PERFIL INFECCIOSO DE PACIENTES SUBMETIDOS AO TRATAMENTO HEMODIALÍTICO
Palavras-chave:
Insuficiência Renal Crônica; Infecção; Diálise Renal.Resumo
RESUMO EXPANDIDO
Introdução: A insuficiência renal crônica (IRC) é estabelecida pela diminuição do nível da função renal ou presença de lesão renal por três meses ou mais, independente do diagnóstico de base, com ou sem diminuição da filtração glomerular (FG) (< 60mL/min/1,73m2).¹ A IRC têm diferentes tipos de tratamentos, as chamadas terapias renais substitutivas (TRS), como: a diálise peritoneal, a hemodiálise (HD) e o transplante renal (Tx). A HD é a TRS mais utilizada para a IRC. Essa modalidade de tratamento possibilita a troca de líquidos, eletrólitos e produtos metabólicos entre o sangue e o dialisato, por meio da filtração sanguínea e através de uma membrana semipermeável, que pode ser um dialisador ou rim artificial. Esse procedimento exige a manutenção de acesso venoso contínuo, geralmente obtido por cateteres venosos centrais ou fístulas arteriovenosas e próteses.² Dados epidemiológicos da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) apontam que o número total estimado de pacientes com IRC em tratamento dialítico no país, em 2017, era de 126.583; dos quais 93,1% estavam em HD.¹ Indivíduos submetidos a esse tipo de terapia têm grande tendência a desenvolver infecções, em razão dos efeitos imunossupressores causados pela IRC, das comorbidades associadas à doença, principalmente por diabetes mellitus e malignidades. A má nutrição relacionada à uremia e a necessidade de manutenção do acesso vascular para o tratamento hemodialítico também são fatores de risco para infecções.² Além disso, estudos demonstram que as infecções são responsáveis por frequentes internações e compõem a segunda causa de óbitos de pacientes em HD.¹ Objetivo: Identificar o perfil infeccioso em pacientes renais crônicos que realizam hemodiálise em uma clínica especializada. Metodologia: Trata-se de um estudo observacional, exploratório e transversal desenvolvido na Clínica Renal do Oeste, na cidade de Chapecó-SC. Verificou-se os prontuários de todos os 167 pacientes em TRS em HD, de ambos os sexos, independente da faixa etária. Foram utilizados como critérios de inclusão: a presença de qualquer tipo de infecção no primeiro ano de tratamento hemodialítico, dos últimos cinco anos do início da pesquisa (primeiro de janeiro de 2013 a trinta e um de dezembro de 2018). Foram excluídos do estudo os pacientes que evoluíram a óbito nesse período. As informações necessárias como idade, gênero, tempo de hemodiálise, medicações em uso, doença base, exames laboratoriais, número de episódios no ano de infecções, transfusões sanguíneas e outros dados foram coletadas pelo prontuário eletrônico NephroSys e concomitantemente tabuladas em planilha do Microsoft Excel 2016. Para a análise estatística completa e melhor aproveitamento dos dados, considerou-se um novo caso de infecção a cada agente bacteriano identificado, independente de simultaneidade. Após essa etapa, os dados serão submetidos aos testes estatísticos adequados para cada amostra. A amostra final foi composta por 60 pacientes. Esta pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), conforme número do CAAE 49503215.4.0000.5564, de acordo com as Resoluções 466/2012 e 510/2016, ambas do Conselho Nacional de Saúde. Resultados e Discussão: O maior número de infecções no primeiro ano após o início do tratamento hemodialítico prevaleceu em pacientes do sexo masculino, representando 65%, resultado similar à estudos que avaliam dados sociodemográficos desses pacientes. A faixa etária mais acometida foi a de 60 a 79 anos de idade, correspondendo a 48,3%. Em 2017, de acordo com o levantamento de dados de unidades de diálise do país, 34,2% dos pacientes em HD tinham idade ≥ 65 anos. A predominância de idosos em HD exige cuidados bem definidos a esse perfil de paciente, que, além de ter todas as características fisiológicas decorrentes do processo natural do envelhecimento, estão em tratamento hemodialítico.² A nefropatia diabética e a nefropatia hipertensiva predominaram como doença base da IRC, identificadas em 31,6% e 11,6% dos diagnósticos, respectivamente. Pesquisas mostram que, no Brasil, essas causas primárias de IRC têm proporções semelhantes às encontradas neste estudo, com pouca variação significativa nos últimos anos.³ Pacientes diabéticos em hemodiálise apresentam menor sobrevida quando comparados aos não-diabéticos, resultado provavelmente associado ao envolvimento vascular e a aterogênese acelerada.⁴ As infecções de trato urinário foram verificadas em 25%. O principal agente etiológico das infecções foi a bactéria Escherichia coli, presente em 34,7% das culturas coletadas, seguido do Staphylococcus aureus, com incidência de 17,4%. Infecções causadas por microrganismos resistentes como Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella pneumoniae, Enterococcus spp e Staphylococcus aureus são considerados um problema mundial de saúde pública. Estudos apontam que bactérias gram-positivas estão mais associadas à infecções, e que os S. aureus são os mais frequentes em cepas de pacientes em hemodiálise.5 Os dados obtidos se aproximam com a literatura atual, uma vez que a bactéria supracitada foi a segunda mais frequente neste estudo. Considerações finais: Pode-se perceber que há diferentes fatores que influenciam no desenvolvimento de uma infecção. Dessa forma, espera-se que os profissionais da saúde, especialmente os enfermeiros, estejam habilitados para identificar os fatores de riscos para infecções, bem como tratar esses e outros episódios decorrentes do tratamento hemodialítico. Com a finalização deste estudo, espera-se identificar o perfil infeccioso desses pacientes, viabilizando o planejamento de uma assistência direcionada à prevenção e, consequentemente, à redução do ingresso de pacientes em terapia renal substitutiva.
