POR UMA EDUCAÇÃO INCLUSIVA: A NECESSIDADE DE MONITORIAS PARA PÚBLICOS ESPECÍFICOS
Palavras-chave:
Inclusão; Monitorias; Acolhimento.Resumo
Este trabalho relata a experiência da Monitoria Público-Alvo, destinado a indígenas, imigrantes e ingressantes de programas externos, como o Programa de Estudantes Convênio (PEC-G), na Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS, Campus Cerro Largo/RS. O projeto direciona-se a um público específico que enfrenta dificuldades, frequentemente originadas de trajetórias escolares desiguais e contextos socioculturais diversos, que se manifestam em altos índices de reprovação e evasão. O objetivo geral do projeto intercultural das monitorias público-alvo é promover apoio pedagógico aos estudantes que apresentam dificuldades de aprendizagem, aproximando a prática docente no Ensino Superior para qualificar os processos de ensino e de aprendizagem, produzindo condições cognitivas, instrumentais e contextuais para a inserção acadêmica e a permanência com êxito na universidade. A necessidade de programas de monitorias que atendam a estudantes com dificuldades de aprendizagem está fundamentada na importância de desenvolver letramentos diversos e promover a inclusão educativa. Alguns autores cujas obras fornecem embasamento teórico relevante para este tema são Néstor García Canclini, Paulo Freire, Djamila Ribeiro e Boaventura de Sousa Santos. Para esses autores, a educação deve reconhecer e valorizar as múltiplas formas de conhecimento e expressão cultural, promovendo a inclusão dos diferentes grupos sociais, como os povos indígenas, cujas formas de letramento tradicionalmente não são contempladas no currículo formal. Letramento é aqui compreendido não apenas à habilidade de ler e escrever, de decodificar a palavra, mas envolve a capacidade de interpretar e transformar o mundo. Nessa perspectiva, o ensino deve ser contextualizado em suas realidades culturais e sociais. Dessa forma, a monitoria pode desempenhar um papel fundamental nesse processo, oferecendo suporte personalizado que considera as necessidades específicas desses estudantes, ajudando-os a desenvolver as competências necessárias para mover-se com mais segurança no ambiente acadêmico. Metodologicamente, a monitoria desenvolveu ações contínuas de acompanhamento ao longo do semestre letivo, incluindo rodas de conversa, escuta ativa individual, encaminhamento a setores institucionais (SAE, CELUFFS, NEABI, Secretaria da UFFS) e apoio direto a dificuldades relacionadas à barreira linguística, distância geográfica, choque cultural e medo de preconceito. Destaca-se a recepção planejada e conduzida pela monitoria aos estudantes recém-chegados pelo Programa de Estudantes Convênio (PEC-G), que incluiu informações sobre a vida acadêmica, direitos estudantis e formações de ambientação. O acolhimento de estudantes com filhos, que traziam junto para as aulas, também foi um apoio inovador nesse semestre. Os resultados descritos baseiam-se em registros sistemáticos da monitoria (frequência nas atividades, demandas atendidas) e em observações institucionais sobre continuidade dos estudos e evasão. Identificou-se alta demanda pelo acompanhamento ao longo do período, com expressiva participação dos estudantes nas rodas de conversa e nos atendimentos individuais, avaliados positivamente. Observou-se continuidade nos estudos da maioria dos estudantes acompanhados, bom aproveitamento nos componentes curriculares (relatado por docentes e verificado em boletins de rendimento) e redução dos índices de evasão em comparação a semestres anteriores sem a monitoria, conforme dados fornecidos pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis. Essa forma de monitoria pedagógica não só tem propiciado a melhoria do desempenho acadêmico dos estudantes, como também tem enriquecido o ambiente educativo, promovendo uma visão mais plural e inclusiva do conhecimento.
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