante um ano; onde apresentamos níveis de ansiedade maior ao ingresso ao primeiro ano letivo, fatores evidenciados pela necessidade de adaptação ao novo cenário; e índices de sintomas de depressão apresentados ao findar do ano letivo onde a tensão e níveis de estresse se acentuam. Promover saúde entre adolescentes, jovens e adultos em período acadêmico exerce papel essencial considerando a exposição ao estresse todos os dias, muitas vezes, de modo silencioso e invisível aos que compõem seu círculo social; sendo percebido em circunstâncias já severas do adoecimento principalmente o mental.

Publicado

27-04-2024