ITINERÁRIOS TERAPÊUTICOS DE MULHERES MIGRANTES NO SUL DO BRASIL
Palavras-chave:
imigrantes, integralidade, itinerários terapêuticos, xenofobia, vulnerabilidades sociaisResumo
A migração feminina é atravessada por vulnerabilidades sociais, econômicas e laborais que podem repercutir no acesso e na continuidade do cuidado em saúde. Este estudo objetivou compreender os Itinerários Terapêuticos de mulheres imigrantes no Sul do Brasil, analisando a utilização de recursos formais e informais de cuidado. Trata-se de uma pesquisa-intervenção, realizada mediante diários de campo, questionários sociodemográficos e entrevistas semiestruturadas, após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos. Participaram do estudo nove mulheres venezuelanas, com média de quatro anos de residência no Brasil e idade média de 40 anos. Entre as participantes, seis apresentavam doenças crônicas, destacando-se lesões osteomusculares relacionadas ao trabalho. A partir da análise dos Itinerários Terapêuticos, evidenciou-se a Unidade Básica de Saúde como principal porta de entrada no Sistema Único de Saúde, porém foram identificadas descontinuidades assistenciais, dificuldades para acesso a exames, consultas especializadas e cirurgias, além de episódios de xenofobia. Diante dessas barreiras, as participantes recorreram à saúde suplementar, serviços privados, hospitalares e redes comunitárias de apoio. Conclui-se que, apesar da satisfação com a gratuidade dos serviços, persistem barreiras no acesso e na continuidade do cuidado, reforçando a necessidade de qualificar os fluxos assistenciais e fortalecer a vigilância em saúde do trabalhador.
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