FORTALECIMENTO DA PERMANÊNCIA ESTUDANTIL INDÍGENA POR MEIO DA MONITORIA E DO ACOMPANHAMENTO ACADÊMICO: AUTONOMIA, PROTAGONISMO E VALORIZAÇÃO CULTURAL NO AMBIENTE UNIVERSITÁRIO   

Autores

  • Noan Da Cruz Silva Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)
  • Bruno Willian Henkes Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)
  • Andreia Florencio Eduardo de Deus Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)
  • Everton Artuso Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)

Palavras-chave:

Monitoria acadêmica , Permanência estudantil indígena, Autonomia estudantil, Educação libertadora e inclusiva, Protagonismo estudantil

Resumo

A permanência estudantil indígena no ensino superior ainda representa um desafio para as universidades públicas brasileiras, especialmente diante das dificuldades relacionadas à adaptação acadêmica, produção textual, organização dos estudos e permanência social e cultural no ambiente universitário. Objetivo é fortalecer a permanência estudantil indígena na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Campus Realeza, por meio de ações de monitoria e acompanhamento acadêmico voltadas ao acolhimento, orientação e construção da autonomia dos estudantes. O projeto fundamentou-se na perspectiva dialógica de Paulo Freire, compreendendo a educação como prática de liberdade, valorizando o diálogo, a escuta, o respeito às vivências culturais e a construção coletiva do conhecimento. A monitoria foi compreendida não apenas como apoio pedagógico, mas também como espaço de troca de saberes, fortalecimento identitário e incentivo ao protagonismo estudantil. A metodologia adotada possui caráter qualitativo e descritivo, sendo desenvolvida por meio de atendimentos individuais e monitorias coletivas com estudantes indígenas da graduação. As ações envolveram auxílio em conteúdos acadêmicos, orientação para organização dos estudos, acompanhamento das demandas apresentadas pelos estudantes e mediação entre monitoria, docentes e universidade. Durante o período de desenvolvimento do projeto foram realizados aproximadamente 160 atendimentos individuais e 12 monitorias em grupo, com média de quatro estudantes participantes por encontro. As atividades ocorreram de forma presencial, considerando as necessidades específicas apresentadas pelos acadêmicos e buscando construir um ambiente acolhedor e horizontal de aprendizagem. Os resultados demonstraram que as ações de monitoria contribuíram significativamente para o fortalecimento da permanência estudantil indígena, promovendo maior participação acadêmica, aproximação dos estudantes com os componentes curriculares e desenvolvimento da autonomia no processo de aprendizagem. Também foi possível observar maior confiança dos acadêmicos em relação à expressão de dúvidas, participação em sala de aula e busca por acompanhamento pedagógico. A perspectiva freireana mostrou-se essencial para a construção de práticas mais humanas e inclusivas, nas quais os estudantes fossem reconhecidos em suas singularidades culturais e sociais. Assim, compreende-se que a monitoria acadêmica, quando associada ao acolhimento e ao diálogo, constitui uma importante rede de apoio para permanência, inclusão e valorização das identidades indígenas no espaço universitário.

 

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Publicado

17-09-2026