PRÁTICAS DE MONITORIA EM EXTENSÃO: O USO DA HORTA ESCOLAR COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA NA EDUCAÇÃO BÁSICA

Autores

  • João Guilherme Dal Belo Leite Universidade Federal da Fronteira Sul - UFFS
  • Daiane Kehl Kolling
  • Vanessa Neumann Silva
  • James Luiz Berto

Palavras-chave:

Extensão Universitária. Agronomia. Hortaliças.

Resumo

A monitoria em extensão atua como um importante elo entre a universidade e a comunidade, viabilizando a aplicação de conhecimentos acadêmicos em contextos reais. Funciona como uma estratégia de ensino que visa melhorar o processo de aprendizagem dos alunos, auxiliando-os na compreensão e no fortalecimento do conhecimento, além de contribuir para uma formação profissional adequada às exigências do mercado. Como aporte teórico, o trabalho fundamenta-se na concepção de práxis educativa de Freire (1996), que defende a reflexão crítica indissociável da ação transformadora da realidade, e na perspectiva de Morgado e dos Santos (2008), que apontam a horta escolar como um laboratório vivo interdisciplinar, capaz de conectar a educação ambiental à vivência prática e lúdica dos alunos. Este trabalho apresenta o relato de experiência das atividades de monitoria do projeto “Monitoria para os componentes curriculares de Extensão do curso de Agronomia” da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), desenvolvidas na Escola de Educação Básica Tancredo de Almeida Neves, no bairro Efapi em Chapecó (SC), no semestre letivo de 2025/2. A contextualização da prática partiu da necessidade de fortalecer o vínculo institucional com a escola e melhorar o processo de ensino-aprendizagem dos discentes matriculados nos componentes curriculares de extensão (ex. Projeto Integrador I e Desenvolvimento de Práticas de Extensão I). Diante disso, o objetivo central das atividades foi dar continuidade às ações pedagógicas extensionistas externas por meio da implantação e do manejo de uma horta escolar, engajando os estudantes do 9º ano do ensino fundamental do turno vespertino em práticas agrícolas produtivas e sustentáveis. A metodologia caracterizou-se por intervenções semanais de 45 minutos (tempo de uma aula-relógio), realizadas entre agosto e dezembro de 2025, conduzidas pela acadêmica monitora com a participação da professora regente da escola e sua turma. As etapas práticas foram executadas de forma sequencial e abrangeram: demarcação de três canteiros; preparo físico do solo com revolvimento, incorporação de adubos  e correção; instalação de cobertura morta (mulching); confecção de vasos alternativos com materiais recicláveis; e o plantio consorciado de hortaliças (beterraba, alface, chicória, tomate-cereja, pimentão) e plantas  ornamentais (Celosia). Ademais, para aliar a prática à teoria, realizou-se uma atividade de pesquisa em sala de aula na qual os alunos elaboraram folders informativos sobre as características das espécies cultivadas. Os resultados evidenciam a implantação bem-sucedida das estruturas de plantio e a eficácia das técnicas de manejo, culminando em sucessivas colheitas participativas ao longo do semestre. A experiência demonstrou expressivo engajamento dos estudantes da rede básica, que assumiram protagonismo no cuidado diário das plantas. Conclui-se que a inserção da monitoria de Agronomia no ambiente escolar atingiu seus objetivos, enriquecendo a formação acadêmica, técnica e cidadã da discente monitora, ao mesmo tempo em que consolidou o papel social da extensão universitária na construção do conhecimento coletivo. 

Downloads

Publicado

10-09-2026