Protagonismo Estudantil e a Democratização do Conhecimento: relato de experiência a partir do CEDOC

Autores

  • Gérson Wasen Fraga UFFS
  • Débora Maria Rodrigues de Morais UFFS

Resumo

O presente trabalho tem por objetivo a socialização das atividades realizadas durante o projeto de monitoria de curso realizado no Centro de Documentação Histórica e Laboratório de História Oral da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) - Campus Erechim. Tendo em vista nosso principal método de pesquisa (história oral), bem como o intuito desse projeto, a democratização do conhecimento e a socialização das produções realizadas na universidade pública são nossos principais objetivos. Tensionando a construção dessas experiências, esse breve resumo pretende partilhar os resultados obtidos durante os últimos meses de monitoria. A atual monitoria 2025/2026 é composta por uma monitora bolsista e duas monitoras voluntárias que, junto ao coordenador, trabalham não só na catalogação da documentação histórica constituinte do acervo da nossa instituição, como também, na produção de atividades voltadas para o método de His´tória Oral: entrevistas e transcrições, visando a construção de acervo próprio para a constituição de projetos e pesquisas posteriores.  Revisitando nossa preocupação com a democratização do conhecimento produzido e o acesso a esse espaço, no último ano, temos nos reunido semanalmente para a organização de um grupo de estudos focado em leituras conjuntas e debates públicos, o Cedoc. O intuito principal do Cedoc é divulgar os trabalhos realizados no espaço - muito além da organização de caixas, limpeza documentos, produção de entrevistas de história oral ou promoção de oficinas. Nosso esforço visa a promoção de debates e leituras que não encontram largas aberturas nos Componentes Curriculares do curso. Para tal, nos apropriamos das discussões através de dois manuais a respeito de como fazer História Oral: o primeiro, o já consagrado cânone da área, Manual de História Oral, de Verena Alberti em que a autora relata sua experiência com o Centro de Pesquisa e Documentação de His´tória Contemporânea do Brasil (CPDOC), projeto da Fundação Getúlio Vargas. Além desta, temos a obra História Oral: como fazer, como pensar, de José Carlos Sebe B. Meihy e Fabíola Holanda, onde os autores discutem suas experiências e concepções do fazer historiográfico e o uso da História Oral enquanto metodologia e fonte histórica. As leituras são realizadas em conjunto, tal qual o debate e escolha das temáticas dos textos. A metodologia tem se mostrado eficaz para a socialização e construção da formação crítica do grupo, assim como uma ferramenta indispensável para o protagonismo estudantil no projeto, estando a cargo das monitoras a escolha dos eixos temáticos que mais despertam interesse. Nossas últimas leituras e atividades contaram com alguns capítulos do livro Por um feminismo afro-latino-americano, de Lélia Gonzáles, além da análise dos documentários Preto contra Branco, de Wagner Morales (2004), e Projeto Memória Lélia Gonzalez - documentário, dirigido por Nilson Rodrigues, produzido pela Fundação Banco do Brasil. Demonstra-se assim um crescente interesse pelo debate a respeito da interseccionalidade e a negritude brasileira, possível tema de um futuro projeto de entrevistas. Dessa forma, entendemos a monitoria como um projeto de formação discente que propicia aos seus participantes - bolsistas ou voluntários - a experiência de protagonismo acadêmico e formação integral na construção do eu-acadêmico.

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Publicado

10-09-2026