PESQUISA COM CAFÉ: CONVERSA DE ALUNO PARA ALUNO SOBRE REDAÇÃO CIENTÍFICA

Autores

  • Ivana Loraine Lindemann
  • Gustavo Olszanski Acrani
  • Shana Ginar da Silva
  • Renata dos Santos Rabello
  • Lucas Dalla Maria Universidade Federal da Fronteira Sul
  • Giovanna Messagi Caldeira
  • Paulo César Estefano

Palavras-chave:

Monitoria, Promoção da Pesquisa, Comunicação em Saúde, Comunicação e Divulgação Científica

Resumo

Diante da reconhecida importância da iniciação científica na formação acadêmica e profissional na área da saúde, estratégias que favoreçam o engajamento dos estudantes com a pesquisa tornam-se essenciais no contexto universitário (BORGES et al., 2024; MENDES; ROCHA, 2024). Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência dos monitores do projeto de Monitoria de Apoio à Pesquisa e à Extensão e Cultura (MAPEC), do curso de Medicina da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Passo Fundo, Rio Grande do Sul, a partir da participação no evento “Pesquisa com Café: conversa de aluno para aluno sobre redação científica”. O “Pesquisa com Café”, promovido pela Diretoria de Pesquisa da universidade, em parceria com o Comitê Assessor de Pesquisa e com a Coordenação Adjunta de Pesquisa e Pós-Graduação do campus, caracteriza-se, no campus Passo Fundo, RS, como um espaço de aprendizagem não formal, no qual um bolsista do projeto de monitoria atua como mediador de discussões voltadas à pesquisa científica em um ambiente horizontal e acolhedor. Ao longo de três edições, o evento abordou diferentes temáticas, incluindo a construção de relato de caso, relato de experiência, resumo simples, resumo expandido, pôster e slides para apresentação oral de trabalhos. A proposta central consiste em promover a troca de saberes entre estudantes de diferentes fases do curso, incentivando o compartilhamento de dúvidas e experiências em um espaço colaborativo e democrático. A dinâmica dos encontros ocorre em salas de aula da própria universidade com a socialização de conhecimentos teóricos, seguida pela análise prática de exemplos de escritas científicas, tendo duração de, aproximadamente, duas horas e presença média de 50 acadêmicos por edição. Esse formato dialoga com metodologias ativas de ensino-aprendizagem, nas quais o estudante assume papel de protagonista na construção do conhecimento, favorecendo maior engajamento e melhor assimilação dos conteúdos (FREIRE, 1996; PRINCE, 2004). A interação entre pares, associada à linguagem acessível e à proximidade entre mediador e participantes, contribui para a desmistificação da pesquisa científica, tornando o aprendizado mais significativo e aplicável à realidade acadêmica (DA FONSECA; MARQUES, 2023). A atuação do monitor como mediador exige o desenvolvimento de competências técnicas, como domínio da redação científica e das normas acadêmicas, além de habilidades interpessoais, como comunicação clara, escuta ativa e condução de grupos. Como reflexo dessas interações, foi possível observar relatos positivos de alunos que se sentiram mais confiantes e seguros para iniciar a prática científica ou aprofundar-se em outras formas de divulgação dos trabalhos realizados. Esse processo fortalece tanto a formação profissional quanto pessoal do monitor, estimulando protagonismo, autonomia e responsabilidade no processo educativo. Além disso, favorece o desenvolvimento de habilidades essenciais à prática médica, como empatia, didática e capacidade de traduzir conteúdos complexos de forma acessível, consolidando competências que extrapolam o ambiente acadêmico (BENNETT; HOGARTH, 2009). Em síntese, o “Pesquisa com Café” evidencia que espaços informais e colaborativos de aprendizagem atuam como ferramentas complementares de grande valor aos modelos tradicionais de ensino, ao promoverem a construção coletiva do conhecimento e o engajamento dos estudantes, ao mesmo tempo em que se configuram como uma experiência formativa relevante para o desenvolvimento acadêmico, profissional e humano do monitor.

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Publicado

17-09-2026