MÍDIAS SOCIAIS E IMUNIZAÇÕES: PERSPECTIVAS DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE
Palavras-chave:
vacinação; mídias sociais; promoção da saúde; atenção primária à saúde; profissionais da saúdeResumo
Introdução:A vacinação é uma ação individual e, por mais que seja uma escolha própria ou quando se tratar de crianças, a escolha é dos responsáveis, as consequências não são apenas individuais, pois existe a chamada proteção coletiva, que se refere a quando uma pessoa promove proteção a outras por estar imunizada. Nesse sentido, quanto maior a cobertura vacinal, maior será a proteção da comunidade em que esta pessoa está inserida e de seus contatos frequentes, sendo assim a vacinação vai além da autonomia, é uma questão de responsabilidade social, para com a saúde pública e todo o coletivo¹. No âmbito da saúde, é necessário que os profissionais possuam propriedade sobre o tema e conheçam todo o contexto social o qual está inserido, como funciona a dinâmica daquela comunidade e como é a população adscrita no território². Um meio de aumentar o contato profissional - paciente e disseminar informações e promover a saúde de todos. Nesse sentido, pode-se e deve-se utilizar as mídias sociais como ferramenta potencializadora desta inter relação, ou seja usufruir do movimento, denominado por Maffesoli como tecnossocialidade, ou seja, utilizar a tecnologia que está tão presente em nossos cotidianos atualmente como facilitadora na socialização². Objetivo: O presente resumo tem por objetivo promover a reflexão acerca da influência da tecnossocialidade no quotidiano dos profissionais de saúde, no âmbito das imunizações de crianças menores de um ano. Metodologia: Estudo descritivo do tipo reflexivo utilizando como referencial teórico a Sociologia Compreensiva e do Quotidiano de Michel Maffesoli, realizado através de buscas em publicações científicas e manuais ministeriais. Resultados e Discussão: A hesitação vacinal, novo termo que surgiu para definir quem não aceita ou posterga a vacinação, pode ser decorrente de muitas questões algumas delas são a falta de conhecimento acerca da eficácia dos imunobiológicos, assim como questões limitantes como a condição socioeconômica. Como consequência da não vacinação existe uma alta probabilidade de que doenças já erradicadas ou controladas reapareçam ou ganhem intensidade, causando novas ondas e surtos que durante o percurso histórico acometeram milhares de pessoas e levaram a centenas de mortes ou sequelas em quem as contraiu, sendo que o melhor meio de prevenção é por meio da vacinação¹. O grupo SAGE (Working Group on Vaccine Hesitancy), relatou em sua pesquisa que a ação de se vacinar é resultado da alguns fatores sendo eles: confiança, complacência e conveniência, sendo de relevância a confiança nos profissionais de saúde4. A aceitação da vacinação pode ser decorrente da sua eficácia, ironicamente, pois com a erradicação das doenças, cria-se uma falsa sensação de tranquilidade, por não visualizar as consequências da doença em um determinado território, criança assim a visão de que não há mais necessidade de vacinar4. Acerca da hesitação vacinal, existem diversas situações conflituosas as quais o indivíduo irá se encontrar, estas questões estão presentes em vários ambientes, e as mídias sociais são um ambiente muito importante para a formação de opinião, pois é um meio que contém várias informações e debates sobre o tema³. Porém, a disseminação desses dados por vezes, apresentam conteúdos apelativos, informações baseadas em pesquisas sem rigor metodológico e não necessariamente coesos, atingindo pais ou responsáveis. Estes, buscando a melhor alternativa para seus filhos. aceitam as informações que recebem pensado ser o mais correto, sem criticar ou verificar a credibilidade destas informações, e às vezes acabam aceitando uma informação recebida que não é adequada ou mesmo verídica³. As imunizações, no Brasil passaram e ainda passam por adversidades, muitas por conta das informações que permeiam a comunidade¹. Com objetivo de garantir a proteção a saúde dos indivíduos e eliminar doenças imunopreveníveis, foi criado em 1973 o Programa Nacional de Imunizações, através da Lei nº 6.259/75, sendo este de grande relevância para a promoção de saúde, e em 1977 através da Portaria nº452 foi instaurado o calendário vacinal, que demarca as vacinas que uma pessoa deve receber ao longo de sua vida, estas são voltadas prioritariamente para a vacinação em crianças de zero há um ano¹. Percebe-se então que a promoção de saúde, tem papel fundamental no que tange a manutenção da saúde da comunidade e diminuição de casos de doenças imprevisíveis, sendo que esta visa a diminuição das desigualdades, proporcionando uma qualidade de vida melhor a todos². Nesse contexto, se faz necessário que os profissionais de saúde pensem e desenvolvam ações voltadas à promoção da saúde, reconhecendo as potencialidades e limitações da sua comunidade, para realizar o cuidado integral de cada indivíduo², além de realizar uma escuta ativa durante as consultas se atentando para o saber do paciente para então após possa desenvolver uma explicação sobre as vacinas³.Ressalta-se ainda, que os profissionais da saúde envolvidos nos processos d vacinação, podem usufruir das potencialidades da tecnossocialidade para, se aproximar cada vez mais dos usuários do sistema de saúde, empoderando-os e disseminando informações confiáveis acerca dos benefícios e confiabilidade dos imunobiológicos, utilizando assim, as interações por meio das mídias sociais, para facilitar o seu processo de trabalho. Considerações finais: Pela literatura analisada até o momento, pode-se compreender que, o movimento da tecnossocialidade, se compreendida e utilizada de forma correta, contribui imensamente para a aproximação entre profissional de saúde e a população em geral, podendo ser uma ferramenta de compartilhamento de informações e estreitamente de contato. Sabe-se que atualmente os indivíduos buscam cada vez mais informações acerca da sua saúde através dos meios digitais, assim, deve-se buscar reconhecer o espaço das mídias sociais como de suma importância como promotor da saúde, utilizando-se desta ferramenta para a troca de informações corretas, atuais e seguras desenvolvidas por pesquisas científicas confiáveis². Estreitando o laço com a comunidade a qual se pertence e possibilitando a sensibilização desta população acerca das questões discutidas no contexto da vacinação e muitas outras questões que envolvem a saúde.
