INCLUSÃO DIGITAL NO CONTEXTO UNIVERSITÁRIO: OFICINAS FORMATIVAS PARA ESTUDANTES INDÍGENAS NO ENSINO SUPERIOR
Palavras-chave:
Inclusão Digital. Alunos Indígenas. Monitoria digital. Permanência Universitária.Resumo
A inserção de estudantes indígenas no ensino superior representa um avanço importante no acesso à educação, mas também evidencia desafios relacionados à permanência e adaptação ao contexto acadêmico. Na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), muitos estudantes indígenas ingressantes vinculados ao Programa Nacional Indígena (PIN) chegam à universidade enfrentando dificuldades no uso das tecnologias e sistemas institucionais, fundamentais para o acompanhamento da vida acadêmica. Entre essas dificuldades destacam-se o acesso e manejo do e-mail institucional, a utilização do Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGGA), a produção de trabalhos acadêmicos em plataformas digitais e o uso dos serviços oferecidos pela biblioteca universitária. Nesse contexto, se insere o programa de monitoria, amparado pela resolução Nº 31/CONSUNI/CGAE/UFFS/2021, que estabelece a responsabilidade institucional de promover a democratização do acesso e permanência; a diversidade do público que procura a universidade; a aproximação com a prática docente no ensino superior e a contribuição para a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem nos cursos de graduação. Dessa forma, o programa de monitores torna-se essencial para o processo de adaptação, inclusão e permanência desses estudantes na UFFS. A partir dessa realidade, foi desenvolvido o projeto de inclusão digital, dirigido principalmente aos estudantes da primeira fase ingressado pelo PIN, com o objetivo de oferecer oficinas de apoio tecnológico que contribuam para o desenvolvimento de competências digitais e acadêmicas, favorecendo sua autonomia no ambiente universitário. As oficinas foram realizadas em um dos laboratórios de informática da universidade, espaço fundamental para a execução do projeto, considerando que grande parte dos estudantes não possui computador ou acesso a recursos tecnológicos fora do ambiente acadêmico. A metodologia adotada é baseada em aulas expositivas dialogadas, com explicação inicial dos conteúdos, acompanhamento individualizado e orientação prática passo a passo, por meio de atividades realizadas, por eles, diretamente no computador. Entre os conteúdos trabalhados destacam-se o uso do e-mail institucional, Google Drive, Google Docs, Canva, o SIGAA e os serviços da biblioteca universitária. Os resultados apresentados na sala evidenciaram maior familiarização dos estudantes com os sistemas institucionais, além do desenvolvimento de habilidades essenciais para a vida acadêmica, como a organização de arquivos, produção de trabalhos acadêmicos, comunicação institucional e criação de apresentações de trabalhos. Conclui-se que o projeto de Inclusão Digital desempenha papel fundamental no processo de acolhimento e adaptação dos estudantes indígenas ingressantes, contribuindo significativamente para sua permanência, autonomia e fortalecimento da sua trajetória acadêmica no ensino superior.
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