AUTOPERCEPÇÃO DA ALIMENTAÇÃO: UMA ANÁLISE EM INDÍGENAS ATENDIDOS EM UM AMBULATÓRIO DE SAÚDE ESPECIALIZADO

Autores

  • Rangel Araujo Fernandes Braga Bicalho Universidade Federal da Fronteira Sul - Passo Fundo
  • Jackson Menezes de Araújo Universidade Federal da Fronteira Sul - Campus Passo Fundo
  • Luiz Henrique Irigoyen de Melo Universidade Federal da Fronteira Sul - Campus Passo Fundo
  • Leandro Tuzzin Universidade Federal da Fronteira Sul - Campus Passo Fundo
  • Daniela Teixeira Borges Universidade Federal da Fronteira Sul - Campus Passo Fundo
  • Gustavo Olszanki Acrani Universidade Federal da Fronteira Sul - Campus Passo Fundo
  • Ivana Loraine Lindemann Universidade Federal da Fronteira Sul - Campus Passo Fundo

Palavras-chave:

Saúde Indígena, Autopercepção Alimentar, Nutrição

Resumo

Este estudo transversal estimou a prevalência de autopercepção negativa da alimentação em indígenas atendidos no Ambulatório de Saúde Indígena da UFFS/HSVP, em Passo Fundo/RS, caracterizando a amostra epidemiologicamente . A coleta ocorreu de abril a julho de 2025 via questionários presenciais com adultos e idosos (n=101) . A autopercepção negativa (desfecho) foi definida pelas respostas "ruim" ou "muito ruim" sobre a própria alimentação . A amostra apresentou predomínio de mulheres (73,3%), faixa de 18-59 anos (89,1%), etnia Kaingang (92,0%) e baixa escolaridade (70,3%) . Observou-se elevada inatividade física (56,4%), hipertensão (41,0%) e obesidade (26,0%) . A análise do consumo alimentar do dia anterior revelou omissão de feijão (19,8%), frutas (36,6%) e hortaliças (22,8%), além de alto consumo de bebidas adoçadas (69,3%) e ultraprocessados . A prevalência global de autopercepção negativa da alimentação foi de 7% (IC95% 2-12), sendo significativamente superior entre indivíduos com obesidade (15,4%; p=0,019) . Conclui-se que a população vivencia uma importante transição epidemiológica e nutricional, marcada pela substituição de alimentos tradicionais por ultraprocessados . A baixa percepção negativa global sugere a normalização desse consumo desfavorável, evidenciando a necessidade urgente de intervenções intersetoriais de educação alimentar adaptadas à cultura local .  

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Publicado

13-10-2026

Edição

Seção

Ciências da Saúde - Campus Passo Fundo