CATALOGAÇÃO E LEVANTAMENTO PRIMÁRIO DE COLEÇÃO DE MUSEU DE ZOOLOGIA: ORGANIZAÇÃO DE ESPÉCIMES EM VIA ÚMIDA E SECA

Autores

  • Daniele Maria Eberhardt Universidade Federal da Fronteira Sul
  • Dr. Alexandre Manoel dos Santos Universidade Federal da Fronteira Sul
  • Dra. Franciele Fernanda Kerniske Universidade Federal da Fronteira Sul
  • Dra. Chariane Camila Werlang Universidade Federal da Fronteira Sul

Palavras-chave:

Curadoria Biológica. Coleção Zoológica. Catalogação.

Resumo

As coleções zoológicas representam o testemunho mais evidente da biodiversidade, atuando como repositórios essenciais para estudos de taxonomia, evolução e conservação (Brandão et al., 2021; De Vivo et al., 2014). No Brasil, a maioria destes acervos reside em instituições universitárias que enfrentam desafios significativos de infraestrutura e financiamento para a salvaguarda de espécimes-testemunho (Silva et al., 2024; De Vivo et al., 2014). Este trabalho descreve a primeira etapa da curadoria de uma coleção de Museu de Zoologia da Universidade Federal da Fronteira Sul  (UFFS), campus Laranjeiras do Sul, com enfoque no levantamento primário e na catalogação sistemática de exemplares. O objetivo central foi realizar o inventário completo do acervo, definindo uma numeração única por unidade de armazenamento e o método de preservação adequado. A fundamentação teórica baseia-se na curadoria técnica, que define a coleção como um patrimônio material da humanidade e um bem público, cuja missão é a preservação perene da fauna (De Vivo et al., 2014; Brandão et al., 2021). A metodologia consistiu na triagem e catalogação de espécimes preservados em via úmida contendo aranhas, estrelas-do-mar, água-viva, entre outros, e via seca, incluindo conchas, insetos e peixes empalhados, seguindo protocolos de conservação que visam garantir a integridade física do material (Brandão et al., 2021). Para cada unidade catalogada, foi atribuído um número sequencial, além do registro de informações taxonômicas (Filo, Grande Grupo e Táxon), número de indivíduos, localidade e data de coleta. Os resultados demonstram a catalogação de 218 unidades de armazenamento, abrangendo uma vasta diversidade de Invertebrados, como Porifera, Cnidaria, Nematoda, Annelida, Mollusca (Bivalvia, Gastropoda e Cephalopoda), Arthropoda (Arachnida, Crustacea e Insecta) e Echinodermata, além de Vertebrados (Chordata), com exemplares de anfíbios (Rhinella icterica), répteis (Bothrops jararaca), peixes e mamíferos (Rattus), e material osteológico de roedores. O principal desafio foi a diversidade tipológica e a carência de dados de procedência, resultando em espécimes sem informações de coleta, o que dificulta sua plena documentação científica. Conclui-se que a etapa de catalogação e organização inicial é essencial para futuras ações de conservação, pesquisa e gerenciamento do acervo, permitindo o monitoramento contínuo dos espécimes e o controle de deterioração por agentes biológicos, como fungos e insetos, considerados um dos principais entraves para a manutenção de coleções zoológicas no país (Silva et al., 2024; Brandão et al., 2021).

 

Downloads

Publicado

17-09-2026