O MUSEU COMO PRÁTICA DE SIGNIFICAÇÃO: FUNCIONAMENTO DA HISTÓRIA E DA MEMÓRIA
Palavras-chave:
Museu, Análise de Discurso, Memória, Silêncio, ArquivoResumo
O trabalho analisa o Museu 25 de Julho, em Cerro Largo (RS), sob a Análise de Discurso e a História das Ideias Linguísticas, investigando como ele institucionaliza memórias e produz narratividades históricas. Ao examinar o Regimento Interno do Centro Cultural 25 de Julho e itens do acervo como ferramentas agrícolas, artefatos indígenas e a múmia egípcia Iret Neferet, a pesquisa demonstra a prevalência de uma ideologia colonial e eurocêntrica. O regimento foca na exaltação da "tradição dos fundadores" e do imigrante alemão, resultando no silenciamento e apagamento formal da história dos povos originários, além de gerar contradições ao fixar o cristianismo como base e declarar não discriminação. Contudo, a presença física dos objetos indígenas no acervo expõe a memória calada desses povos, enquanto o destaque dado à múmia produz um "choque cultural" e amplia os limites da narrativa colonial. Conclui-se que o museu não é um reflexo passivo do passado, mas um espaço político de relações de poder, no qual a interpretação crítica do arquivo é fundamental para desnaturalizar os sentidos consolidados e os esquecimentos promovidos pela instituição.
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