Efeito do inibidor da ação do etileno Harvista® sobre a frutificação efetiva de macieiras

Autores

  • Luiz C. Argenta Epagri Caçador
  • Cristiane Carlesso Epagri, pós Doutorado
  • Aquélis A. Emer Epagri Caçador Pos-doutorado

Palavras-chave:

Malus domestica Borkh., regulador vegetal, 1-MCP

Resumo

O tratamento de fruteiras com reguladores vegetais, como tidiazurom, proexadiona cálcica e aminoetoxivinilglicina (AVG), é utilizado comercialmente para aumentar a frutificação efetiva e a produtividade em diversas espécies frutíferas. O potencial benefício de reguladores da síntese ou da ação do etileno aplicados durante a floração baseia-se na hipótese de que esses compostos retardam a senescência floral, ampliando o período disponível para polinização e fecundação. O presente estudo avaliou os efeitos do inibidor da ação do etileno 1-metilciclopropeno (1-MCP) sobre a frutificação efetiva de macieiras. Dois experimentos foram conduzidos em pomar comercial de macieiras cv. Maxi Gala enxertadas sobre porta-enxerto Marubakaido com filtro M.9, espaçamento de 4,5 × 1,25 m, plantado em 2007 na região de Vacaria, RS. O Experimento 1 foi conduzido em 2022 em plantas não tratadas com os reguladores vegetais proexadiona cálcica e tidiazurom. Nesse experimento, o 1-MCP (Harvista® 1.3 SC, 17,1 g i.a. L⁻¹, AgroFresh Inc.) foi aplicado por pulverização na dose de 11,4 L p.c. ha⁻¹ (180 mg i.a. L⁻¹) durante a plena floração. O Experimento 2 foi conduzido em 2025 em plantas previamente tratadas com proexadiona cálcica (Viviful® SC, 500 g i.a. L⁻¹, Ihara) na dose de 300 mL p.c. ha⁻¹ e tidiazurom (Messidor®, 500 g i.a. L⁻¹, Bayer) na dose de 20 mL p.c. ha⁻¹, aplicados no estádio fenológico F (botão rosado com flores abertas), em 24 de setembro. Nesse experimento, o 1-MCP (Harvista® 1.3 SC) foi aplicado nas doses de 11,4 e 22,8 L p.c. ha⁻¹ (180 e 360 mg i.a. L⁻¹), durante a plena floração, em 29 de setembro. Plantas não tratadas com Harvista® foram utilizadas como testemunha em ambos os experimentos. No experimento conduzido em 2022, a frutificação efetiva média foi de 106% e não foi alterada pela aplicação de Harvista® na dose de 11,4 L p.c. ha⁻¹. Em 2025, a frutificação efetiva foi inferior à observada em 2022, independentemente dos tratamentos. Nesse experimento, a aplicação de Harvista® na dose de 11,4 L p.c. ha⁻¹ novamente não influenciou a frutificação efetiva. Entretanto, a dose de 22,8 L p.c. ha⁻¹ aumentou a frutificação efetiva em 2,3 vezes em relação à testemunha. Destaca-se que essa dose corresponde ao dobro da dose comercialmente utilizada para retardar a maturação de maçãs na planta. Os resultados evidenciam potencial benefício do Harvista® em doses elevadas para aumentar a frutificação efetiva de macieiras. Entretanto, novos estudos são necessários para determinar a consistência dessa resposta em diferentes condições de cultivo e para avaliar possíveis efeitos aditivos ou sinérgicos entre tidiazurom, proexadiona cálcica e Harvista® sobre a frutificação efetiva de macieiras.

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Publicado

19-06-2026