PROPOSTA DE UM GLOSSÁRIO PORTUGUÊS-TICUNA COMO ABORDAGEM PEDAGÓGICA E DE INCLUSÃO NO ENSINO DE BIOQUÍMICA
Palavras-chave:
Ensino de Bioquímica; Educação indígena; Ticuna.Resumo
No século XX, o governo brasileiro implementou políticas integracionistas, que visavam localizar as populações indígenas e integrá-las à sociedade dominante. Essas políticas integracionistas foram implementadas por meio da educação e da abertura de novas fronteiras agrícolas. Contudo, nos anos 1970, tais políticas foram substituídas por uma abordagem que valorizava a diversidade e o direito a um sistema educacional destacando as comunidades autóctones e o protagonismo indígena. O ensino de Bioquímica no ensino superior apresenta desafios, que incluem a complexidade da visualização molecular e o uso de terminologia técnica. O presente estudo tem como objetivo desenvolver um glossário português–Ticuna de terminologias bioquímicas, elaborado de forma colaborativa por estudantes indígenas, visando contribuir para a mediação do conhecimento científico, fortalecimento da língua materna Ticuna e promoção da inclusão intercultural no ensino de Bioquímica. A abordagem inicial inclui a realização de um levantamento bibliográfico de terminologias bioquímicas presentes em livros acadêmicos e materiais didáticos da área, etapa conduzida pelos estudantes-monitores do projeto. Posteriormente, os termos selecionados serão discutidos e traduzidos por estudantes indígenas-Ticuna vinculados ao projeto de extensão AfirmaSUS da Universidade Federal da Fronteira Sul campus Realeza, considerando aspectos linguísticos, culturais e conceituais da língua materna. Após o processo de tradução e adaptação terminológica, o glossário será organizado em formato bilíngue contendo os termos em português, suas equivalências em Ticuna e definições contextualizadas, visando contribuir para a mediação do conhecimento científico, fortalecimento da língua Ticuna e promoção da inclusão intercultural no ensino de Bioquímica. O projeto fundamenta-se nos pressupostos da lexicografia pedagógica, da terminologia aplicada ao ensino e da educação intercultural, compreendendo a linguagem científica como elemento central na construção do conhecimento acadêmico e na aprendizagem significativa. A aprendizagem está diretamente relacionada à articulação entre o conhecimento científico e os referenciais culturais dos estudantes, sendo a linguagem um fator determinante nesse processo. A participação ativa dos estudantes é estruturada na perspectiva sociocultural da aprendizagem, na qual a construção do conhecimento ocorre por meio da mediação linguística e da interação coletiva. Além disso, considera-se que a valorização da língua materna contribui para maior apropriação conceitual e fortalecimento identitário no ambiente acadêmico. A proposta caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa de abordagem participativa que surge a partir da necessidade de garantir um desenvolvimento inclusivo para os povos indígenas e promover conexões educacionais e comunitárias para eles dentro de suas culturas anfitriãs.
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