MONITORIA DE CIRURGIA COMO ESTRATÉGIA DE APRENDIZAGEM ATIVA

Autores

  • Leandro Tuzzin Universidade Federal da Fronteira Sul - campus Passo Fundo
  • Thalita Cristine Almeida UFFS - Passo Fundo
  • Karima Muhammad Yusuf Universidade Federal da Fronteira Sul - campus Passo Fundo
  • Assiria Moreira Portugal Universidade Federal da Fronteira Sul - campus Passo Fundo

Resumo

A monitoria acadêmica é reconhecida como prática formativa desde a Reforma Universitária de 1968 (BRASIL, 1968) e é reafirmada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 1996). No curso de Medicina, especialmente na disciplina de Clínica Cirúrgica, configura-se como estratégia indispensável para a consolidação de conteúdos e o desenvolvimento de competências práticas. Nesse contexto, a monitoria assume caráter pedagógico ao proporcionar ambiente estruturado para revisão de conceitos, esclarecimento de dúvidas e treinamento de procedimentos básicos, sendo considerada atividade complementar relevante para a formação médica (SOUZA; OLIVEIRA, 2023). O objetivo da monitoria em cirurgia é favorecer o aprendizado prático e proporcionar maior segurança na execução de técnicas fundamentais aos monitorandos, ao mesmo tempo em que promove, entre os monitores, o desenvolvimento de habilidades imprescindíveis à profissão médica. Essa dinâmica se alinha às metodologias ativas descritas por Pereira et al. (2021), nas quais a simulação e o trabalho em grupo tornam o estudante protagonista do processo de aprendizagem. A metodologia adotada é qualitativa e descritiva, fundamentada na observação das atividades realizadas no período letivo. O método utilizado consiste em encontros presenciais realizados em laboratório, com o uso de instrumentais cirúrgicos e materiais adaptados para a simulação de diferentes procedimentos médicos. As sessões são estruturadas em duas etapas: inicialmente, uma breve introdução teórica, seguida de treinamentos práticos em grupos reduzidos. Os conteúdos abordados são guiados pelo plano de ensino da disciplina, contemplando desde princípios básicos, como paramentação, até procedimentos aplicados em situações de emergência, como a drenagem torácica. Além das atividades regulares, são ofertados simulados práticos periódicos e encontros adicionais para reforço de conteúdos. A média de participação varia entre 20 e 30 estudantes por sessão, o que favorece a interação e possibilita acompanhamento mais próximo. Os resultados evidenciam maior confiança dos monitorandos na execução de técnicas básicas, além de engajamento e motivação demonstrados nos feedbacks recebidos. Observa-se também que a monitoria contribui para a redução da ansiedade pré-avaliações práticas, uma vez que os simulados funcionam como preparação e familiarização com o ambiente avaliativo. Entre os monitores, destaca-se o desenvolvimento de competências de comunicação, responsabilidade, disciplina e organização, acrescido da habilidade de liderança, considerada essencial na prática médica. Como apontam Duarte e Batista (2024), práticas que unem teoria e simulação contribuem para uma formação mais sólida e significativa, confirmando a relevância da monitoria como instrumento de potencialização da graduação.

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Publicado

10-09-2026