O TRINÔMIO MILHO-SOJA-PORCO E TRANSFORMAÇÃO DA PAISAGEM RURAL DO OESTE DE SANTA CATARINA: USOS E INTOXICAÇÕES POR AGROTÓXICOS EM XANXERÊ (DÉCADA DE 2010)
Palavras-chave:
Xanxe, Agrotóxicos, monocultura, saúde publica, Oeste de Santa CatarinaResumo
No Oeste catarinense o avanço acelerado dos monocultivos de soja e milho garantiu a sustentação de cadeias produtivas centrais para o agronegócio do estado, consolidando um modelo produtivo cuja viabilidade técnica e econômica apoia-se no uso intensivo e contínuo de agrotóxicos. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2020), no período entre 2010 e 2020, a microrregião de Xanxerê registrou um total acumulado de 6.160.196 cabeças de suínos. No entanto, o cultivo desses grãos em grande escala cobra um preço na saúde das populações locais. Registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan/MS), compilados pelo Painel de Dados de Agrotoxicidade da plataforma EITA, mostra que o município de Xanxerê ocupa quarta posição no ranking estadual de notificações por intoxicação humana por agrotóxicos.
A relação entre a escalada dos agrotóxicos e os agravos à saúde humana já vinha sendo demonstrada em escala estadual. O aumento do consumo de agrotóxicos em Santa Catarina tem correlação direta com a curva ascendente de intoxicações e óbitos registrados pelo Centro de Informações Toxicológicas (CIT/SC) e pelo Sinan/MS ao longo das últimas décadas.
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